#17 – Queer Summit

Este episódio, gravado no Queer Summit (a 10/Março), traz-nos como convidado o Alex, Presidente do NuPRIDE. Falamos sobre o Queer Summit a descoberta do Alex enquanto pessoa Bissexual, Visibilidade, pessoas LGBT na antiguidade e sobre a série do momento: Heated Rivalry!

Falamos ainda sobre o NuPRIDE (e a importância dos núcleos Queer universitários), sobre ser-se Queer em contextos de Universidade/ensino e profissional, e ainda sobre o retrocesso nos direitos Trans e Intersexo em Portugal.

Participem também nos comentários. 🦄

Venham Bialogar connosco! 💗💜💙

Publicação: 27/03/2026 | Duração: 52min 51s | Produção: 9h | Legendas: no YouTube
Avisos: Contém spoilers/revelações de Heated Rivalry. Contém menções de “saída do armário”, invisibilidade, apagamento LGBTQIA+ e descoberta identitária. Contém breves menções de bifobia, homofobia, transfobia e bullying.

O convidado deste episódio foi o Alex (quaisquer pronomes), pessoa de Género-fluido, Bissexual e Presidente do NuPRIDE.

🔍 Descobre mais sobre o NuPRIDE em:

Personalidades

  • François Arnaud: Ator Bissexual Canadiano.
  • Zach Sullivan: Jogador de hóquei no gelo Bissexual Inglês.
  • Ryan Russell: Jogador de futebol americano Bissexual Estadunidense.
  • Hatshepsut: Faraó do antigo Egipto, considerado uma das mais antigas referências históricas duma pessoa Trans (neste caso, Trans-masculina) e Bissexual.

Personagens

  • Shane Hollander: Homem Gay da série “Heated Rivalry” e dos livros da série literária “Game Changers”, de Rachel Reid
  • Ilya Rozanov: Homem Bissexual da série “Heated Rivalry” e dos livros da série literária “Game Changers”, de Rachel Reid
  • Scott Hunter: Homem Gay da série “Heated Rivalry” e dos livros da série literária “Game Changers”, de Rachel Reid
  • Kip: Homem Gay da série “Heated Rivalry” e dos livros da série literária “Game Changers”, de Rachel Reid
  • Rose: Mulher da série “Heated Rivalry” e dos livros da série literária “Game Changers”, de Rachel Reid
  • Deadpool: Personagem Pansexual dos filmes e livros de banda desenhada da Marvel.
  • Svetlana Vetrova: Mulher da série “Heated Rivalry” e dos livros da série literária “Game Changers”, de Rachel Reid

Livros

  • “Heated Rivalry”, de Rachel Reid
  • Série literária “Game Changers”, de Rachel Reid

Filmes e Séries

  • “Heated Rivalry”
  • “Deadpool”

Eventos e Datas

  • 1.º Queer Summit (2023): 02 de Março de 2023, evento LGBTQIA+ realizado pelo NuPRIDE.
  • 3.º Queer Summit (2025): 11 de Março de 2025, evento LGBTQIA+ realizado pelo NuPRIDE.
  • 4.º Queer Summit (2026)10 de Março de 2026, evento LGBTQIA+ realizado pelo NuPRIDE.
  • Bi Fest (2025): 1 a 30 de Setembro de 2025, 1.ª grande agenda de eventos da Visibilidade Bissexual em Portugal.

Associações, Coletivos e Grupos de Apoio

(em edição)

[Alexandre] Alô, alô. Sejam bem-vindes ao podcast Bialogar.
Eu sou o Alexandre.

[Sky]
Eu sou Sky.

[Alex]
Eu sou o Alex.

[Alexandre]
Hoje temos connosco o nosso convidado Alex,
pessoa de Género-fluido, Bissexual e presidente do NuPRIDE,
que organiza também aqui o Queer Summit, onde estamos neste momento.

[Aplausos do público]

[risos]

[Alexandre]
Alex, queres-nos falar do que é que é o Queer Summit, e esta importância que tem,
e do NuPRIDE enquanto núcleo universitário?

[Alex]
Então, o NuPRIDE em si já foi fundado em 2019.
É um núcleo que supostamente apareceu no último episódio [do Bialogar].
E pronto, nós, o nosso objetivo é mesmo de criar um lugar seguro na faculdade
para as pessoas LGBT daqui e também ensinar às pessoas sobre, por exemplo,
temas de saúde sexual, ou seja, para além das coisas da comunidade,
ensinar também sobre temas de saúde sexual, porque o ensino público
não é propriamente o melhor nesses assuntos.
E depois tem muita gente que chega à faculdade sem saber sobre isso
e é complicado.
Por isso nós também temos bastante foco nisso.
Incluindo, por exemplo, o GAT, que também deve estar cá, lá fora, hoje,
a fazer rastreios de doenças sexualmente transmissíveis,
IST’s, Infecções Sexualmente Transmissíveis, e pronto.
Quanto ao Queer Summit, é um evento que a primeira vez que aconteceu foi no ano de 2023.
Esta é a quarta edição.
Acho que sou das poucas pessoas daqui que já ’teve em todas elas,
porque o primeiro evento foi no meu primeiro ano de faculdade,
ou seja, o primeiro ano de ‘tar no núcleo.
Mas pronto, ou seja, eu vi a evolução inteira.
O evento, a ideia é mesmo ser um dia inteiro com, não só convívio,
mas também de palestras, workshops, bancas;
dar um espaço para a comunidade estar, apresentar as suas ideias
e pronto, ensinar ao resto da comunidade, tanto da faculdade
como de pessoas de fora que venham, sobre esses assuntos.
Tecnicamente, já fomos o maior evento LGBT da Margem Sul.
Entretanto, fomos ultrapassados pela marcha
e provavelmente vamos ser ultrapassados pelo arraial de Setúbal, mas pronto.
‘Tar em 2.º/3.º lugar, porque ainda não aconteceu o arraial,
‘tamos bem, ‘tamos ótimos.

[Alexandre]
Posso dizer, porque nós estivemos na 1.ª marcha de Setúbal,
vocês têm mais bancas aqui do que no mercado de Setúbal, ’tá bem?

[risos]

[Alexandre]
Mas a marcha, sim, é enorme e completamente extravasou qualquer evento.

[Alex]
Sim, eu estive também na marcha, por isso.

[Alexandre]
Eu lembro-me.

[Sky]
Por não falar que aqui é muito mais acessível para o pessoal de Lisboa,
do que Setúbal em si.

[Alex]
Sim, é mais perto.
‘Tá mais no meio entre Lisboa e Setúbal, isso assim é mais acessível, sim.

[Alexandre]
Nós por acaso ‘tivemos no Queer Summit do ano passado,
foi quando conhecemos o NuPRIDE
e foi, de facto, o primeiro evento em que participámos enquanto podcast,
porque antes só fazíamos gravação de episódios e, em parte,
eu já disse isto a outras pessoas, acho que até já tinha dito ao João,
a razão pela qual nós começámos a ir a eventos e fizemos eventos como o Bi Fest
e o QueerNatal é graças a vocês, NuPRIDE.

[risada do Alex]

[Alexandre]
Foi graças ao Queer Summit,
deu-nos ideias e deu-nos inspiração para fazermos esses eventos.
E participarmos em eventos, portanto…

[Alex]
Sim. Acho que, de facto, já tinhas dito isso na altura do Bi Fest, quando…

[Alexandre]
Quando fomos a Coimbra.

[Alex]
Sim.

[Alexandre]
Sim, eu esqueci-me de dizer essa parte:
foste uma das pessoas que também esteve na conversa em Coimbra.

[Alex]
Sim, eu também estive lá.

[Alexandre]
Portanto, participaste connosco também no Bi Fest.
E era, pegando nestes pontos e na questão do núcleo,
era falarmos também, se calhar, um bocado da importância que isto tem para a visibilidade,
seja de pessoas Bissexuais, como é o caso de nós os três que aqui estamos,
seja também doutras pessoas, identidades dentro da comunidade LGBT,
no caso de Sky uma pessoa Não-binária,
no teu caso também uma pessoa de Género-fluido,
a importância que estes núcleos têm com este Porto Seguro.

[Sky]
Sim, é extremamente, especialmente para…
Especialmente no Conselho da Almada, é o único evento que existe,
porque nós não temos nem organizações, nem eventos,
nem lojas com simbologia da nossa bandeira, nada.
Não temos representação nenhuma.
Tanto que nem sequer há publicação suficiente
deste próprio evento, que até este ano nem sequer sabia que existia um Queer Summit.
E isso é triste, porque se o Conselho da Almada,
o próprio município da Almada,
consegue fazer placares, em que eles próprios pagam,
para fazer convenções de Anime,
porque é que eles não podiam fazer placares para este?

[Alex]
To be fair [= Para ser sincero], nós também não contactámos para tentar fazer isso.
Nem sequer sabíamos da possibilidade, mas irei anotar.
Mas também o GAT tem conexão com a Câmara da Almada,
e nós temos conexão com a Câmara da Almada.
Por isso, honestamente, anoto para o futuro.

[Sky]
É porque existem, pelo menos, dois eventos, na Casa Amarelo no Laranjeiro,
em que têm o patrocínio da própria Câmara da Almada, e são eventos de Anime.

[Alexandre]
Imagina, o facto de vocês não saberem que isso é uma possibilidade,
ao mesmo tempo faz parte daquilo que são as instituições públicas,
a Câmara da Almada não desconhece o que é que acontece nesta Faculdade, como é óbvio.

[Sky]
Exato.

[Alex]
Sim.

[Alexandre]
Parte também… Tem que partir também dos órgãos públicos…
apoiarem…

[Sky]
‘Tarem envolvidos.

[Alexandre]
Precisamente.

[Sky]
Não ‘tão envolvidos na comunidade.

[Alexandre]
Têm que se envolver na comunidade e também dar voz a estes espaços.

[Sky]
O que acho que é bastante chocante, porque para quem viu os resultados das eleições,
o Conselho da Almada foi dos conselhos mais de esquerda do país inteiro.
E mesmo assim não ‘tão envolvidos,
o que acho um bocado surpreendente.

[Alexandre]
Por acaso, esta Faculdade é da área de Ciências, eu trabalho em IT,
tu [referindo-se a Sky] também és da área de IT, Acessibilidade e Programação.

[Alex]
Eu, neste caso, sou de Bioquímica, mas ’tou a seguir…

[Alexandre]
É tudo na área de Ciências.

[Alex]
Sim, mas independentemente, tecnicamente, eu ’tou a tentar entrar no Mestrado de Bioinformática,
por isso também vou acabar de entrar em Informática também.
E ’tou a fazer estágio e projeto em Bioinformática, por isso também ’tou a programar.

[Alexandre]
Era mais de pegar que isto normalmente são ambientes que são mais,
pelo menos a forma como eu noto, por exemplo, em muitas empresas que já trabalhei,
são ambientes mais machistas, mais misóginos, mais fechados, mais não Queer-friendly [= seguros para pessoas Queer].

[Alex]
Sim.

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
Especialmente em ambiente corporativo, porque fora dum ambiente corporativo,
não tanto.
Nós sabemos isso
em cenas mais underground.
Mas quando falamos em ambiente corporativo e mesmo de Faculdade,
eu por acaso não andei numa Faculdade de Ciências, andei numa Faculdade de Economia,
mas pronto, são ambientes não Queer-friendly [= seguros para pessoas Queer].
Como é que vocês sentem, que dificuldades é que sentem que têm
e que existem na Faculdade relativamente a isso?

[Alex]
Honestamente, eu pelo menos, eu também só posso falar mais sobre este ano
como direcção, por isso não consigo falar do passado dos últimos anos,
mas nós pelo menos não tivemos assim muito conflito, assim,
com outras, tipo, com a AE [= Associação de Estudantes], com direcções assim,
normalmente até são bastante amigáveis para nós e tentam nos ajudar,
incluindo temos aí um professor nosso que ’tá aí a fazer uma palestra hoje
e outro professor que também ’teve como voluntário, veio para aqui
para nos ajudar a dar setup do evento, mas também sei que vários dos nossos cartazes
que nós tínhamos pela Faculdade para divulgar foram rasgados.
Por isso tem sempre isso daí, nós só seguimos em frente.
Também sabemos que nos últimos quatro anos que eu ‘tive cá,
ninguém nunca tentou fazer alguma coisa à nossa frente,
porque honestamente, para alunos da Faculdade fazerem alguma coisa
a eventos da Faculdade que, por exemplo, este evento também foi divulgado pela própria faculdade,
‘tarem a fazer isso não é propriamente inteligente da parte deles,
só teriam disparar no pé deles, pronto.

[Sky]
Eu sou a única pessoa de nós os três que não foi à faculdade,
por isso eu não posso dar grande opinião, mas eu fiz curso profissional técnico
e fiz equivalência de curso em
universidade estrangeira e como o curso de universidade estrangeira
foi à distância e aquilo era muito autodidata,
não tive interação com os meus colegas,
mas no curso técnico eu reparava que muitas vezes era subestimada
e muitas vezes quando fazia o trabalho correto, ou fazia para além do pedido,
ficavam surpreendidos, como se fosse uma surpresa
alguém com uma representação mais feminina,
saber fazer o seu trabalho.

[Alexandre]
Ainda ontem ‘tive a falar sobre isso com uma amiga minha, também Queer,
que esteve numa escola de programação aqui em Lisboa,
que eu não vou dizer qual mas que é bastante conhecida,
e que atualmente ela nota muito isso, essa tendência de:
tudo o que seja pessoas Queer ou pessoas com uma representação mais feminina
são tratadas dessa forma.

[Sky]
E não é só…

[Alexandre]
Como se fossem menos capazes.

[Sky]
E não é só… A acessibilidade, em geral,
seja por ser Queer ou por ser uma pessoa com uma deficiência, não existe.
A acessibilidade não existe e a representação muito menos.

[Alexandre]
Daí a importância da visibilidade e a importância que eventos como o Queer Summit têm nessa visibilidade.
E, neste caso a pergunta é mais para ti [referindo-se ao Alex],
se sentes que isso teve impacto na tua vivência Queer,
ou seja, quando chegas aqui à faculdade,
se isto teve impacto na tua vivência Queer?

[Alex]
Eu quando ‘tava a entrar na faculdade, eu imediatamente ‘tava a querer…
Eu sabi que faculdade ia ter núcleos, ia ter clubes, pronto.
Eu já estava com a ideia de:
eu tou a ir para um sítio onde não vou conhecer ninguém,
eu quero entrar nalgum sítio que é para conhecer pessoas,
porque senão eu sinto que eu vou-me isolar e não vai correr bem para mim mesmo.
Por isso, eu na altura, a FCT normalmente costuma ter uma odisseia,
onde basicamente apresentam os núcleos às pessoas.
E, na altura, eu vi o Queer Summit… Vi o Queer Summit!?… Vi o NuPRIDE,
e fiquei do tipo: “ok, ya! aqui vamos!”.
Apesar de que eu tive demasiada ansiedade para entrar e demorei demasiado tempo pra entrar,
mas seguimos em frente.
Isso é o esperado.

[Alexandre]
Mas, se quiseres, podes falar sobre isso o que quiseres.

[Alex]
Eu era uma pessoa com extrema ansiedade,
e que eu não era a pessoa mais presente em Outwards [= exteriormente],
que não era cis-male, cis-straight male [= Homem Cis-hétero].
Mesmo atualmente eu sou Género-fluido,
mas como as pessoas que ‘tão aqui conseguem ver,
eu apresento-me como masculino,
e quase sempre apresento-me como masculino, ponto final, basicamente.

[Alexandre]
And that’s Ok [= E isso é Ok], ser Género-fluido não obriga que tu tenhas que ser uma mistura louca de…

[Sky]
Exato.

[Alex ri]

[Alexandre]
No último episódio falávamos disso,
eu e o João, que ’tá ali, também da NuPRIDE,
falávamos sobre isso, da questão de que uma pessoa Não-binária
não tem que ser uma pessoa andrógina,
não tem que ser uma mistura de várias coisas, é tipo…

[Alex]
Sim.

[Sky]
Eu noto muito, especialmente, não em pessoa,
porque eu nunca tive essa experiência em pessoa,
mas especialmente nas discussões online,
a não ser que uma pessoa seja andrógina,
ou seja, por exemplo,
se é uma pessoa Não-binária que nasceu de sexo masculino
e representa-se de feminino,
a não ser que haja uma transição muito óbvia,
consideram que a pessoa não é válida como Não-binária.
Mas, por exemplo, em pessoa, nunca tive essa experiência.
Toda a gente acha que é a coisa mais normal
representar-se duma maneira ou doutra.

[Alexandre]
Sim.
Lá está essa invalidação da identidade,
e, lá está, mais uma vez voltamos à questão
de porque é que é importante a representação
e a visibilidade e sermos visíveis.
Sentes, isto também pode ser válido para quem está a assistir,
que é possível ser visível na faculdade enquanto pessoa Queer?

[Alex]
Como assim?

[Alexandre]
Seja enquanto pessoa Bissexual, seja enquanto pessoa Não-binária.
Ou seja, se fora deste espaço, se fora desta sala,
ali fora, tu podes continuar a ser tu próprio.

[Alex]
I mean… [= diria que]

[Alexandre]
Se é um ambiente seguro.

[Alex]
I mean… [= diria que] Em geral, sim.
O máximo que, tanto como Núcleo como eu em pessoa, recebemos
são alguns comentários estúpidos.
Mesmo assim, a maior parte das pessoas
não fazem nada sem ser um ou outro comentário estúpido,
que nós só seguimos em frente.
Para além de que, ainda por cima como Núcleo,
nós ‘tamos muito mais aqui para educar sobre o assunto.
Ou seja, nós levamos esses comentários estúpidos
como: ok, vamos ter uma conversa sobre o assunto.

[Alexandre]
Oportunidade para ensinar.

[Alex]
Exato.
Isso é uma das coisas que nós tentamos muito fazer é:
se alguém nos diz um comentário assim um bocado questionável,
nós vemos: tipo, e porquê é que tu achas isso?

[Sky]
Claro.

[Alex]
E começamos assim a desconstruir isso daí.

[Alexandre]
Ya.

[Alex]
E tentar dizer: ok, mas isso está factualmente incorreto.
Agora, tem sempre as pessoas que não querem aprender,
mas essas daí não podemos fazer nada quanto ao assunto.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
Sabes que há um estudo,
acho que já tínhamos falado sobre isto até quando, não sei,
que há um estudo que eu tinha visto há uns tempos, que é bué fixe,
que foi um estudo que fizeram, há…
Já fizeram este estudo há 40 anos, há 30 anos, há 20 anos,
e o resultado é sempre o mesmo corroborado cientificamente,
que pessoas LGBTfóbicas têm problemas com o seu género ou a sua sexualidade.

[Sky]
Tipicamente, sim.
Porque, normalmente, eles oprimem-se a si próprios
e, como não se aceitam a si próprios,
põem o seu próprio ódio para outras pessoas.

[Alexandre]
Ya, porque é tipo: se eu não consigo ser livre,
tu também não podes ser.

[Sky]
Humhum. Ou, por exemplo, há uma teoria que é
que: a maior parte das pessoas que diz que ser Gay é uma escolha
é porque eles são Bi e escolheram ser hétero.

[Alexandre]
Alguns também são Gays e escolheram ser hétero.

[Sky]
Também.
Mas, tipicamente…

[Alexandre]
Sim.

[Sky]
…costuma haver a teoria de
“tu é que estás a escolher oprimir a parte de ti”.

[Alex]
Sim, e já vi muita gente online a dizer exatamente isso de
“Claro que é uma escolha.
Eu também gosto deste rapaz, eu escolhi ser hétero”.
E eu fico a olhar, tipo,
tu não tens a noção do que é ser, ou não.

[Sky]
Exato.

[Alex]
Claramente, isto é que muitas das pessoas que têm essas ações
provêm mesmo de falta de educação sobre o assunto.
Por isso é que também nós tentamos…

[Alexandre]
Sim, sim.
É um ponto de ignorância, tipo,
a pessoa não saber sobre o assunto e, ao mesmo tempo,
não saber sobre ela própria e reprimir-se a ela própria, lá está.

[Sky]
Ou sabe sobre ela própria, mas não quer admitir a si própria.

[Alexandre]
Sim, às vezes são muitas coisas, por exemplo,
temas que também já se falou aqui noutros episódios,
que, basicamente, as pessoas depois começam a internalizar coisas,
depois tens homofobias internalizadas, bifobias internalizadas,
e, por exemplo, em pessoas que são vistas como homens
ou pessoas que são homens ou percepcionadas socialmente como homens,
tendem a sentir-se desmasculinizadas ao assumirem atrações homoeróticas.

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
Pela forma como a sociedade funciona, não é, tipo…

[Sky]
Ya.

[Alexandre]
Porque uma mulher que se atraia por mulheres até, de certa forma,
acaba por ser desejável para a sociedade por fetichização, entre aspas.

[Sky]
Sim.

[Alexandre]
Mas um homem que se atrai por um homem é logo considerado menos homem.
Daí que Gay, muitas vezes, é usado como um insulto desmasculinizante.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
Apesar de não ser um insulto.

[Alex]
O que é extremamente interessante porque, historicamente…

[Alexandre]
É o oposto.

[Alex]
Exato, é o oposto.

[Sky]
Exato. Por exemplo, na altura romana entre homens era considerada mais válido,
do que entre homem e mulher.

[Alex]
Para, especificamente, a pessoa dominante.

[Alexandre]
Sim.

[Sky]
Também.

[Alexandre]
Sim, sim.
A pessoa que fosse passiva era mal vista.
Mas isso era no Império Romano.
Em Esparta não era assim.

[Sky]
Pois era.
Em Esparta era considerado igual.

[Alexandre]
Em Esparta era considerado igual.
Até era considerado muito mais honrado quem estava numa posição passiva,
do que quem estava numa posição ativa.

[Sky]
É!
O que não me surpreende. E a razão porque não me surpreende,
porque há muita gente que não sabe, cada zona, tanto de Roma como na Grécia,
tem o seu próprio deus ou deusa dedicado.

[Alexandre]
Sim.

[Sky]
E em Esparta era Vénus a deusa do amor.
E como tinham, digamos, uma mulher como a representação,
eles honravam mais.
Por exemplo, em Esparta era dos únicos sítios que a mulher era considerada
quase igual ao homem, tanto que se o homem a traísse,
ela tinha direito a cortar-lhe a cara para representar como ele tinha-lhe traído.

[Alexandre]
Ya.
E as mulheres tinham direito a representação e tinham direito…
Eram mulheres guerreiras.
Em Esparta era o único sítio que tinha mulheres guerreiras.

[Sky]
E não é só.
Tinham direito ao seu próprio…
A sua própria casa.

[Alexandre]
Sim, ao seu próprio sustento.

[Sky]
E propriedades e tudo.
Ironicamente era dos sítios mais…

[Alexandre]
Avançados?

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
Por assim dizer…

[Alex]
Eu sei que também existiu um exército na Antiguidade que basicamente foi,
sem ser derrotado durante imensos e imensos anos,
que era com, especificamente, a experiência de: todo o exército é Gay,
em relações uns com os outros.

[Sky]
Ya.

[Alexandre]
E por isso lutavam mais fortemente uns pelos outros por causa dessas relações
e por isso literalmente só foram undefeated [= invencíveis] durante anos.

[Sky]
Polyarmy. Interessante.

[Alexandre]
Ya.

[risos]

[Alexandre]
Mas em Esparta funcionava também dessa forma.

[Sky]
É. É.

[Alexandre]
Muitos guerreiros espartanos ‘tavam em relações com outros homens.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
Portanto, mesmo relações assumidas.
Aliás, já agora uma curiosidade, no Antigo Egipto já havia casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

[Sky]
Exato.
E ainda hoje em dia existe pelo menos um país em que até hoje em dia,
desde o início até hoje em dia, têm reconhecido pela lei pessoas de género Não-binário.

[Alexandre]
[Fica na] Ásia?

[Sky]
Exato, é a Tailândia.

[Alexandre]
Tailândia, ya!
Eu ‘tava-me a tentar lembrar porque…

[Sky]
Até são considerados uma pessoa muito espiritual.

[Alexandre]
Sim, sim.
É como, agora ’tou-me a esquecer do nome, mas também dum grupo,
lá está uma designação que se dá a umas pessoas também Não-binárias na Índia
que, antes da colonização
eram consideradas tipo quase como uns líderes espirituais.

[Sky]
Sim, sim! Ainda são.

[Alexandre]
E levavam-se as crianças a pessoas para as abençoarem.

[Sky]
É um grupo hindu, sim.
Sim.
Eu está-me a esquecer o nome específico que essas personalidades têm, mas é…

[Sky]
Ah, não me lembro isso.

[Alexandre]
Mais uma vez…

[Alex]
Eu também não me lembro.

[Alexandre]
Não, mas mais…

[Sky]
Mas sei exatamente o que ’tás a falar.

[Alexandre]
Mas mais uma vez é aquela coisa que se fala muitas das vezes
e precisamente estamos a falar de visibilidade:
as pessoas LGBT sempre existiram desde o início dos tempos.

[Sky]
Sempre existiram.

[Alex]
Sim.
Eu sei que vamos ter uma palestra pelo Manuel Oliveira,
do Queercionário e isso assim,
que ele normalmente…
Já fez uma conversa pra nós,
vai fazer uma palestra agora.
Ele normalmente faz muito desse contexto histórico e isso assim.
Incluindo…
Isso aí que tu falaste foi uma coisa que eu lembro-me de ele mencionar
na última palestra que ele fez.

[Alexandre]
Sim, porque imagina, é muito importante,
porque a história é interpretada muitas das vezes aos olhos de quem a está a escrever.
Para já, é sempre interpretada aos olhos de quem venceu.
Por exemplo, quando há guerras e conquistas é sempre interpretada aos olhos de “quem venceu”, entre aspas.
Por isso é que, por exemplo,
muito do racismo vem do colonialismo,
precisamente da forma como os colonizadores viam as pessoas que colonizaram.

[Sky]
Vem tudo do olho do opressor.

[Alexandre]
Exatamente.
Guerras e tudo isso.
E outra coisa, precisamente, da questão dos olhos da história.
Um dos exemplos mais conhecidos da antiguidade de pessoas Trans é o faraó Hatshepsut,
que sistematicamente é misgendered [= utilizado o género incorreto].
Desde que descobriram num túmulo qualquer que
“ah, meu Deus, esta pessoa que nós achávamos que era um homem tem vagina”,
passaram a chamar-lhe rainha.
Faraó já agora é um termo de género neutro.
E era precisamente a vivência mais antiga de uma pessoa Trans Bissexual.

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
Seria uma pessoa Trans-masculina, porque há sempre aquelas nuances
que não se consegue 100% dizer que seria um homem Trans.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
Portanto, sabia-se que era uma pessoa Trans masculina,
que tentava adotar postura, nomeadamente roupas para esconder o peito,
barba postiça, porque queria.

[Sky]
Mas a barba postiça no Egipto era muito comum.

[Alexandre]
Sim, mas neste caso era uma pessoa que usava a toda hora,
queria ser retratada a toda hora como se tivesse barba, mesmo não tendo barba.
E que ocultava o peito.
E que queria ser referida de forma masculina.
E precisamente aqui a questão da visibilidade, da representação.
Nós já falámos das nossas descobertas identitárias.
Não sei se queres falar, partilhar a tua connosco.

[Alex]
A minha é assim um bocado engraçada.
Na parte do Género-fluido, honestamente, eu atravessei várias coisas,
mas isso foi muito mais tarde na minha vida.
Foi já quando eu já era adulto.
Ou seja, nos últimos três ou quatro anos.
Eu passei por uma altura em que eu me identificava como Agénero,
entretanto passei para Género-fluido,
pelo simples motivo de:
eu nunca quis saber assim muito de como era tratado, em geral.
Qualquer pronome, não me queria saber.
Mas depois existe alturas específicas em que por algum motivo eu quero saber.
E tenho disforia um bocado para qualquer um dos lados.
E por causa disso é que eu acabei por “mudar” [a forma como me identifico] de Agénero para Género-fluido,
porque eu me apercebi: “ok, apesar de a maior parte do tempo eu não querer saber de todo
de como é que me tratam,
tem um ou outro dia específico que eu quero saber”.

[Alexandre]
Ok.

[Alex]
E é assim, interessante.

[Alexandre]
Situações específicas também ou só dias específicos? Por curiosidade.

[Alex]
Honestamente, não tenho certeza.

[risos]

[Alex]
Não consigo dizer com certeza.
Mas quanto à parte Bissexual, é muito mais engraçado.
Porquê? Porque eu…
A maneira que eu me lembro de perceber, tecnicamente,
foi quando eu tive um crush [= paixoneta] num rapaz, tipo, quando estava a começar a puberdade e isso assim…
Ok, isso daí é normal, ok.
Mas eu depois, mais tarde, ao pensar,
eu comecei a me lembrar de quando eu era mais novo.
E o facto que eu claramente já…
E até a minha irmã a contar-me histórias, a minha irmã mais velha,
de que eu claramente, tipo, quando era mais novo, a dizer:
“Ah, aquele rapaz é giro”.

[risos]

[Alex]
Porque na minha cabeça era perfeitamente normal,
porque aquilo que eu tinha sido ensinado é:
rapazes não mostram emoções.
E depois eu via as raparigas a dizerem umas às outras que eram giras
e a dizer que os rapazes eram giros.
Por isso na minha cabeça toda a gente era Bissexual.

[risos]

[Sky]
Adoro!!!

[risos]

[Alex]
A minha criança só viu o mundo do tipo:
ok, toda a gente é Bissexual, moving on [=seguindo em frente], isto é normal.

[risos]

[Alex]
E só esqueceu-se completamente do assunto.
Até muitos anos mais tarde,
que já tinha aprendido mais sobre a comunidade LGBT,
e processou quando teve um crush num rapaz tipo:
Oh, ok!

[risos]

[Sky]
Eu adoro porque foi ligeiramente parecido com o que aconteceu com a minha situação.
Sempre soube, sempre soube desde o início,
mas como fui criada num ambiente de “não interessa”,
porque os meus pais eram:
“Gostas de quem gostares?
Respeita-te, é o que interessa.
Trata-te bem, é o que interessa.”

[Alex]
A minha mãe também é assim.

[Sky]
Como me tratavam assim,
quando eu disse que queria ir à marcha pela primeira vez,
os meus pais basicamente perguntaram:
queres ir para apoiar ou porque fazes parte da comunidade?
E eu disse: faço parte da comunidade.
Ai és o quê? Bi.
Ah, ok!
E continuámos a ver televisão como se fosse nada.

[Alexandre]
Como se fosse um assunto normal, que é o que devia ser.

[Sky]
Sim!

[Alexandre]
Porque é um assunto normal.

[Alex]
Sim!

[Sky]
É!

[Alex]
Por acaso para mim, quando eu “saí do armário” para a minha família,
também foi uma experiência engraçada.
Pelo facto de, como eu já disse
as histórias de quando eu era mais novo,
eu já dizia “ai ai, aquele rapaz é giro”.
Ou seja, a experiência de eu dizer que era Bi foi:
“‘Pera tu gostas de raparigas?”

[risos às garagalhadas]

[Sky]
O oposto! Adoro!!

[risos às garagalhadas]

[Alex]
Foi literalmente o exato oposto.

[Sky]
Adoro!

[Alex]
Aquilo que a minha mãe pensava, já pensavam que eu era Gay.
E a minha mãe, várias vezes,
antes de eu alguma vez ter falado com ela sobre o assunto,
ela já me dava call out [= assinalava] extremo sobre eu gostava de rapazes.

[risos]

[Alexandre]
Eu conheço casos opostos de um dos meus melhores amigos,
ele é Gay, por acaso.
Durante imensos anos, eu e outras pessoas
suspeitávamos que ele era Bi.
Porquê? Porque víamos ele pôr fotos,
tipo, fotos não, pôr gostos em fotos,
tipo no Instagram e Facebook, em gajos,
tipo, todos traçados e bonitos e não sei quê.

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
Mas, ele também interagia com outros rapazes, como eu,
quando se falasse sobre raparigas.
Então tipo, quando nós falávamos,
então pensávamos: ah, é Bi.
Quando ele diz: não, olha,
sou Gay, tipo, ok.
Mas houve pessoas que já o conheciam, tipo, há anos,
inclusive família, que ficaram: oh

[suspiro]

[Alexandre, em tom irónico]
 como assim????

[risos às gargalhadas]

[Alexandre, em tom irónico]
 Este homem que nunca namorou com uma mulher!
Que sistematicamente está a por gosto em coisas de homens!

[suspiro]


[risos]

[Alex]
Imagina, é preciso ser muito tapado,
pelo menos para mim, ainda em criança:
eu sempre pensei que eu era daquelas pessoas de
“ah, ninguém nota assim”.
E depois eu olho para fotos antigas minhas,
e eu…

[risos às gargalhadas]

[Alexandre]
que a minha mãe tirou,
e eu não tinha a noção que tinha esse tipo de fotos,
mas eu, em criança, eu fazia umas poses.
Mas umas poses!
Tu olhas para a foto e ficas, tipo, esta pessoa não nasceu para ser hétero.

[risos às gargalhadas]

[Alexandre]
Olha, tu ’tás-me a lembrar, tipo, os meus pais ficaram muito surpreendidos,
especialmente a minha mãe, quando a minha irmã
“sai do armário” e se assume como pessoa Trans.
E eu pensar assim, what? [= O quê?]
Não, isto é o momento que mais sentido faz na minha vida.
Tipo, eu conheço-a desde sempre, eu sei as poses que ela fazia,
eu sei as brincadeiras que ela fazia.
Eu estava, óbvio, tipo, a falar assim,
mas eu usava uma bandeira como saia!
Eu estava pela casa a fazer que era uma princesa!

[risos às gargalhadas]

[Sky]
E como é que não sabiam?

[risos às gargalhadas]

[Alexandre]
Como é que não sabiam?
Aliás, eu em miúdo, até chegar para aí 9/10 anos, em que
foi a primeira vez que sofri de homofobia, não é?
Eu até aí, tipo, eu achava que…
E achava, não, tu podes gostar de quem tu quiseres.
Mas eu até a essa idade era um pouco como tu estavas a dizer,
era tipo, eu achava que qualquer pessoa podia ser bonita
e que um rapaz podia namorar com qualquer pessoa.
Que pode, não é!?
Até um dia perguntar a algum adulto, tipo, na escola e me dizerem,
que os rapazes só namoram com meninas!
E eu, tipo, ó, que tristeza!

[risos às gargalhadas]

[Sky]
Eu, por exemplo, só…

[Alexandre]
Que tristeza!

[Sky]
Por exemplo, eu só na primária,
é que depois, quando começaram a ensinar-nos a desenhar pela primeira vez,
é que disseram: “não, os meninos usam calças,
as meninas usam saia”. E eu estou, tipo, hã?!
Porque a minha vida toda pensei assim:
a pessoa usa o que quiser.

[Alexandre]
Ya!

[Alexandre]
Fazia-me boa confusão em miúdo essa cena, que é tipo:
“ah, os meninos têm que usar calças, os meninos não podem usar saia”,
mas depois, no carnaval, os meninos podiam usar saia.
Fazia-me boa confusão.

[Sky]
Exato!

[Alex]
Ainda por cima, eu andei em marchas, eu utilizei esse tipo de coisas,
e depois só tipo “não, não podes”,
mas literalmente puseram-me utilizar.

[Alexandre]
E depois, imagina, os meus pais são da área de letras,
então os meus pais são pessoas que são bué dadas a línguas, literaturas e história.
Então eu, desde o miúdo, já sabia, por exemplo, dos romanos, essas cenas todas,
e essa gente usavam túnicas, são literalmente vestidos!

[risos]

[Alex]
Sim! Eu também aprendi latim na escola e também ‘tava do tipo…

[Alexandre]
Os guerreiros romanos usavam, literalmente, uma saia!!

[risos]

[Sky]
Não, melhor ainda, eu viro-me pra a minha mãe:
“há pessoas que se chateiam a isso porque um homem usa saia”,
e eles viram-se: “Porquê? Porquê é que eles ‘tão-se a chatear?
Não… não são eles que estão a usar!”.
E depois viram-se: “ainda por cima, os escoceses usam kilts? É uma saia!”

[Alexandre]
Exatamente, é uma saia! Só que, não, não…
Quando diziam a pessoas que aquilo era uma saia:
“não, é um kilt!” É o mesmo nome, é a mesma coisa, é a mesma coisa!

[Sky]
Sabes a melhor parte é que não é essa parte que a minha mãe insiste, que é tipo
“ah, é uma saia!”. Não, é:
“um verdadeiro kilt não usa cuecas!”.

[risos]

[Sky]
Ela insiste “pra ser um kilt tem de não usar cuecas!”

[Alexandre]
Yaa! Isso é o que me diziam sempre quando eu digo que quero ir à Escócia e comprar um kilt e
diziam “mas tens de estar sem cuecas!”. E eu disse “’tá bem,
mas eu não disse que isso era um problema!”.

[risos]

[Alexandre]
Mas se estiver muito frio é que é capaz de ser chato, tipo!

[Sky]
Não, o que eu acho graça é que ela insiste!

[Alex]
Se ‘tiver frio, porque é que ’tás a utilizar um kilt e não coisas quentes?

[Sky]
E, logicamente, existe kilts de inverno!

[Alexandre]
Ya!

[Alex]
Utilizar kilt de inverno, quando não podes usar nada por baixo, é algo interessante!

[Sky]
São extra compridos e a parte de trás, levantas, podes pôr por cima como se fosse um capuz!

[Alexandre]
Mas sem ficar a parte de baixo à mostra, certo?

[Sky]
Sim!

[risos]

[Alexandre]
É que o que eu pensei no momento era…

[Sky]
Não.

[risos]

[Alex a rir]
Eu também pensei durante um bocado, eu estava muito confuso!

[risos]

[Sky]
Porque, por exemplo, existem até kilts para mulheres, que na altura do trabalho,
que era até aos pés, e embrulhava-se até acima para poder proteger a criança que ‘tava ali nas costas,

[Alexandre]
Ok…

[Sky]
para se taparem durante o inverno e tudo!

[Alexandre]
Isso é bué ingenious [= engenhoso], faz muito sentido!

[Alex]
Sim, é bastante interessante.

[Sky]
Sim, porque é basicamente o quilte e depois tem, tipo, uma segunda camada!

[Alexandre]
Lá está, tipo, roupa é, tipo, literalmente, quando as pessoas falam, tipo,
minha gente, roupa é uma invenção humana!
Roupa a gente usa como quiser!
É como a cena do azul e do rosa que a gente já falou,
de que antes o azul era a cor de menina porque era uma cor muito clara e frágil,
e o rosa era uma cor de homem porque era uma cor rubra e forte e não sei quê!

[Sky]
E ousada!…

[Alexandre]
Ya, tipo, loucura!

[Sky]
Mas, pois, acho que foi nos anos 20, só porque,
acho que era a Jackie Kennedy,
adorava tanto rosa que depois começaram a imitá-la e mudaram tudo!

[Alexandre]
Ya!
A mesma coisa com os brincos e anéis que sempre foram coisas tanto de homem como de mulher!

[Sky]
Os saltos eram de homens para ir andar de cavalo!

[Alexandre]
Ya, foram inventados na Pérsia, se não me engano!

[Sky]
Acho que sim!

[Alexandre]
Para andar melhor a cavalo, para prender no estribo. Acho que é estribo aquilo que se chama.

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
Ya.
E, pois, eram usados na França para, tipo, ficares mais alto!

[Sky]
Sim!

[Alexandre]
E wigs [= perucas] e make-up [= maquilhagem], basicamente, os reis franceses eram autênticas Drag Queens!

[risadas]

[Sky]
Ya!

[Alex]
Sim!

[Alexandre]
E, no entanto, aquilo era o auge da masculinidade!

[Sky]
E há pessoas que podem argumentar que os juízes, hoje em dia, ainda são porque ‘tão
de vestido com peruca!

[risos]

[Alex]
Gostei dessa interpretação!

[Alexandre]
I mean [= Quer dizer], não é?
Qual é a grande diferença?
Não é?! Só falta usarem make-up [= maquilhagem]!
E, se calhar, alguns usam!

[Sky]
Se forem para a televisão têm de usar!
Todos têm de usar maquilhagem na televisão!

[Alexandre]
E ’tá tudo bem!
Tipo, make-up [= maquilhagem] sempre foi uma cena usada por toda a gente!

[Sky]
Porque eu cheguei a ‘tar na televisão,
e ’távamos com um grupo de oitenta pessoas…
E os homens, assim:
Porquê é que eu tenho de usar maquilhagem?
Porque se tu suares ficas com a cara como um holofote!
Precisas de pó!

[Alexandre]
Ya…

[Sky]
Vais usar maquilhagem!
Não há argumento!
E eles: Ok…

[Alex]
Também tem muita gente, quando pensa em
homens a utilizar maquilhagem, têm o primeiro pensamento de aquelas maquiagens super,
tipo, extremas, de chamativas!
Quando maquilhagem não precisa ser isso!

[Sky]
Não!

[Alex]
Tem tipo bué maquilhagem, tipo, subtil, que tu podes só meter
e ninguém nota que tu meteste!

[Sky]
E a melhor parte é que, principalmente pessoas que não sabem trabalhar com maquilhagem,
pensam que maquilhagem subtil é a que dá menos trabalho…

[Alexandre]
É literalmente a que dá mais trabalho.

[Sky]
Enquanto é a que dá mais trabalho e a que usa mais produtos!

[Alex]
Porque tens de ser realista!
E depois é muito mais complicado!

[Sky]
Usa mais produtos!
E usa mais produtos!

[Alex]
Sim, acredito!
Eu não sei assim…

[Sky]
Por exemplo, na maquilhagem gótica usamos, tipo, dois produtos!
E pensam que é a coisa com mais maquilhagem de tudo!
E eu estou tipo:
querido, nós usamos branco na cara e depois usamos eyeliner [= delineador] pra tudo!
Mais nada!
Nós usamos dois produtos se quisermos!

[Alexandre]
Ya.

[Sky]
Isso é o tradicional!
Há pessoas que agora usam mais, para ser melhor pra a pele,
porque eyeliner [= delineador] nos lábios não é exatamente o melhor!

[Alexandre]
Claro…

[Sky]
Mas, literalmente podemos usar isso!
Mas pensam:
ah, é tentar maquilhagem!
Mas depois vêem uma celebridade que tem, por exemplo, cinco camadas de maquilhagem,
mas é tudo muito subtil,
de propósito para parecer a pele mais uniforme,
e etc.
E pensam assim:
ah, não ’tá a usar maquilhagem!

[risadas]

[Alex]
É daí que também vem a coisa toda de:
ah, eu gosto das pessoas sem maquilhagem!
E depois aparece uma pessoa sem maquilhagem à frente e fica tipo:
não assim!

[risos]

[Alexandre]
Sim, é tipo:
“Eu amo-te com todos os teus defeitos!”,
mas depois a pessoa mostra os defeitos e a pessoa foge!
Mas não, ’tou a brincar!

[Sky]
Sim, mas depois há outras situações que eu adoro,
que é: casais que é tipo:
“Adoro-te com todos os teus defeitos!”
e depois vê a pessoa quando ’tá na posição mais vulnerável,
cabelo despenteado, sem maquilhagem e tudo,
e dizer-lhe:
“Ah, estás tão bonito!”.

[Alexandre]
Yaaa!

[Sky]
Adoro!
Adoro!

[Alex]
That’s very wholesome! [= Isso é bué saudável!]

[Alexandre]
E é bem fofo!

[Alex]
Eu digo: a pessoa que me faz isso tá ali!

[Sky]
Eu tenho muito orgulho de ‘tar nesse tipo de situação!

[Alexandre]
‘Tá ali o teu parceiro!

[Alex]
Sim!

[Alexandre]
Olha, nem ’tá a ouvir, nem ’tá atento!

[Alex]
Sim!
Claramente ’tá distraído!

[risadas]

[Alex]
‘Tá a trabalhar!
Deixa-o estar!

[Alexandre]
Sim!

[Sky]
Mas tenho muito orgulho de ‘tar numa situação dessas!
Mesmo depois de quase 13 anos juntos,
mesmo assim continuo a ter a situação de começar a corar quando recebo mensagens!

[Alexandre]
Ya, isso é… É muito…

[Sky]
Porque há os casais que ainda, depois desses anos todos,
ainda têm essas situações!

[Alexandre]
Isso acho que é o que vale a pena numa relação!
É esse tipo de amor, sabes?

[Sky]
Humhum!

[Alex]
Sim!

[Alexandre]
Porque isso demonstra realmente o compromisso!
Aproveitando então esta onda que ’távamos a ter aqui de visibilidade
e de que as pessoas sempre existiram e tudo isso,
há um tema que é recente e que eu e o Seca já tínhamos falado
antes de… quando ’távamos ali a montar a banca.
Esta questão, e quem está aqui presente já deve ter ouvido obviamente,
porque já está a ser divulgado também pelos meios noticiais Queer e as instituições Queer,
de que neste momento o PSD e o CDS se uniram ao partido Chega
para revogar os direitos das pessoas Trans e Não-binárias!

[Sky]
Na autodeterminação de género!

[Alexandre e Alex]
Sim, exato!

[Alex]
Revogar especificamente a lei de 2018 da autodeterminação de género!

[Sky]
O que é extremamente chato, especialmente para alguém que ‘tava a fazer as marchas
desde antes disso e um dos meus orgulhos foi ter feito a marcha
e ter conseguido esse direito!
E saber que fiz história num lado bom para o meu país!
Era um dos meus maiores orgulhos!
Agora ‘tar a ver eles a mudarem isso, eu estou tipo:
“Opa!
Nós fizemos tanto progresso!”…

[Alexandre]
E de certo ponto foi um progresso que ficou incompleto também
por aquilo que falávamos agora de manhã de não ter sido ainda nunca voltado
a ser aprovada a lista para nomes neutros
e para a introdução do género Não-binário
nas possibilidades também…

[Sky]
O género Não-binário nunca foi posto em questão, infelizmente,
mesmo existindo como aprovado na União Europeia
e permitir a todos os países implementarem, se quiserem,
só alguns países é que têm o X como opção.
Mas quanto aos nomes neutros,
eles queriam unir as duas listas para uma só lista
e implementar nomes como Alex,
em vez de ser uma versão curta de Alexandra ou Alexandra,
ser o seu próprio só nome único,
como nome neutro de hipótese.
E conseguiu passar à aprovação,
mas depois o antigo Presidente da República vetou.

[Alexandre]
Ya…

[Sky]
O que foi bastante chato, porque há pessoas Não-binárias,
eu sou um exemplo,
que têm o nome na lista oposta,
mas não querem mudar o género
devido às questões de saúde que envolvem,
porque infelizmente, para quem não sabe,
no Serviço Nacional de Saúde
para quem nasceu de sexo feminino
se mudar para o sexo masculino
já não é chamado para testes de ginecologia,
o que é um grande perigo para a saúde,
devido ao cancro do colo útero.
E nem toda a gente tem o dinheiro para ir
ao ginecologista privado,
por isso não ser chamado é um perigo pra a saúde.
Por isso, ter a opção de ter o nome da outra lista,
sem ter de mudar o género,
mesmo que tivéssemos de pagar,
há muita gente que estaria disposta
a poupar e depois pagar
para fazer a mudança de nome sem mudança de género,
faria com que pudéssemos ter um nome legal
que nos…

[Alexandre]
represente?

[Sky]
Que represente
e que é com a nossa identidade,
sem ter de nos preocupar com o risco de saúde.

[Alexandre]
Sim.

[Sky]
Só que não sei se foi a escolha deles
simplesmente esperar pelo próximo Presidente
e voltar a tentar a lei,
para não ser vetado de novo, não sei…

[Alexandre]
Porque, entretanto, a Assembleia também houve eleições legislativas e tudo isso…

[Sky]
Exato.
Não sei se foi essa a ideia,
ou se simplesmente desistiram da ideia.

[Alexandre]
Provável…

[Sky]
É que se fossem simplesmente esperar por
um novo Presidente da República
e vão tentar,
tudo bem…
Agora…
‘tar a desistir é um bocado desapontante.

[Alexandre]
Sim e isto é um assunto que afeta muito da comunidade,
porque as pessoas Trans representam
uma parte grande da comunidade
e a auto-determinação é importante.
E porque depois também é importante falarmos nisto aqui,
porque a maioria das pessoas Trans
identifica-se como Bi, Pan
ou outras identidades não-monossexuais,
portanto isto não afeta só pessoas Trans,
também vai afetar pessoas que além de serem Trans
e Não-binárias são Bis, são Pans.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
Daí que é importante trazermos este assunto.

[Alexandre, para o Alex]
Não sei se queres acrescentar alguma coisa neste tópico?

[Alex]
Honestamente, tudo aquilo que eu poderia dizer já foi dito.

[Alexandre]
Então, passamos para o outro tema muito
giro que temos para este podcast,
que era falarmos sobre
Heated Rivalry…

[Sky]
Eu lembro-me de ter sido
falado da série
Heated Rivalry
e quando me disseram que era do hóquei
eu não queria saber, para dizer a verdade,
porque eu não sou pessoa de ver
séries envolvidas com desporto.

[Alexandre]
Ok.

[Sky]
Mas quando alguém fez o review e disse
“fiquei desapontado que tem tão pouco hóquei”,
eu pensei:
ok, se calhar vou dar uma oportunidade.

[risos]

[Alexandre]
sim, eu pensei assim
“ei… isto, é uma série de desporto”,
também pensei que não ia gostar.
Ao mesmo tempo,
foi uma pessoa que assiste o podcast
e que há de ser convidada no futuro,
e que até poderá ser um futuro co-apresentador
nunca se sabe,
que me disse para ir ver
porque tinha uma personagem Bi
e tinha um ator Bi.

[Sky]
Sim.

[Alexandre]
E eu: huu ok, vamos ver por isso,
pode ser interessante.
Primeiro episódio:
eu senti que estava a ver um filme pornográfico.

[risos]

[Alex]
Um bocado!

[Sky]
Um bocadinho.

[Alexandre]
O segundo episódio: a mesma coisa!

[risos]

[Alex]
Sim.

[Sky]
Exato!

[Alex]
O terceiro episódio é que mudou a situação…

[Alexandre]
O terceiro episódio é que introduzem o,
acho que é o terceiro que introduzem o romance…

[Alex]
O Scott e o Kip

[Alexandre]
…do Scott e do…?

[Alex]
Kip

[Alexandre]
do Kip.
Eu já ia dizer Kit.
Do Kip…
E ok, ’tá mais calminho…

[Alex]
Ki é outra série, doutra personagem
com o ator doutra personagem Bissexual.

[Alexandre]
Eu sei, eu sei…
É muitos homens bis na minha cabeça.

[risos]

[Sky]
Honestamente eu adorei,
porque a relação deles era tão wholesome [= saudável, fofinha] ao início!!

[Alexandre]
Tão fofinho, tipo, oh meu deus!

[Alex]
Eu peço desculpa,
eu peço desculpa para os personagens principais,
eu gosto muito mais do Scott e do Kip.

[risos]


[Sky]
Eu também!

[Alexandre]
Imagina, eu adoro o romance deles.

[Sky]
E é menos tóxico.

[Alexandre e Alex]
sim!!

[Alexandre]
Eu adoro o romance deles.
Tipo, o facto, a forma como eles se conhecem
é super fofinha

[Sky]
Humhum!

[Alexandre]
A forma como cada um deles ’tá a quebrar
estigmas e medos que têm.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
E depois a forma como se assumem.

[Sky]
O Scott depois
mesmo dentro da sua própria carreira,
porque isso é o mais preocupante, não é?!
Porque muitos só
“saem fora do armário”
após terminar a carreira,
pra não ser prejudicados.

[Alex]
Sim!

[Alexandre]
Que era o que ele também queria inicialmente.

[Sky]
E é o que ’tá planeado pra o casal principal no final.

[Alex]
Temos de nos lembrar que no contexto da série…
No contexto da série,
o Scott é o primeiro
player [= jogador] de hóquei a “sair do armário”.

[Sky]
Abertamente, durante a carreira.

[Alex]
Abertamente, exato, durante a carreira.
Ou seja,
é o primeiro de todos.

[Sky]
Exato!

[Alexandre]
Sim, na história
Não sei se o Zach Sullivan,
que é um jogador de hóquei Bissexual,
não se assumiu primeiro em contexto…
Ou seja,
a série foi escrita antes disso,
provavelmente.

[Alex]
Sim.

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
Não sei em que ano é que ele se assumiu,
mas é um jogador de hóquei
no gelo Bissexual.

[Sky]
Sim.
Mas…
É porque
hóquei no gelo sempre foi considerado
um desporto tão masculino,
que há muito machismo
e há muita homofobia dentro do próprio desporto.
Praticamente qualquer desporto de inverno,
excepto o hóquei,
costuma haver atletas
abertos e ninguém questiona.
Mas o hóquei foi simples exceção.

[Alex]
sim.
Acho que também deve ter a ver com a “brutalidade”
entre muitas aspas dele.

[Sky]
É!

[Alexandre]
Ya, ya!

[Alex]
E por isso assumem masculino no extremo.

[Alexandre]
Sim.

[Alex]
Por algum motivo.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
Mas e… ‘Távamos a falar do romance,
precisamente, do Scott e do Kip,
eu acho super fofinho
e a assunção no final é tipo
é uma coisa que é importante falar,
porque nem todas as pessoas que são famosas
conseguem fazer isso,
porque é…
uma coisa que já se falou até noutros episódios aqui,
que é questões de carreira
e depois é a luta entre ser visível
e manter carreira.

[Sky]
Ya!

[Alex]
Sim.

[Alexandre]
E é uma coisa que é difícil
e, lá está tipo,
há muitos desportistas que se acabam por assumir
um caso exemplo deles
é o Ryan Russell,
que ele é um atleta Bissexual
estadunidense.
Ele usou isso para se empoderar.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
E, hoje em dia, é uma pessoa que faz,
que luta imenso pela visibilidade de pessoas Bissexuais.
Ele ’tá ativamente envolvido numa organização internacional
que é o Bi.org .
Mas nem todas as pessoas conseguem muitas das vezes ‘tar no
no ponto de vida.
no ponto emocional.
para fazer isso.
E o ser famoso tem uma carga enorme
e eu acho que isso está muito bem retratado.

[Alex]
Sim tem.

[Sky]
Sim.

[Alexandre]
Já agora, o ator que faz de Scott
ele é Bissexual.

[Sky e Alex]
Ok!

[Sky]
Mas eu noto muito que, especialmente,
no mundo das artes é muito mais
aceite,
por isso ser um ator Bi
não acho tão surpreendente,
comparado com um atleta.

[Alexandre]
Sim, sim, sim!

[Alex]
Como a própria Rose disse:
“eu andei na escola de teatro,

[Alexandre]
sim, mas é isso…

[Sky]
Até digo: se calhar é mais do que 70%!

[Alex]
Ela depois corrigiu por 80%.

[risos]

[Alexandre]
sim, porque lá está,
porque imagina
o mundo das artes
por alguma razão
é visto como algo em que
um homem que está nas artes
de certeza que não é hétero.
É sistematicamente é esse estereótipo.

[Sky]
É!

[Alexandre]
Especialmente teatro.

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
E enquanto que o desporto é visto
como uma cena super masculina.
Enquanto que a arte não é vista
como uma cena super masculina.
Então tipo acaba por haver essa…

[Sky]
Na arte, eu tipicamente considero… faço o oposto
que a sociedade faz:
eu assumo que toda a gente é Queer
a não ser que me digam o contrário.

[Alexandre]
Ah! Eu faço isso em geral, ainda
no outro dia no trabalho
qualquer coisa que ’távamos a falar,
disse “não eu assumo sempre
que as pessoas são Bis até prova em contrário”.

[risos]

[Alexandre]
70% a 80% das pessoas são Bissexuais,
de acordo com a ciência.
Portanto para mim que as pessoas
são todas Bis até prova em contrário.
Até a pessoa me dizer
“não eu não sou Bi”.

[Alex]
Válido!

[Sky]
É que, especialmente como uma pessoa que
é originalmente das artes
e depois foi para STEM,
que para quem não sabe é
“ciência, tecnologia, engenharia e medicina”,
porque eu quero incorporar as duas:
arte e tecnologia,
Por isso é que eu gosto muito especialmente
de trabalhar em videojogos
ou websites,
especialmente na parte visual,
que aí posso incorporar os dois.
Eu fui dum mundo em que
ser Queer é um standard [= padrão]
para ter um mundo que
eu se calhar tenho que ficar calada,
porque senão pode haver problemas.

[Alexandre]
E pode haver perda de oportunidades até,
tal e qual como numa pessoa,
lá está, famosa…
Haver essa visibilidade pode trazer
perda de oportunidades…

[Sky]
É assim, eu sei que é um risco que eu faço,
mas eu ponho os meus pronomes neutros
no meu CV.
Eu sei que é um risco
‘tar uma pessoa aberta com
pronomes neutros no CV
e ter,
para além do meu nome legal,
ter o meu nome próprio
que eu escolhi para mim própria
entre aspas no meio,
porque assim
se olharem para um papel legal meu
não se surpreendem,
mas ao mesmo tempo
tratam-me pelo nome que eu prefiro.
Eu sei que ao pôr isto
ponho-me em risco,
mas ao mesmo tempo
assim sei que
se conseguir o trabalho
eu posso ser eu própria desde o início.

[Alexandre]
Humhum!

[Sky]
E, para mim, isso faz uma grande diferença

[Alexandre]
Sim, sim!
Eu acho que isso é bué importante
e acho que essas cenas são bué de louvar.
Eu por exemplo falo disso:
a primeira… a empresa em que eu trabalho atualmente,
quando eu fui precisamente fazer a parte de inscrição
já depois das entrevistas,
tipo,
foi a primeira empresa em que me perguntavam
“por que nome queres ser tratado”,
“quais os pronomes que devemos utilizar
para nos referir a ti”
e tinhas lá tipo a opção
para escrever os teus próprios pronomes.

[Sky]
Eu tinha assim isso numa empresa,
que fiquei por acaso surpreendida,
era uma empresa japonesa
posso até dizer qual,
porque eles deviam ser louvados
por ter essa opção nas inscrições,
que é a Hitachi,
que é uma empresa muito conhecida na tecnologia.
Eles tinham lá nas inscrições
“qual é o nome que prefere ser…”

[Alexandre]
ser tratado?

[Sky]
Ser tratado.
E eu,
honestamente, quase deu-me vontade de chorar
porque era a primeira vez,
de tantos anos a inscrever-me em trabalhos,
que alguma vez tinha visto isso.

[Alexandre]
A minha empresa tem uma formação obrigatória
para qualquer pessoa que entre
que é sobre pronomes
e respeitar os pronomes das outras pessoas.

[Sky]
Adoro!!

[Alexandre]
E igualdade de género.
Ya!
E não dá para dar skip [= saltar o conteúdo]
quando ’tás a fazer a formação.
Não dá pra dar skip aos slides.

[risos]

[Sky]
Adoooroooo!!!

[Alexandre]
ya!

[Sky]
Honestamente,
contratem-me,
que eu adorava incluir nos slides
acessibilidade e respeito de pessoas com deficiências.

[Alexandre]
Temos que fazer isso,
temos que fazer isso.
Mas ainda continuando
em Heated Rivalry,
porque há muito mais para falar, né?…

[Sky]
Sim.

[Alexandre]
Lá está,
tipo,
eu vou ser sincero,
até praticamente o último episódio
em que
o Shane
se assume como Gay,
eu achava que eles eram os dois Bis.

[Alex]
Sim, só quando… só na altura…

[Sky]
Ya!!
Eu também achava mesmo até ao final
que eram os dois bis.

[Alexandre]
Primeiro porque é assim:
o facto dele ter tido uma má experiência
romântica e sexual
com a…
Esqueci-me do nome dela…

[Alex]
A rose?

[Alexandre]
…com a rose,
não faz dele menos Bi…
não faria menos dele Bissexual, se o fosse.

[Sky]
Exato!

[Alex]
Sim!

[Alexandre]
Tipo uma má experiência sexual
ou o facto das coisas não correrem bem,
lá está, tipo…
Ele próprio diz-lhe que
prefere ser a pessoa que está numa posição passiva
do que numa posição ativa.
Um homem pode estar numa relação com uma mulher e assumir
uma posição passiva.

[Sky]
Exato!

[Alexandre]
Ou uma posição submissa.
e ’tá tudo bem com isso.
Portanto, uma má experiência sexual,
ou uma má experiência romântica,
não definem a sexualidade de ninguém.

[Sky]
Claro!

[Alex]
Humhum!

[Alexandre]
Mas quando ele faz esse trabalho,
e depois no final ele diz
“ah, não, eu sou Gay. Eu definitivamente sou Gay”.

[Sky]
O exemplo duma situação dessas
que eu,
é ainda…
Já que passámos recentemente o Dia Internacional da Mulher,
por isso é que eu vou mencionar,
temos um exemplo dum
filme de Hollywood muito conhecido,
que é o Deadpool,
em que o meme é que ele
pôs-se numa posição passiva no Dia Internacional das Mulheres.

[Alexandre]
Sim eu vi isso no cinema!

[Sky]
É pegged pela namorada.

[Alexandre]
Ya! E eu é… Sinceramente,
devia haver mais homens que estariam dispostos a experimentar,
porque acho que há mais que iam gostar, se experimentassem.

[Alexandre]
Também se eu me recordo o deadpool é Bi/Pan?

[Sky]
Pan!

[Alex]
É Pan.
E é Pan e Gender-fluid [= Género-fluido].
Pois, lá está,
é uma pessoa que está bastante…
fez uma bastante autodescoberta
e é bastante mente aberta, não é?

[Sky]
E neste momento é… ’tá abertamente
a namorar uma pessoa Não-binária.

[Alexandre]
Pronto. Mas é isso…

[Alex]
Quem é que é, já agora?

[Sky]
Qualquer coisa Valentine.
É uma pessoa
do Vietname.

[Alex]
Ok!

[Alexandre]
Emtão já estamos a falar de uma personagem que há de ser bastante
desenvolvida mentalmente,
mente aberta,
tudo isso.
E a maioria dos homens…

[Sky]
E o ator disse que queria mais representação Bi
do Deadpool nos filmes.

[Alexandre]
Sim.
Mas ainda falando
na série.
Por acaso,
no final eu acho bué fofinho
a forma como eles estão os dois,
porque no inicio eu achava bué tóxico
ao mesmo tempo parecia bué filme porno.

[Alex]
Sim! Sim.

[Sky]
É!
Mas era tóxico,
vamos dizer era,
mas ao mesmo tempo
porque nenhum deles queria
se assumir,
e nem sequer assumiam os sentimentos um para o outro.

[Alex]
Sim!

[Alexandre]
Sim, sim.
E eu acho que temos depois duas realidades
que é:
o Shane não sabia da sua sexualidade.
Dava para ver que ele nunca
se tinha focado nisso.

[Sky]
Exato!

[Alexandre]
O foco dele sempre foi
carreira carreira carreira carreira.

[Sky]
Exato!

[Alex]
Sim!

[Alexandre]
Nunca tinha tido tempo para isso.
E, por outro lado,
o Ilya,
russo,
vem dum ambiente extremamente conservador
e ficamos a saber depois ao longo dos episódios
pelo contexto que a família dele tem…

[Sky]
Sabia!

[Alexandre]
Exato.

[Alexandre]
A família dele ser…

[Sky]
E tratava-lhe mal por isso.

[Alexandre]
Sim, o irmão.
O irmão sabia,
ou pelo menos dá uma ideia que sabia…

[Sky]
Sabia!

[Alex]
Sabia, porque ele o trata por certas palavras
que eu não quero dizer.

[Alexandre]
Sim, sim!

[Sky]
Usava slurs [= palavrões].

[Alexandre]
Sim
e chantageava.
O pai não sabia,
mas sabia-se que o pai era uma pessoa muito importante
a nível…

[Sky]
Político.

[Alexandre]
…político lá na Rússia.
E o irmão era polícia.
Ou seja, havia todo um contexto
e ele ia sistematicamente à Rússia.
E há todo esse contexto,
mas sabemos que ele para ele próprio,
de certa forma,
isso era totalmente ok.
O problema era
pra fora.

[Sky]
Exato!

[Alexandre]
E a dificuldade que disso advia:
o problema dele não era só carreira
era
família,
nunca mais poder voltar à Rússia na vida dele.

[Sky]
Exato.
Mas ele também só fazia isso
por causa do pai.
No momento que o pai faleceu
ele soube que:
“vou mandar dinheiro para apoiar
a minha sobrinha”,
mas não quer mais saber
do irmão.

[Alexandre]
Ya!

[Sky]
Que honestamente…

[Alex]
Eu acho válido.

[Alexandre]
Também
a cena do Scott assumir-se tipo no estádio,
eu acho que também mexeu bué com ele,
porque ele naquele momento
eu lembro que ele tá a ver o jogo
e tá tipo a ver aquilo
e fica tipo: ah!

[suspiro]

[Alexandre]
Foi tipo ganda…

[Alex]
Por isso daí a coisa de
ele antes ‘tava bué
a não querer fazer nada com o Shane,
antes disso.

[Alexandre]
Ya, a cena de ir para a cabana.

[Alex]
E depois quando isso aconteceu
é que o convenceu:
“Ok. I can, I can do it!”.

[Sky]
E há uma parte
que mexeu muito comigo
foi:
num momento
que o Shane pede ao Ilya
para lhe dizer tudo o que pensa,
mesmo que ele não compreenda em russo,
e ver a tradução de tudo o que ele diz…

[Alexandre]
Eu chorei.

[Alex]
Sim!

[Sky]
Opah!

[Alexandre]
Eu chorei nesse momento.

[Alex]
Porque ele ’tá,
basicamente,
a abrir-lhe a alma pra ele
e ele não percebe nada do que tá a dizer.
E eu ’tou tipo:
quem me dera que tu percebesse tudo o que ele disse!

[Alexandre]
Ya! Porque ele termina a dizer qualquer coisa do género
tipo que só está tipo com outras pessoas
porque não consegue tipo assumir o facto
que só quer estar com ele e o ama.

[Sky]
E disse que o amava!

[Alex]
Sim, sim!

[Alexandre]
Ya!

[Sky]
Tudo em russo
e eu ’tou tipo…

[Alexandre]
Tão lindo!
A

[ALEX]
ssa conversa inteira foi tão awesome [= espetacular] e, ao mesmo tempo, tão deprimente!

[Sky]
Eu tenho um headcanon [= interpretação pessoal]
que era:
o Shane tinha aprendido russo em segredo
e não dizia nada
e podia perceber tudo!

[risos]

[Alex]
Não…
Não sei se te lembras,
ele reconheceu certas palavras…
Ele reconhecia certas palavras em russo
noutras conversas…

[Sky]
Que era o pai, por exemplo.

[Alex]
Sim!
Por isso, ele, tecnicamente é possível
que ele tenha reconhecido parte da conversa
dele mesmo.

[Sky]
Exato!
Daí o meu pensamento era:
diz como se,
mesmo que eu não perceba,
e na volta ele percebia tudo
e ’tá simplesmente
a internalizar tudo o que ele ’tá a dizer.
E eu ’tou tipo:
imagina isso ser revelado no futuro!

[Alexandre]
A única coisa que eu tenho a dizer da série,
que foi uma coisa que eu vi também numa review [= comentário], é
eu gostava que o Ilya,
quando está a falar da sua sexualidade,
dissesse explicitamente
“eu sou Bissexual”,
porque as palavras importam.
O Shane diz que é Gay,
não diz simplesmente
que gosta de homens.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
E isso é importante.
Porque nunca é…
Nunca é dito explicitamente.
É tipo,
nós sabemos que ele é Bi,
porque vemos as interações.

[Sky]
Sim, mas ao mesmo tempo
pode ser Pan
e ele não ’tá a utilizar a expressão.

[Alexandre]
Também.
Ou seja,
mas que ele assumisse a identidade dele.

[Sky]
Exato!

[Alexandre]
Acho que seria interessante
para a visibilidade de pessoas Bi ou Pan,
porque o que acontece
sistematicamente
quando são retratadas pessoas
não-monossexuais,
sejam pessoas dentro do Bi+,
do arco-íris…
(Do arco-íris?!)
…do guarda-chuva Bi+,
sistematicamente
fica
aos olhos de quem está a ver
determinar a sexualidade da pessoa.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
Nunca dizem explicitamente.
Ou seja,
como as outras pessoas.
Nunca dizem
“eu sou Bi”,
“eu sou Pan”,
“eu sou Omni”…
Nunca.

[Alex]
Por um lado eu concordo,
por outro lado
também tem de se pensar
que também tem o facto
de ter várias pessoas
que têm ansiedade
com dar um label [= rótulo] à coisa.

[Sky]
E não é só isso,
ele pode nem sequer saber
os labels [= rótulos] devido a ter sido criado na Rússia,
onde não há muita representação
nem conhecimento LGBT.

[Alexandre e Alex]
Sim.

[Sky]
Por isso, ele pode só saber
“eu gosto disto,
eu gosto daquilo,
eu não quero saber do resto”.

[Alexandre]
Sim, mas acho que
podia ser uma coisa
que podia ser mais retratada
para nós termos essa ideia
e não cair no erro…

[Sky]
Mas existe um livro,
essa é a questão.
Será que o livro
tem mais informação?

[Alexandre]
É isso!
‘Tou curioso por isso,
porque muitas vezes
em televisão
isto é deixado
assim que é para
não se dizer
a sexualidade explícita da pessoa.

[Sky]
Mas também pode ser
porque ele não sabe ou não quer.

[Alexandre]
Sim.

[Sky]
Há pessoas que não gostam de pôr labels [=rótulos].

[Alexandre]
Sim. Eu tenho curiosidade para saber isso.

[Alex]
Sim.
E pronto, e depois
o drama da série,
que para mim se resume
àquele meme
que é eu vejo Heated Rivalry
pelo drama. O drama,
e depois é o Ilya
só de boxers

[Sky]
Ya!

[Alex]
Ya!

[risos]

[Alex]
Honestamente.

[Alexandre]
O Shane
também é muito giro
e o Scott também

[Sky]
Mas eu gostei mais…

[Alex]
Ok, I like all of them! [= Eu gosto deles todos]

[Sky]
O primeiro episódio
que eu vi
foi outra pessoa
a ver o episódio,
porque foi assim
que eu…

[Alexandre]
Ah ok! Que ficaste a conhecer?

[Sky]
que fiquei a conhecer

[Alex]
Eu fique a conhecer
através de 5 mil spoilers! [= revelações]

[Sky]
E eu adorei!
É que a reação
da pessoa que foi… porque eu nem sequer ‘tava
a prestar atenção
muito ao ecrã
e simplesmente
‘tava muito bem
a fazer crochê
e de repente só oiço
a pessoa a gritar
“oh my god that ass!” [= Oh meu deus aquele rabo!].
E eu fiquei:
o que é que se passa??

[risos]

[Alex]
Sim.

[Sky]
Mas vou dizer a verdade:
o Ilya tem um hot cu [= cu gostoso]

[Alexandre]
Siiim!!

[Sky]
Meu deus!!

[Alexandre]
Quando eu vejo a cena
de sexo eu vejo assim:
oh meu deus!
O que é isto??

[Sky]
Porque o Shane…

[Alex]
E tem alturas em que eles se mostram com o rabo pra câmara!

[Alexandre]
Sim!! Rabo pra câmara sem nada! Eu tipo…

[Sky]
Não, é porque o Shane tem cu de atleta.
Existe mesmo o que se descreve cu de atleta.
O outro…

[Alexandre]
Eu sei. Eu sei

[Sky]
Eu considerei:
será que aquilo é natural ou ele fez plásticas?

[risos]


[Sky]
Eu considerei
será que ele fez plásticas??

[risos às gargalhadas]

[Alexandre]
Não, não.
Eu acho que é mesmo,
porque…

[Sky]
Sim, mas eu acho que ele…

[Alexandre]
De gajo que já gostou dum gajo
que jogou basquete,
a primeira vez que eu o vi em pessoa
ele passou por mim, eu olhei pra trás e, como ele tava com calças apertadas, e exclamei
(isto também eu na altura,
eu que me considerava
um homem hétero):
ganda rabo!!

[risos]

[Sky]
Há pessoas que
são abençoados
com genética boa.

[Alexandre]
Ya!

[Alex]
E somehow [= sabe-se lá como]
metade deles são gajos héteros que nunca vão utilizar…

[Alexandre]
Pronto.
Agora estou à espera
da próxima temporada.

[Sky]
Vai haver a segunda temporada!??

[Alexandre]
Foi renovado.

[Alex]
Já foi confirmado! Já foi confirmado sim!

[Sky]
Eu pensava que ia terminar assim…

[Alexandre]
Não, não, não! Há a continuação dos livros!

[Alex]
Sim, tem a continuação dos livros e já foi confirmada.

[Sky]
I’m so excited! [= Estou bué entusiasmada!]

[Alex]
Aquilo que eu quero maioritariamente é ver a reação das melhores amigas a esta situação inteira,
porque elas não sabem nada.
Vamos lembrar-nos da Rose e da melhor amiga do Ilya, que eu não me lembro do nome.
Elas não sabem nada desta situação!

[Sky]
Mas acho…

[Alex]
Eu quero ver a reação!

[Sky]
É que a Rose vai ficar…

[Alex]
A Lily e a Jane…

[Sky]
Eu já sei como é que vai ser a Rose
vai ser tipo giddy school girl [= adolescente eufórica]
“oh my god! oh my god!”.
Mas a outra, já ’tou a apostar, que vai olhar para ele e dar-lhe uma estalada no braço e dizer:
finalmente!

[Alexandre]
Yaa!

[Sky]
De certeza!

[Alexandre]
Soa bué a isso!

[risos]

[Sky]
Que é tipo:
finalmente,
já sabia que ‘tava a acontecer isto
há tanto tempo!

[Alexandre]
Ya!

[Sky]
Esperaste demasiado!

[Alex]
Ya! Essa foi a vibe da Helena também.

[Sky]
É!

[Alex]
Ela só ali tipo:
vais assumir logo
ou eu preciso esperar mais tempo??

[Alexandre]
Pronto.
E, olha, foi muito giro.
Obrigado por teres aceitado o nosso convite, Alex,
e por nos trazerem aqui…

[Alex]
Obrigado por virem!

[Alexandre]
…ao Queer Summit.
Foi muito fixe.
Acrescentar também, para quem nos ouve,
este é o último episódio da segunda temporada.
Nós regressamos daqui a duas semanas
em vídeo!
Até lá, fiquem bem, e…

[Todes] Venham Bialogar connosco!

[aplausos do público]

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