#12 – Não-binarie

Neste episódio recebemos uma das novas pessoas co-apresentadoras do Bialogar e falamos sobre pessoas Não-binárias Bissexuais e violência transfóbica. Trazemos também algumas novidades para os próximos meses.

Participem também nos comentários. 🦄

Venham Bialogar connosco! 💗💜💙

Publicação: 14/10/2025 | Duração: 47min 03s | Produção: 10h | Legendas: no YouTube
Avisos: Contém menções de transfobia, violência transfóbica e capacitismo. Contém breves menções de deadnaming (uso do nome passado/antigo ou uso do nome morto), misóginia, disforia, explusão de pessoas de casa pela família, violência LGBTfóbica, e ameaças de violência e de morte.

Não houve pessoas convidadas neste episódio.

Personalidades

  • Chappell Roan: Cantora e compositora Lésbica Estadunidense.

Livros

  • “Heartstopper”, de Alice Oseman

Filmes e Séries

  • “Heartstopper”
  • “Hazbin Hotel”
  • “She-Ra”
  • “Umbrella Academy”

Eventos e Datas

  • Bi Fest: 1 a 30 de Setembro de 2025, 1.ª grande agenda de eventos da Visibilidade Bissexual em Portugal
  • Arraial Lisboa Pride
  • Clube de Leitura LGBTI+ das Bibliotecas de Lisboa
  • Exposição “Dar Visibilidade à Invisi.Bi.lidade II” de 2025, parte integrante do Bi Fest
  • QueerNatal Lisboa: 29/Novembro a 1/Dezembro

Associações, Coletivos e Grupos de Apoio

(em edição)

[Sky] Alô, alô. Bem-vindes. Este é o episódio 12 do Podcast Bialogar. Eu sou Sky.

[Alexandre] Eu sou o Alexandre. E temos agora connosco a nossa nova pessoa co-apresentadora do podcast, Sky, pronomes neutros, pessoa Não-binária, Bissexual, e que devem conhecê-la também da sessão D&D que tivemos no BiFest. Queres nos falar dessa sessão, Sky?

[Sky] Sim, foi bastante divertido, porque eu noto que não existe uma grande presença de Dungeon Masters, especialmente Dungeon Masters Queer, abertamente em Portugal, ou pelo menos que eu conheça, porque, infelizmente, o mundo do D&D é muito centrado em homens cis, tipicamente, mesmo havendo uma grande comunidade Queer.
Especialmente Dungeon Masters com aspecto mais feminino, quase nunca se vê.

[Alexandre] Falta de visibilidade.

[Sky] Muita falta de visibilidade.
Tanto que, eu por acaso não fui, mas sei que houve um painel, um painel dedicado a ser um Dungeon Master que é do sexo feminino ou que se apresenta de aspecto feminino
no Rolisboa, que foi uma convenção de jogos de tabuleiro,
devido ao facto que eles queriam mostrar mais visibilidade ao pouco que existe.

[Alexandre] Exato, é importante. E é por isso que estamos também aqui a falar sobre estes temas.
Também para quem não sabe, és tu que fazes as coisinhas de crochê que temos na banca do Biologar.

[Sky] Sim, sou eu que faço as pulseiras de macramé.
E futuramente vamos ter no mercado de Natal abelhas em crochê.

[Alexandre] Exatamente, mas sobre o mercado de Natal falaremos mais para o final os pormenores também mais certos sobre isso.
Agora queríamos começar a falar por uma parte importante que começou com este episódio,
que foi, estávamos aqui a falar como nos referir, porque tu usas pronomes neutros.
Em português não temos, naquilo que é a regra geral da língua, pronomes neutros, palavras neutras
e estávamos com dificuldade em encontrar os termos corretos, porque em inglês é mais fácil.

[Sky] Muito mais fácil.

[Alexandre] E no português é terrível.

[Sky] É.
Nem a própria lei portuguesa, ou a constituição, sequer dá margem para as pessoas terem pronomes neutros.
Uma das coisas que me irrita às vezes no português é tentar usar neutros:
ou não existem, ou é extremamente difícil, ou existe mas é tão raro uma pessoa utilizar
que, mesmo que tentássemos ensinar as pessoas, iam sempre ter dificuldade.
Acabo por eu e muitas outras pessoas termos de dizer: usem o que eu parecer a primeiro.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Há pessoas que simplesmente vão trocando entre o masculino e o feminino constantemente,
que é o que eu tento fazer, que é o mais perto de neutro que nós temos.

[Alexandre] Exato.
Porque mesmo quando não tentamos usar pronomes, por exemplo, muitas vezes eu refirmo a ti sem
pronome, portanto, sky, não digo a Sky ou o Sky, mas às vezes quando quero referir,
por exemplo, agora no início do episódio, eu estou habitado a dizer co-apresentador, co-apresentadora
e pensei “como é que
eu vou dizer isto de forma neutra?”.
Então meti o pessoa antes: pessoa co-apresentadora.
Mas é tipo toda uma ginástica mental que nós temos que fazer para tentar tornar as
coisas de forma neutra.

[Sky] Quando uma pessoa ’tá a escrever, ainda pode corrigir e elaborar e isso tudo,
e ainda conseguimos tentar comunicar não usando sequer género de todo, tal como fizemos
com a “pessoa apresentadora”, mas com a fala é muito difícil fazer isso.

[Alexandre] Sim.
Lá está, porque tem que haver toda esta ginástica e eu faço, lembro-me muito disto
que era…
Muitas das vezes ainda me acontece.
Eu estou tão habituado a usar o masculino como o neutro, porque é aquilo que é ensinado
nas escolas e desde sempre.

[Sky] É, é…

[Alexandre] E uma pessoa às vezes tem que fazer esta desconstrução de fazer, criar um mecanismo e depois
às vezes é tipo “como é que eu faço isto?”.
Há situações em que fica a pensar e, lá está, aqui no podcast, com facilidade, nós
paramos, voltamos a falar, voltamos atrás, edita-se, não sei o quê, mas numa cena
em direto é…

[Sky] É impossível.

[Alexandre] É impossível.
E lá está, como tu disseste, a própria legislação, tivemos o veto, acho que foi no
início deste ano.

[Sky] No início do ano passado.

[Alexandre] Foi no início do ano passado?
Fogo, já passou tanto tempo, meu deus.

[Sky] Já.
E infelizmente não voltaram a fazer o pedido.

[Alexandre] Que deveriam fazer…

[Sky] Exato.

[Alexandre] …porque quando há o veto a Assembleia da República tem
a obrigação de…

[Sky] Voltar a reescrever a lei de maneira a que possa ser lançada, depois de ser aprovada
outra vez pelo Parlamento, porque o Presidente não pode ter vetar duas vezes.

[Alexandre] Exato.
E temos este problema que é, somos mesmo dos poucos países que têm uma lista,
de nomes e que obriga, a lei diz mesmo que o nome tem que permitir
identificar o sexo da pessoa, como se isso tivesse algum sentido.

[Sky] Exato. Não faz sentido.
E especialmente quando nós temos nomes tradicionais como “Maria António” e “Maria João”.

[Alexandre] “João Maria”.

[Sky] “João Maria” e outros nomes que eles por si não identificam.
Por isso, porquê que seria na lei a dizer que tem que ser identificado?

[Alexandre] E eu gosto muito desse exemplo porque acho que já 0 trouxemos noutros episódios que é
quantas mulheres não se chamam
“Maria João” e as pessoas dizem “a João”.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Ou “João Maria”, “o Maria”.
E é tipo, aí não faz confusão às pessoas, mas quando uma pessoa Trans, uma pessoa
Não-binária, pede para usar outros pronomes…

[Sky] Ou, por exemplo, falam de certos artistas, falam pelo nome artístico, mas depois dizem
“nós vamos chamar as pessoas Trans pelo nome que nasceram”, mas depois não chamam pessoas
como a Pink por outra coisa que não seja Pink.

[Alexandre] Sim, por exemplo, não chamam a…

[Sky] A Lady Gaga como Lady Gaga,
só dizem isso.

[Alexandre] Exato.
Não dizem Stefani Germanotta.

[Sky] Exato.
Ou, por exemplo, toda a gente conhece ela como Marilyn Monroe.
O nome dela é Norma Jeane.

[Alexandre] Ya…

[Sky] Mas ninguém lhe chama Norma Jeane.

[Alexandre] Exato.
E temos muitas pessoas, sejam pessoas atoras, sejam…
Lá está dentro do mundo artístico.

[Sky] É muito comum.

[Alexandre] É muito comum.
E mesmo fora disso, mesmo, por exemplo, políticos, ativistas, quantas vezes as pessoas não são
tratadas por um nome que não é o seu nome.
Não é o seu nome próprio, é o nome porque ficaram conhecidos, porque ficaram famosos,
ou é um apelido, ou qualquer coisa assim do género.
E para pessoas Trans parece que é um drama:
“Oh meu deus, esta pessoa quer ser tratada…”.

[Sky] Exato.
E faz-me confusão como é que uma pessoa…
Porque às vezes viram-se:
“Ah, não consigo me lembrar disso tudo”,
mas consegues lembrar-te do nome, primeiro e último nome de todos os jogadores de futebol
da tua equipa.

[Alexandre] Ya…

[Sky] Consegues lembrar-te de vinte e tal pessoas,
primeiro e último nome.
Saber as estatísticas todas deles.
Mas não consegues aprender um nome e pronome novo?

[Alexandre] Ya.

[Sky] Opa, não faz sentido.

[Alexandre] Não faz.
É tipo, acho que é… Demonstra aquilo que as pessoas são capazes de fazer se querem ou não querem.
Porque é difícil?
Claro que é.
Quando tens que aprender alguma coisa nova e tens que desconstruir uma ideia que tens,
é difícil.
Eu não vou negar que a primeira vez que descobri a existência de pessoas Não-binárias e que
comecei a tentar perceber como falar.
Engraçado que eu já,
há muito tempo, eu de vez em quando na minha linguagem utilizava formas neutras.
Porque eu, por exemplo, quando tinha que falar às vezes de pessoas, eu não dizia
“ah, é um homem, é uma mulher”
ou mesmo para mim, eu dizia “ah, eu sou uma pessoa que gosta disto”
ou “aquela é uma pessoa…”

[Sky] Exato.

[Alexandre] Eu já, instintivamente, algumas coisas eu neutralizava,
porque sempre me fez confusão se tens um grupo de trinta mulheres,
basta estar um homem lá e de repente é todos.
Isso para mim não faz sentido.
Ou é meninos…
É tipo, isso não faz sentido.
É tipo, há trinta mulheres e há um homem,
porque é que vamos estar?
Para invalidar a existência de alguém, seja de que lado for.

[Sky] Devia ser pessoas, adultos. Quando é criança, chamar-lhe crianças.

[Alexandre] Crianças, malta.
Uma coisa qualquer que seja, inclua as pessoas todas.

[Sky] Até podemos usar estrangeirismos.
Tanta gente vira-se assim: “então people”.

[Alexandre] Ya. Sim, já que se usa tanto estrangeirismo hoje em dia.
Aliás, eu acho impressionante também quando pessoas dizem “ah, é difícil aprender um
pronome neutro ou uma forma neutra”,
mas depois vão, tipo, falar e dizem “ah, eu vou ter uma meeting”,
“eu tenho uma call”.
E é tipo…

[Sky] Exato.

[Alexandre] É fácil aprender estrangeirismos quando dá jeito.

[Sky] É que a questão é que: para os nomes e os pronomes, nome ainda é mais fácil.
E nem é problema do pronome.
É a terminação de todas as palavras portuguesas tem um género.

[Alexandre] Sim.

[Sky] Porque mesmo que uma pessoa usasse um pronome neutro, tem que depois ‘tar a escolher se
é A ou O.
Mas… Porque existe o E, mas quase ninguém usa.

[Alexandre] Sim.
E depois tens muito poucas palavras em português que são “gender neutral”, de género neutro, muito poucas, mas
depois não tens um artigo neutro para usar.
Por exemplo, poeta, que é uma palavra que efetivamente dá, apesar de também existir
poetisa, mas “o poeta”, “a poeta”…
Como é que eu agora me vou referir à pessoa Não-binárie?
Se eu quiser um artigo, claro que eu já sei esta ginástica e eu digo “pessoa poeta”.
Mas é uma ginástica que eu tive que construir.
Porque nós, enquanto língua, não temos.
E não parece haver essa abertura.

[Sky] Muitas vezes as pessoas usam “um poeta” para neutro porque não há…
Porque “um” não explicita o género, mas “uma” sim.
Porque pode-se dizer “um poeta Não-binário”, mas não se diz “uma poeta Não-binário”.

[Alexandre] Sim.

[Sky] Porque a palavra “Não-binário” é masculina.

[Alexandre] Sim.
Lá está.
E depois fica sempre complexo e, lá está, como também não se define
uma norma,
depois começam a surgir várias formas diferentes.
E aí depois as pessoas dizem:
“Ah, mas eu aprendi desta forma, agora é esta, não sei o quê…”.

[suspiro]

[Sky] Mas as pessoas vão fazer sempre isso com tudo.

[Alexandre] Sim.

[Sky] Elas também fizeram com o novo acordo ortográfico.
Já ia-lhe chamar erro ortográfico.

[risos]

[Sky] Mas sim, com o novo acordo ortográfico, durante montes de tempo as pessoas ‘tavam tão
habituadas que se queixavam.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Mas agora ninguém diz nada.

[Alexandre] Exato.
E já houve vários acordos ortográficos.
As pessoas esquecem-se que a língua é uma coisa que…

[Sky] Evolui!

[Alexandre] evolui naturalmente.
Aliás, o português…
Eu já falei disto noutro episódio,
o português vem do latim.
O latim tinha três géneros:
masculino, feminino e neutro,
em que o neutro estava desenhado para ser usado com pessoas.
Aliás, o género que nós usamos em termos de pronomes como masculino vem do neutro latino,
porque em português o masculino seria com O.
“Elo”.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Portanto, porque nós em português apropriámos…

[Sky] Porque o E é que é supostamente o neutro.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Por isso “ele” devia ser o neutro.

[Alexandre] Exato.
E vem do neutro latim que existia.

[Sky] Ironicamente.
Portanto, “elu”/”ilu” é o neutro quando se calhar “elo” devia ser o masculino.

[Alexandre] Exato.
É muito isto.
E tens muitas línguas.
Por exemplo, ’tou-me a lembrar de línguas germânicas, como o alemão,
em que tens um género neutro e que foi desenhado para ser usado com pessoas,
o que mostra que sempre existiram pessoas que não se identificavam dentro do masculino ou do feminino.

[Sky] Exato!

[Alexandre] Tens línguas que nem sequer têm género.
A linguagem é a nossa forma de comunicação,
tem que se adaptar àquilo que são as necessidades das pessoas.

[Sky] Sim, mas também acho que o facto de Portugal ser um país muito católico
é uma das coisas que afetou muito isso.
Porque eles pegaram o latim e pensaram “só existe homem e mulher, por isso vamos trazer
isto tudo só para homem e mulher”.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Não pensaram que existe o neutro e vamos utilizar o neutro.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Pensaram que era desnecessário.

[Alexandre] Sim.
Lá está.
E nós temos que adaptar à língua aquilo que nós precisamos no dia-a-dia.

[Sky] Daí nós usámos o masculino como neutro [referente ao que Sky explicou].

[Alexandre] Ya.
Porque era aquela imagem do patriarcado e da superioridade misógina do homem sobre a mulher,
portanto, o homem abarca todos, a mulher abarca só a mulher, por assim dizer.

[Sky] Exato.
Não faz sentido.

[Alexandre] E é preciso essa evolução.
E é tipo: claro que uma evolução, uma coisa nova, como tu falaste do acordo ortográfico, é tipo…
Claro que há sempre problemas de adaptação no início, mas a vida segue.

[Sky] Exato.
Mas depois as pessoas habituam-se e depois já não se queixam do assunto.

[Alexandre] E a vida segue.
Não é uma coisa que vá dar cabo da vida de ninguém.
É tipo, estamos a pedir às pessoas apenas para respeitar a identidade de outrem.

[Sky] Exato.

[Alexandre] E deveria ser o mínimo.
Portanto, há muito esta dificuldade.
Queres também explicar um pouco melhor, para quem não compreende, o que é que é ser uma pessoa Não-binária?

[Sky] Depende de cada pessoa.
A definição geral é que é uma pessoa que não se identifica exclusivamente como homem ou exclusivamente como mulher.
Daí estar a incluir pessoas Genderfluid [= Género-fluído, pessoas Queergender [= Género-queer], pessoas que é, por exemplo, Demigirl ou Demiboy,
pessoas com o género completamente neutro.
Existe uma grande…

[Alexandre] Pessoas Agénero também?…

[Sky] Sim, também seria considerado.
É… Como nós dizemos, é um grande “umbrella term” [=termo guarda-chuva – termo abarangente].

[Alexandre] Que abarca toda uma série de identidades daquilo que vai fora do masculino ou feminino ou até fora do género, no caso.

[Sky] Como diz no nome, é tudo que não seja do binário.

[Alexandre] Exato.
E, portanto, abarca muitas identidades e acho que muitas pessoas muitas vezes têm dificuldade lá em fazer este entendimento, em perceber.
Há pessoas que têm uma apresentação mais andrógina, mais feminina, mais masculina.

[Sky] Sim.

[Alexandre] Isso vai depender de cada pessoa.

[Sky] E, às vezes, as pessoas ficam confusas porque assumem sempre que uma pessoa Não-binária tem de ser andrógina.
Mas, às vezes, uma pessoa Não-binária é muito feminina.
E, depois, se a pessoa nasceu de sexo masculino, eles percebem.
Mas se uma pessoa nasceu de sexo feminino e é feminina, mas é Não-binária, confundem-se.

[Alexandre] Ya…

[Sky] É uma confusão.

[Alexandre] Lá está. Acho que as pessoas estão…

[Sky] É como, por exemplo, se… Também faz parte,
porque Não-binárie faz parte da umbrella [= termo abrangente] Trans,
é: se houver um homem Trans que é femboy [= homem com aspeto feminino],
ficam confusos.
Porque assumem sempre que a dysphoria [=disforia] tem de ser relacionado…

[Alexandre] O “oposto”, entre aspas.

[Sky] O “oposto”.

[Alexandre] Ya.

[Sky] Quando pode haver…
Se as pessoas ‘tão normalizadas com o termo “Maria Rapaz”, entre aspas, ‘tão habituadas a mulheres masculinas,
porque é que é tão estranho que existe, às vezes, mulheres Trans masculinas?

[Alexandre] Ya.

[Sky] Que eles acham estranho. Ou homens Trans femininos.

[Alexandre] Porque, lá está, as pessoas querem muito encaixar esta coisa de “o masculino é homem, o feminino é mulher”.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Enquanto todos nós temos um lado feminino e um lado masculino, independentemente.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Todos nós, tipo, temos…
Porque se isto do masculino e do feminino é um espectro, vá.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Todos nós estamos algures aqui em termos de apresentação e postura.

[Sky] E o que significa feminino para uma pessoa pode significar outra coisa para outra.

[Alexandre] Completamente.
Aliás, é uma coisa bastante cultural.
Nós já falámos aqui.
Tipo, há coisas que numa determinada cultura podem ser vistas como femininas ou menos masculinas e noutras…

[Sky] Por exemplo, maquilhagem no mundo western [= ocidental] é considerado bastante feminino,
mas em países da Ásia é considerado um standard [= norma] de ter cuidado consigo próprio.

[Alexandre] Exato.
Um exemplo que eu também já dei é, por exemplo, homens beijarem-se na cara, cumprimentarem-se.
Em muitos países, lá está, aqui de ocidentais, é considerado menos masculino.

[Sky] Humhum.

[Alexandre] E tu tens em muitos países mais orientais, por exemplo, em países de culturas túrquicas, por exemplo,
isso é um gesto normal entre homens.

[Sky] Exato.

[Alexandre] É visto como algo completamente normal.
E, por exemplo, aqui em Portugal, eu sempre ouvi dizer aquela frase de que “não
um homem não dá um beijo no outro homem, isso não é coisa de homem”.
Portanto, isto é uma coisa cultural:
o que é que se considera masculino ou feminino.
E depois podemos debater se algumas destas coisas são preconceituosas ou não, é outro tópico.

[Sky] Sim.

[Alexandre] Mas a realidade é que é uma coisa cultural aquilo que achamos masculino, feminino, de homem ou de mulher.

[Sky] É como, por exemplo, como alune de artes, eu sei, na altura do rococó, o azul era considerado feminino
e o rosa era considerado masculino, porque o rosa era uma cor forte, daí era considerado uma cor masculina
e o azul, como era uma cor suave e calma, era considerado uma cor feminina.
Mas depois, como a mulher de um presidente americano, que era a Jackie O, adorava a cor de rosa e vestia muito cor de rosa,
as mulheres começaram a imitá-la e depois tornou-se…

[Alexandre] Inverteram.

[Sky] …que o rosa era de meninas.
E eu ’tou assim: “mas se isso é a questão, então quem diz que daqui a cem anos não é, é o contrário outra vez?”.

[Alexandre] Sim. E ninguém nasce, eu vi esta frase dita, acho que era por uma psicóloga há pouco tempo,
ninguém nasce a gostar de rosa ou azul, de carros ou de bonecas, de maquilhagem ou de saltos altos,
com base no seu sexo ou no seu género à nascença.

[Sky] Ah, sim, sim.

[Alexandre] Ninguém nasce com predisposição para nenhuma destas coisas.
É uma coisa que se constrói, tipo, tu quando cresces começas a ver que gostas de umas coisas ou de outras,
mas isso é algo dentro de ti.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Não tem a ver com o que é que tens entre as pernas ou com quem é que tu és.

[Sky] Exato.

[Alexandre] E muitas destas coisas também, por exemplo, lá está, por exemplo, fala-se, ah, salto-salto é uma coisa de mulher.
Os salto-salto foram inventados para os homens.

[Sky] Pois foi.

[Alexandre] Né?

[Sky] Originalmente para andar de cavalo.

[Alexandre] Exatamente.

[Sky] Porque ajudava…

[Alexandre] Ajudava a ficar ali preso, agora não me lembro como é que se chama aquela peça, mas a prender ali.

[Sky] Sim.
E na França eram muito usados, que era quanto mais altos fossem os teus saltos, maior era o teu estatuto enquanto homem.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Os corsets [= corpetes] que foram inventados para, também inicialmente, para a postura.

[Sky] Não só para a postura, mas para suporte da coluna, para levantamento de pesos.
Os strongman [= homens fortes], especialmente nos círcos, eram conhecidos por usar corpetes que iam até aos ombros,
que era especificamente… E ainda hoje em dia vemos isso, vemos nos cintos de levantamento de pesos.

[Alexandre] Sim.

[Sky] Continuam a ser isso, simplesmente encurtaram.

[Alexandre] Exato.
A maquilhagem que quando surge, por exemplo, no Egipto era amplamente usada quer por homens, por mulheres, adornos…

[Sky] E ainda é utilizada no Médio Oriente, em países árabes, porque “coal”, que é um material próprio de maquilhagem, protege os olhos do sol.
É os óculos de sol deles.

[Alexandre] Sim, sim, sim.
Literalmente, muitas destas coisas quando surgem eram para qualquer pessoa que as quisesse usar.

[Sky] E ao mesmo tempo, às vezes, especialmente quando é de pessoas de direita que eu olho para eles e fico
chocada, porque eles viram-se: “homens não deviam usar maquilhagem”.
Mas depois, se perguntares quais são as bandas favoritas deles dos anos 80, mencionam Kiss.

[Alexandre] Sim.
Ou Mötley Crüe, Poison e também os conhecidos, o Twisted Sister que tinha, o Dee Snider.
E é assim, eles são… até o The Cure também tinha outros, o Marilyn Manson mais para a frente, mas…
Eles eram sempre conhecidos por usar, até os The Misfits e o New York Dolls.
Um monte de bandas famosas de 70s, 80s, 90s.
Principalmente na época do glam rock, com o Dee Snider.
Era das caras mais conhecidas, com a maquilhagem muito, muito forte.
E toda a gente achava que era o normalíssimo.

[Alexandre] Sim, ninguém olha para essas figuras e questiona a sua masculinidade.

[Sky] Exato.

[Alexandre] E são figuras que muitas das vezes, especialmente no rock, no metal, tu vês cabelos compridos, visuais arrojados, maquilhagem, adornos…

[Sky] Ou até hoje em dia, se olhares para coisas como, por exemplo, o Herman José.
‘Tá constantemente a fazer drag, toda a gente adora, toda a gente se ri e não questiona a masculinidade dele.

[Alexandre] Nem o género dele.

[Sky] Mas depois fazem isso às drag queens, quando é exatamente a mesma coisa.

[Alexandre] E confundem muito ser drag queen com ser Trans.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Que isso é uma coisa que eu já vi imenso.

[Sky] Imenso!
E é o pior, ‘tarem a dizer que isso não é bom, mas depois vestem-se de dinheiro no carnaval.

[Alexandre] Sim, as matrafonas de Torres Vedras, por exemplo.
Que no fundo, qual é a grande diferença, por exemplo, para o drag? É tipo…

[Sky] É a mesma coisa!

[Alexandre] É literalmente um transformismo.

[Sky] A única diferença é que a maior parte das drag queens dançam e cantam, ou fazem lip sync [= sincronização labial], e eles estão a fazer comédia.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Mas existe drag queens que fazem stand-up comedy [= espetáculos de comédia].

[Alexandre] Aliás, o drag queen não é uma coisa que só
homens Gays possam fazer.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Aliás, eu conheço mulheres que fazem drag queen.
Não é drag king,
é drag queen.
Há mulheres drag queens.

[Sky] Sim, sim, sim.
São as chamadas bio queens.

[Alexandre] Exato.
Um homem cis-hétero pode fazer drag queen.

[Sky] E até um homem cis-hétero pode fazer drag king.

[Alexandre] Exato.

[Sky] A ideia é o exagero do género.

[Alexandre] Exato.
É um transformismo.
É representar uma personagem, por assim dizer.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Daí que há drag queens, drag kings, drag queers.

[Sky] Mas a ideia é o exagero.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Daí podes exagerar.
Por exemplo, a Chappell Roan é conhecida como uma bio queen.
É conhecida como uma drag queen que é mulher.

[Alexandre] Exato.
E que faz…
Lá está o exagero.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Sim.
Que no fundo é isso.
De forma a causar alguma comédia, algum riso, diversão.
E depois, obviamente, há vários espetáculos.

[Sky] É expressão.

[Alexandre] E tu tens espetáculos de drag queens que são feitos para “family friendly” [= famílias].

[Sky] Exato.

[Alexandre] Como leituras de horas do conto.

[Sky] Eu adoro.

[Alexandre] Leitura de histórias.
Teatro.
Cenas assim do género.
E tens coisas, espetáculos de drag que são para adultos,
como existe em tudo.
Existem filmes para adultos e filmes para crianças.

[Sky] Exato

[Alexandre] Existem livros para adultos e livros para crianças.
Qualquer conteúdo pode ser, regra geral, adaptado às várias idades.

[Sky] É como às vezes, que isso acontece muito, especialmente não em Portugal, mas já vi
essa conversa muito noutros países, é falarem do kink [= fetiche] no Pride.
A queixarem-se de ter kink [= fetiche] no Pride.
Quando o Pride…
A ideia do Pride é sobre
sexualidade.
Não é um evento family friendly [= para famílias].

[Alexandre] Exato.

[Sky] Se queres um evento family friendly [= para famílias], existe à parte.

[Alexandre] Sim, sim, sim.

[Sky] Mas o Pride em si é um protesto,
não é para ser family friendly [= para famílias].

[Alexandre] Exato.
E mesmo tu num Pride, podes ter zonas family friendly [= para famílias] e zonas que não o são.

[Sky] O que eu achei num ano, que eu adorei.
Eu ri-me tanto esse ano, mas eu adorei. Foi…
Puseram numa das tendas:
as crianças no chão a desenhar,
ao lado delas, as velhotas a venderem bolachas
E à frente delas, a comunidade de leather e Kink [= cabedal e fetiche].

[risos]

[Sky] Todes na mesma tenda.

[risadas]

[Sky] A dois metros de distância uns dos outres.
E eu ‘tava ali a ver os miúdos a desenhar, a falar do meu crochê com as senhoras e a
falar dos eventos de kink [= fetiche] com eles ao lado.

[Alexandre] Exato.

[Sky] E eu ainda por cima ‘tava…
Como eu faço todos os anos, eu levo comida
para os voluntários, porque eles infelizmente
não costumam ter muito tempo para comer,
por isso eu costumo trazer a comida
para eles, tipicamente doces, porque
açúcar ajuda com a energia,…

[Alexandre] Exato.

[Sky] …especialmente no verão.
Por isso eu costumo usar…

[Alexandre] E nós sabemos o que é fazer um Arraial Lisboa Pride, por exemplo.

[risos]

[Sky] Nem me digas…
Sinceramente…
Eu, especialmente como já fui com o coro,
é muito difícil de se ‘tar lá.

[Alexandre] É!
É muito trabalho.

[Sky] Quanto mais ‘tar lá como voluntário,
isso é muitas horas.

[Alexandre] É muita coisa.

[Sky] Por isso é que eu costumo levar coisas: muffins [= queques], cinnamon rolls [= rolos de canela], donuts, mas tudo caseiro ainda por cima.

[Alexandre] Exato!
Mas voltando aqui à questão da comunidade kink [= fetiche]
é importante estarem presentes no Pride,
porque o Pride é uma festa de libertação.

[Sky] Exato!!

[Alexandre] É um protesto e uma festa
e faz parte da libertação
e a libertação é para todas as pessoas.

[Sky] E muitas vezes o sítio onde as pessoas Não-binárias
sentem-se mais confortáveis, tipicamente,
é na comunidade kink [= fetiche],
porque é aí onde
os
roles [= normas/papéis] estão a ser constantemente inversos
e como as pessoas estão
tão habituadas a ser julgadas
por serem kink [= fetiche],
já estão mais habituadas também…

[Alexandre] Uma mente mais aberta.

[Sky] Exato. E acabo por notar que,
especialmente na comunidade kink [= fetiche],
é onde eu me sinto mais confortável
e mais aceite comparado com o resto da comunidade.

[Alexandre] Eu sinto que ainda dentro da comunidade Queer
há muitas pessoas que ainda não entendem e não…
Mesmo até dentro das pessoas Trans,
pessoas que não entendem e não respeitam,
quer outras pessoas Trans
mesmo pessoas Trans que sejam binárias,
quer quando estamos a falar de pessoas Não-binárias. É…

[Sky] Exato.

[Alexandre] Impressiona-me
e assusta-me até certo ponto.
Quando vemos estes movimentos
do “LGB without the T” [= LGB sem o T],
quando vemos movimentos de pessoas Trans
contra pessoas Não-binárias
ou que acham que outra pessoa Trans
por não ter feito cirurgias
ou por não ter feito não sei o quê, é menos válida.

[Sky] Quando esquecem-se que
existe pessoas com problemas de saúde
em que cirurgias são perigosas.

[Alexandre] Sim. Sim. Sim.

[Sky] É uma das grandes razões
porque eu escolhi não fazer cirurgias.
É porque eu tenho um nível
muito elevado de infeção,
devido a ter uma doença dos tecidos conectivos,
para mim é extremamente
difícil ter essa opção.
E quando eu já tenho problemas
com hormonas e ‘tar a tomar
tanta medicação que faz-me mal
ao fígado, eu não posso escolher
ir para tomar hormonas.

[Alexandre] Claro!

[Sky] Por isso acabo por,
mesmo que eu quisesse,
eu não conseguiria fazer essas coisas.

[Alexandre] Sim, sim. É um pouco pesares na balança
e o que é que faz sentido para ti
versus o risco.

[Sky] Exato. Para não falar que como sou uma pessoa que veste de maneira muito feminina
eu acabei por
simplesmente assumir:
“eu só tenho isto porque fica bem na minha roupa”
e acabou.

[Alexandre] Ok.

[Sky] Porque eu também cresci
a vida toda
com uma mãe que é muito masculina,
por isso sempre vi
que tudo é para todes.

[Alexandre] Exato.

[Sky] E como eu cresci
no mundo das artes também
maquilhagem era sempre para todos,
especialmente se ’tás no teatro,
não interessa qual é o teu género
toda a gente tem de usar maquilhagem,
especialmente por causa dos holofotes.

[Alexandre] Sim.

[Sky] E por causa disso
eu, surpreendentemente, cresci
pensando que tudo era para todos
e nunca tendo
aquela mentalidade de…

[Alexandre] “Isto é para homem, isto é para mulher”?

[Sky] Exato. Mas também influencia muito
devido ao facto que,
e isto é um privilégio que eu tenho muito,
é o facto de que
a minha mãe, mesmo sendo cis,
como era uma atleta
a maior parte das amigas dela eram Lésbicas
e elas levava-lhe para os bares Gay.

[Alexandre] Ok.

[Sky] E ela ainda hoje,
com 63 anos,
diz que o melhor espetáculo
que alguma vez viu na vida
foi drag queens a fazer as varinhas de Lisboa.
Ela continua a dizer…
E já fui com ela a um bar Gay
para ir ver drag queens.

[Alexandre] Meu deus, isso é bem fixe.
Lá está, é um privilégio que nem todas as pessoas têm.

[Sky] É um privilégio ter uma mãe que,
na altura quando ainda havia a censura,
porque ela ia nos anos 80
quando ainda havia problemas
das pessoas Queer,
ela ia com elas
e defendia-as e ia aos bares
como se fosse nada.

[Alexandre] Exato. Lá está, é um bom privilégio
mas também te deu muito suporte.

[Sky] Exato.
Por isso é que quando eu disse aos meus pais que era Bi
eles disseram “ah ok” e passaram à frente.
Nem questionaram.

[Alexandre] Exato, nem questionaram, isso é ótimo.
E foi também uma coisa que tu te
apercebeste sem grande drama,
como já tínhamos falado?

[Sky] Não, simplesmente apercebi-me.
Nunca senti a necessidade de falar sobre o assunto
e depois
mencionei que queria ir ao Pride
e eles, como ‘tavam na conversa, perguntaram:
“queres ir ao Pride só porque queres
ou porque tens alguma motivação?”.
Eu disse: “sou Bi, quero ir”.
E eles: “ah ok, tudo bem” e passaram à frente,
como se fosse a coisa mais natural do mundo.

[Alexandre] Lá está como cresceste num ambiente
tão aceite,
nunca tiveste
grandes outros problemas
de aceitação dessa identidade como outras pessoas têm.

[Sky] Não, não.

[Alexandre] E sentes que também foi o mesmo com a tua identidade
enquanto pessoa Não-binária?

[Sky] Não tanto, porque eu ainda não menciono
muito.
Como eu visto-me de maneia muito feminina
não há grandes
coisas para notar.
Mas quando, por exemplo, usam
termos como “mulher”, eu corrijo.
Eles sabem
que com a minha família ainda uso o meu
nome legal, só porque ainda
não me dei ao trabalho,
mas que sabem
completamente que eu chamo-me Sky
e toda a gente me trata como Sky,
no coro e tudo,
na ILGA, todos os meus amigos,
e não questionam.
Especialmente porque sabem, e eu já mencionei
mais do que uma vez, que se eu pudesse,
porque infelizmente o nome Sky
existe em Portugal, simplesmente está
na lista de nomes masculinos,
se eles tivessem feito uma só
única lista, eu já tinha mudado.

[Alexandre] Claro.

[Sky] Eles sabem muito bem que
se eu tivesse a opção, que eu mudava.
E sabendo isso, eles simplesmente
passam à frente, é uma coisa normal.

[Alexandre] E eles dão-te esse suporte?
Sentes-te apoiada pelos teus pais?

[Sky] Eu… Como nós não costumamos falar muito
sobre o assunto, eu nunca necessitei
de perguntar-lhes,
mas tendo em conta que
cada vez que eu faço uma atuação com o coro,
que é um coro LGBT
da ILGA,
e eles vão a todos os concertos que podem.
Eles vão a literalmente todos os concertos.
Os meus pais sabem que eu vou aos eventos da ilga,
sabem que eu vou a isto ou aquilo,
sabem que os meus amigos são todos Queer,
que eu sou Queer,
por isso, não falamos muito sobre o assunto
mas ao mesmo tempo não mostram nada
de negatividade em qualquer modo.

[Alexandre] Claro, e também com a abertura que eles têm
em relação a estes temas…

[Sky] Exato.

[Alexandre] …seguramente tens
um apoio. E isso é ótimo, lá está, como tu dizias
é um privilégio.

[Sky] Eu cheguei durante o covid a responder a um questionário
da ILGA, porque eles ‘tavam a perguntar
às pessoas Trans se tinham
sido postas de fora de casa
durante o covid. Quando eu disse à minha mãe
que isso existia, ela ficou chocada
que havia pais que sequer fizessem isso.

[Alexandre] É que pusessem uma criança
fora de casa…

[Sky] Não, especialmente durante o covid
ela olhou para mim assim
“isso existe?”,
porque pra ela isso era uma coisa nunca…

[Alexandre] Impensável.

[Sky] Exato, impensável! Alguma vez fazer isso…

[Alexandre] Um pai por…

[Sky] a criança deles fora.

[Alexandre] Exaro. Lá está, é uma coisa que parece
impensável para qualquer pessoa…

[Sky] Exato! Mas eu vi a cara de choque dela
a olhar e pensar
“há pessoas que fizeram isso?”.
É pá! É basicamente pôr alguém pra a morte,
especialmente quando era no pico do covid
e ainda não tinha as vacinas.

[Alexandre] sim, sim, sim, é… Lá está, pra mim…
Eu, choca-me,
porque é uma realidade que eu sei que existe,
não só com pessoas Queer,
mas muito com pessoas Queer.
E especialmente pessoas Trans dentro da comunidade Queer,
é preciso mencionar que são das pessoas que mais sofrem
este tipo de violência.

[Sky] Exato.
Por exemplo, recentemente, não sei se
sabes, mas o
André Ventura, do Chega,
atacou diretamente
uma pessoa do coro da ILGA,
publicamente, publicando
a foto deles e chamando-lhe
“criatura” e
outros nomes publicamente
no twitter dele.

[Alexandre] Ok, desconhecia essa situação.

[Sky] Sim.

[Alexandre] Isso é grave.

[Sky] Foi grave e no twitter
é só um de muitos.
É que essa pessoa já ’teve a receber
não só muitos
insultos, mas até ameaças de morte
nas mensagens privadas.

[Alexandre] Que é grave.

[Sky] É muito grave.

[Alexandre] Toda a situação é grave.

[Sky] E quando eu contei isso
aos meus pais eles ficam
“para quê? porquê?
o que mal fez alguém?”

[Alexandre] Ya… Acho que faz muito mais mal alguém estar
a insultar alguém ou a fazer ameaças
de morte, do que qualquer outra pessoa…
Aliás…

[Sky] Principalmente um político que tem poder
e quando os apoiantes dele são conhecidos por ser mais violentos.

[Alexandre] E não só por isso,
porque é se tu fores a ver também…
Lá está, isto é um bode expiatório
que se usa às pessoas Trans, às pessoas LGBT
como um bode expiatório,
mas quando tu vais olhar para aquilo que são os dados reais
não são as pessoas LGBT que são responsáveis
pela criminalidade em Portugal,
pelos problemas do país.
E mesmo que fossem, isso não é forma das tratar.

[Sky] Exato.

[Alexandre] Começamos logo por aqui, não é.
Mas nem sequer é, tu vais ver
e a realidade é essa
é que, efetivamente
estar a insultar alguém,
a falar mal dalguém,
numa rede social e a apelar a esse ódio,
isso é que é grave!

[Sky] Não apelou ao ódio, mas dizia
coisas como
“é este tipo de criatura
que a esquerda quer permitir ao pé das crianças”
e coisas assim.

[Alexandre] Sim, não apela diretamente,
mas indiretamente a gente sabe que…

[Sky] Mas insultou o suficiente para ser grave.

[Alexandre] E indiretamente a gente sabe que isso vai apelar ao ódio,
porque nós também temos que medir
as palavras que usamos,
especialmente quando temos muito alcance público.

[Sky] Exatamente!

[Alexandre] Temos que ter noção
daquilo que dizemos.

[Sky] E agora corrijo,
porque acabei de encontrar o post.
Não foi criatura, foi aberração.
Ainda pior.

[Alexandre] Ainda pior!

[Sky] Porque a frase é
“são essas aberrações que a esquerda quer dar palco
e que acham que devemos dar como exemplo
às nossas crianças
para nós não passarão”.
E depois põe a foto da cara dessa pessoa.

[Alexandre] Enfim, este é um dos grandes problemas
que a comunidade Queer…

[Sky] Porque em cima é uma pessoa Não-binária que ’tá a ser atacada.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Uma pessoa Trans Não-binária que ’tá a ser atacada,
que é literalmente o tema
deste episódio, é pessoas Não-binárias.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Isto é um problema que elus têm.
Isto é um exemplo.

[Alexandre] Exato. E muitos mais existem.
Estas agressões que existem, porque…
E nós vemos que nos últimos anos
aumentaram os crimes de ódio contra pessoas LGBT,
seja na internet,
seja que espaços LGBT:
haver tentativas de invasão
de espaços, de vandalização.

[Alexandre] Sim, a ILGA
foi grafitada.

[Alexandre] Sim, tiveste um espaço,
se não me engano acho que é em Lisboa,
duma pessoa Trans que já foi duas vezes
também vandalizado.
Bares e espaços LGBTs vandalizados.
Sessões de eventos LGBT,
como aconteceu com o Clube do Livro da Ilga,
como aconteceu com várias apresentações de livros
por todo o país nos últimos um ano, dois anos,
serem invadidas
por grupos de extrema-direita
e de ódio.
E não…
Não vemos ações
Tá neste momento em proposta
de fechar o partido do Chega
por completo,
devido aos crimes de ódio que já foram
reportados…

[Alexandre] Sim, tá no Ministério Público, se não me engano, o processo.

[Sky] Exato. Se eles considerarem que sim
e fecharem, mostra uma mensagem.

[Alexandre] Claro.

[Sky] E eu acho que isso seria uma boa mensagem
para mandar, para dizer:

[Alexandre] Há limites!

[Sky] Chega é Chega!

[Alexandre] Exato, há limites.

[Sky] Ironicamente, que o deles é Chega.

[Alexandre] Exato. Mas voltando, queria perguntar-te
o que é que tu sentes dentro da comunidade,
além de visibilidade,
enquanto pessoa Bi, enquanto pessoa Não-binária
enquanto pessoa que também tem deficiência.

[Sky] É assim, como pessoa Bi
eu vejo bastante visibilidade,
eu não vejo
grande limitação do que…

[Alexandre] Do que observas?…

[Sky] Quanto a pessoa Não-binária,
fora das zonas
em que nós temos eventos LGBT,
não vejo muita representação,
ao contrário de Bi
que já vemos em telenovelas etc…

[Alexandre] Seja boa ou má,
já vemos.

[Sky] Eaxto.
Não-binário, tipicamente encontro
em séries
mais britânicas ou americanas.
Cá em Portugal é
raro ou nunca.

[Alexandre] Acho que nunca vi em nenhuma série ou
alguma coisa portuguesa.

[Sky] Não popular,
pode haver nas séries mais indie
ou pequenas produções é possível
ou pequenos filmes de produção indie,
já deve haver.
Agora
séries grandes, não,
nunca.

[Alexandre] Livros então é para esquecer,
a não ser que sejam livros estrangeiros
ou mais indie?…

[Sky] Indie, possivelmente.
Agora
livros
populares, não,
não.
Eu acho que ainda
as pessoas estão a tentar,
mas é muito difícil por enquanto.
Quanto à deficiência,
é aí que eu acho que há mais dificuldade
porque há muitos muitos espaços
LGBT que não são acessíveis.
Há muitos eventos
que não são acessíveis
ou mesmo que eles fossem acessíveis,
eles não mencionam como fazer acessível.
Por exemplo: este ano foi o primeiro ano
que eles abriram inscrições
para o autocarro
da marcha para as pessoas…

[Alexandre] Marcha de Lisboa

[Sky] …que tinham problemas
de mobilidade.
Este foi o primeiro ano
que eles alguma vez fizeram isso,
pra veres.
Só agora em 2025
é que ‘tão a fazer isto,
quando a marcha já existe
há não sei quantos anos.

[Alexandre] Parece que
é quase como se fosse um “não tema”
em muitos eventos LGBT,
ninguém se
se lembra.
Até porque, se formos a ver,
e isto não é uma crítica
é uma constatação da realidade,
muitos eventos da comunidade
são feitos por pessoas
que não têm deficiência…

[Sky] Exato.

[Alexandre] …e que muitas das vezes
não são capazes
se calhar de olhar
e de perguntar
e de perceber…

[Sky] Ou normalmente
só pensam nas pessoas surdas
e põem
lá um interpretador,
que já é bom ter, claro.

[Alexandre] Claro.

[Sky] Ninguém ’tá a criticar isso.

[Alexandre] Pelo contrário,
é de louvar.

[Sky] Exato.
Mas eu noto que a marcha
durante anos teve isso,
mas nunca teve nada
para as pessoas de cadeira de rodas.
Esta marcha foi a primeira.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Quando a marcha é tão ocupada,
com tanta gente,
que precisamos de espaço
para as pessoas de cadeira de rodas.

[Alexandre] Claro!
E que também merecem ser visíveis.

[Sky] E, por exemplo,
eu acho que não seria difícil
ter aí um espaço
dentro da marcha
só para as cadeiras de rodas.

[Alexandre] Sim.

[Sky] No meio.
Que assim
era todes os
de cadeira de rodas juntos.

[Alexandre] Exato

[Sky] Assim eles têm
todo o espaço para eles,
e eles sabem
guiar-se
de maneira mais confortável.

[Alexandre] Lá está,
perguntarem às pessoas
qual é a melhor forma
e garantir que efetivamente
é um evento inclusivo
com toda a gente.

[Sky] E a razão
porque eu digo isto
é porque eu sei
que eles um ano
fizeram isso com motos.

[Alexandre] Ok.

[Sky] Fizeram um ano
em que tiveram
uma secção no final
da marcha
que era as pessoas
de scooters e motas.

[Alexandre] Ok.

[Sky] E eu ’tou assim:
“porque é que não fizeram isso
com pessoas de cadeira de rodas
mas mais à frente?”
ou por exemplo
ter como fizeram
com o autocarro,
desde que o autocarro em si
tivesse entrada
para a cadeira de rodas…

[Alexandre] Exato

[Sky] …e as pessoas pudessem
entrar no autocarro,
já facilita.

[Alexandre] Há coisas tão simples,
porque não é difícil.
Aliás na conversa
das pessoas com deficiência
falámos disso
com o Vasco
e com outros participantes,
que é: não é tão difícil.
E até apresentaste
esta solução de melhoria
da gente
colocar a legenda,
porque nem todos os símbolos
que nós usávamos no Bi Fest
são amplamente conhecidos.
Mas é tão simples
como
ter uma legenda,
ter qualquer coisa
que as pessoas possam olhar
e perceber:
“ok
este sítio
este evento…”

[Sky] Para não falar de ter na descrição
por escrito,
porque há pessoas
que são invisuais,
não conseguem ver símbolos.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Daí ter por escrito,
quando usam
qualquer coisa como
o TalkBack,
que é
mais conhecido
de ferramentas
de
telefone
e computador,
em que passas o rato
ou o dedo
por cima do texto
e ele lê-te
em voz alta

[Alexandre] Humhum.

[Sky] E isso,
ao ter
por extenso
como
descrição,
ou por exemplo
ser colocado
como
legenda alternativa,
porque pode-se
pôr a legenda alternativa
nas imagens.

[Alexandre] Sim, sim, sim.

[Sky] O que faz com que
quando se passa lá
mostra o texto,
facilmente
podia-se pôr na descrição
“legenda alternativa
disponível”.
E depois,
na legenda alternativa,
ter a descrição
dos símbolos.

[Alexandre] Exato.
E não é uma coisa difícil,
porque aquilo que eu notei
nos eventos
é que já era uma coisa
tão automática
que eu fazia…

[Sky] Humhum.

[Alexandre] …que se eu te disser
que às vezes
perdia dois minutos
com aquilo,
é muito.

[Sky] Exato.

[Alexandre] E dois minutos é o quê, num evento?

[Sky] E especialmente
se é
utilizado
num programa
como Photoshop
ou Canva
ou Affinity
ou Illustrator
ou seja o que for,
ao pôr os símbolos
na sua própria layer [= camada]
é só copy-paste [= copiar e colar].

[Alexandre] Exato.

[Sky] Por isso
cada vez que fazemos
um póster novo,
basta fazer copy-paste [= copiar e colar]
dos símbolos.

[Alexandre] É tão simples
que qualquer pessoa
consegue fazer
e que permite,
lá está,
mesmo numa situação
em que não temos
acessibilidade,
mas estamos a mostrar
publicamente
os níveis de acessibilidade
que temos,
porque não falamos
só de acessibilidade
para cadeiras de rodas
ou para pessoas
com deficiências
a nível motor.
Falamos de
cegueira ou baixa visão,
surdez,
falamos de
inclusão de pessoas
neurodiversas,
quando falamos
dos níveis de ocupação,
de ruído,…

[Sky] Exato.

[Alexandre] …de interação.
Incluir as pessoas.
E não é algo difícil
acho que é algo
que nós enquanto
comunidade
devíamos fazer
muito mais.

[Sky] Mas, ao mesmo tempo,
uma das minhas
maiores queixas
é que nós temos
de ‘tar sempre
a pesquisar isso.
Como pessoa
com deficiência,
temos de ‘tar
sempre a pesquisar
as coisas
e isso gasta
muito tempo.

[Alexandre] Ya.

[Sky] Eu, quando me questionaram
se houvesse alguma coisa
ou uma aplicação
que eu pudesse fazer
o que é que eu escolheria,
eu adorava
uma aplicação
em que simplesmente
as empresas em si
ou os utilizadores
acrescentam um evento
que ‘tão eles a fazer,
ou corrigir erros
que foi escrito
por empresas,
ou seja o que for,
e ter basicamente
uma lista
de todos os eventos
que estão a existir
neste momento
e se são acessíveis,
e se são
o que é que têm.
Tal como
na Bi Fest
e nos eventos
nós pomos os símbolos
todos,
ter esses símbolos
todos
por cada edifício,
por cada evento.
E assim…

[Alexandre] Por acaso
acho que é uma coisa
que podemos fazer
no próximo ano,
ter um índice
tipo dos locais
onde vamos ter os eventos
e indicar a sua acessibilidade
acho que é uma coisa que…

[Sky] Sim, por exemplo, se for na Bi Fest,
se for vários
sítios diferentes,
sim.
Fazer um índice
de todos os lugares,
seria muito facilitado.

[Alexandre] Porque assim as pessoas
também quando
vêem logo,
vêem o nome
“olha o sítio tal”
as pessoas já sabem
“ah eu vi no índice
que este era acessível”.

[Sky] E assim
é muito mais fácil.

[Alexandre] Sim.

[Sky] Porque assim,
especialmente se for publicado
antes do primeiro dia,
as pessoas vão lá ver
e já sabem
todos os dias
que podem ir.

[Alexandre] Exato.

[Sky] E isso facilita
imenso.

[Alexandre] sim, sim, sim. Completamente.

[Sky] Mas se pudéssemos fazer isso,
por exemplo,
numa aplicação
para tudo,
todos os eventos,
acaba por estar
atualizado
porque os próprios
utilizadores ‘tão
a atualizar.

[Alexandre] Exato.

[Sky] Porque tal como temos,
por exemplo
no google,
cada vez que um restaurante
ficou temporariamente
fechado
as pessoas…

[Alexandre] Avisam.

[Sky] …avisam
e depois o google
verifica.
Podia-se fazer a mesma coisa.

[Alexandre] Sim,
num âmbito colaborativo
em que várias pessoas
ajudavam.
Sobre as outras partes
que falávamos,
lá está,
tu enquanto pessoa Bi
sentes que há mais
visibilidade
atualmente?

[Sky] Sim.

[Alexandre] Podemos discutir
se é bom ou má.
De facto,
em comparação com
quando era criança,
sinto que há muito mais
atualmente e
que se fala.

[Sky] Muito, muito mais.

[Alexandre] Eu sinto que ainda há
muito por fazer.

[Sky] Claro.

[Alexandre] Porque há pessoas
que se queixam muito
de falta de visibilidade,
e com razão.

[Sky] É assim…

[Alexandre] Isto também depende
da perspectiva
de cada pessoa.

[Sky] Eu também ’tou falando
como uma pessoa
que vê mais
séries
americanas
e britânicas
e canadianas
e estrangeiras
em geral.

[Alexandre] Claro.

[Sky] Daí eu, tipicamente,
vejo muito mais
visibilidade.
Como eu não vejo
muito séries portuguesas,
eu não posso ‘tar
a dizer a minha opinião
em séries portuguesas.
E se calhar
como também
consomes muito mais
conteúdo Queer.

[Sky] Exato

[Alexandre] É normal que vejas
mais visibilidade
nesse conteúdo.
Lá está
uma coisa não é
inválida à outra.
Agora sabemos
que é preciso mais
visibilidade
e melhor,
porque…

[Sky] Claro

[Alexandre] Há exemplos
que nós sabemos “sim
há visibilidade”,
mas que a gente olha
e vê que não é
uma representação…
Enfim
E de pessoas Não-binárias
é uma das coisas
que tu ainda sentes
muita falta
como dizíamos.

[Sky] Acho que há muita falta,
sim.

[Alexandre] Mesmo em séries estrangeiras?…

[Sky] Exato.
É rara
a personagem
que eu encontro.

[Alexandre] Ok, nem mesmo por exemplo
cómics?
cenas mais indie,
aí se calhar
encontras alguma coisa?

[Sky] Aí encontras bastante,
porque existe muito
séries e cómics
e webtoons
feitos por pessoas
Queer,
com personagens Queer.

[Alexandre] Quando é fora
do mundo indie
sentes que…
E das poucas
que encontras
sentes que é uma
boa representação
ou ainda vejo
muita má representação?

[Sky] É assim,
até agora,
a representação
que eu vi
foi boa,
mas é porque
eu só vi
pouca representação
e foi principalmente
de séries,
principalmente,
que começaram
como indie
e foram depois
escolhidas
por grandes
enterprises [= empresas]
como a Amazon Prime.

[Alexandre] Humhum.

[Sky] Um bom exemplo
seria,
por exemplo,
eu acho que
o Hazbin Hotel
tem muita representação
Queer,
tal como a She-Ra
tem muita representação
Queer.

[Alexandre] Sim.

[Sky] Mas acho que
ambos começaram
como séries
muito pequeninas
que depois foram escolhidas
por grandes
sites de streaming
e, por isso, é que
tornaram-se tão populares
e têm tanta representação.
Séries que
desde o início
foram lançadas
por grandes empresas…

[Alexandre] Não sentes tanto?…

[Sky] A única que eu possivelmente
conseguia ver
é o
Umbrella Academy
em que,
quando o ator
saiu do armário
e disse que era
uma pessoa Não-binária,
acrescentaram também
a personagem como Não-binária
para a série
e foi uma transição
muito suave.

[Alexandre] Por acaso essa série
não vi,
mas por exemplo
a única
como estou a lembrar
assim…
Que não sei se
Heartopper,
eu sei que
uma das personagens…

[Sky] Eu sei que uma personagem
é Trans,
mas não sei se existe
uma personagem Não-binária

[Alexandre] É essa a minha questão,
porque eu sei que na série
a Tara,
numa das últimas temporadas,
ela entra
num questionamento
de género
e é agora
que eu não me
recordo totalmente
é se ela acaba
a identificar-se
como pessoa Não-binária
ou não.
Agora estou a ter esta branca,
porque já foi mesmo
nas últimas temporadas e…

[Alexandre] Eu nunca vi
Heartstopper.
Tentei ver
o primeiro episódio
ou dois,
não é muito…

[Alexandre] O teu estilo?

[Sky] Não.
É muito adolescente
para mim.
Tive mais o interesse
para séries
mais obscuras,
mais sérias.
Eu gosto muito
de fantasia
mas…

[Alexandre] É diferente…

[Sky] E adoro fantasia,
ainda hoje em dia,
só que
eu gosto muito é:
se for fofinho
é cartoon,
não pessoas.

[Alexandre] ‘Tou-te a entender. Então se calhar
és capaz de gostar
dos comics
de Heartstopper.

[Sky] Dos comics
talvez.
Eu sou mais
de, como eu disse,
Hazbin,
She-Ra…
She-Ra é mais fofinho,
o Hazbin já é
para maiores de 18.

[Alexandre] Sim o She-Ra
eu cheguei a ver alguns
com a minha irmã.
o Hazbin ainda não vi

[Sky] O Hazbin é
para maiores de 18.

[Alexandre] Está na minha lista,
eu tenho que ver,
porque já vi
que é muito engraçado.

[Sky] Ainda acima ‘tão
neste momento
a lançar a temporada 2,
dois episódios
de cada vez.

[Alexandre] Oh meu deus.

[Sky] Por isso…
Já que estamos a aproveitar
e falar de entretenimento,
séries,
vamos aproveitar
a falar de eventos,
os nossos próximos eventos.

[Alexandre] Exato,
é uma excelente ideia.
Ora bem,
para já,
de 29 de Novembro
a 1 de Dezembro,
já temos data oficial,
vai ser o
QueerNatal
Lisboa,
o evento
de mercadinho de Natal
Queer
e de artes
e artesanato.

[Sky] A partir das 6 da tarde
vai ser o
Queer Market
After Dark.

[Alexandre] Exato.
E vamos ter
performances,
workshops,
possivelmente
algumas sessões de D&D.

[Sky] Possivelmente sim.

[Alexandre] Acho que é uma coisa boa.
Quem não conseguiu ir à do Bi Fest,
venha agora,
que terá essa oportunidade.
E vai ser isto
vamos ter associações,
artistas Queer,
aliados.
Vamos ter um bar lá a funcionar
com comida e bebida.
No Impact Hall
na Penha de França,
nós vamos deixar
todos os detalhes
depois na descrição
e brevemente
no site do Biologar
e no site específico
do queernatal.bialogar.pt .
Como disse
de 29 de Novembro
a 1 de Dezembro
em Lisboa.

[Sky] Caso exista alguma pessoa
que esteja a ouvir
que esteja interessade,
sim
o Impact Hall
é um sítio acessível
tanto na entrada
como todas as salas
que vamos ‘tar a utilizar
incluindo uma casa de banho
que permite
pessoas com
mobilidade reduzida

[Alexandre] E para quem tenha
mobilidade reduzida
no site iremos colocar
como chegar ao local
os melhores percursos.
E depois,
em Janeiro,
vamos ter finalmente
em Lisboa
a exposição do Bi Fest
“Dar visibilidade
à Invisi.Bi.lidade II”,
exposição de Visibilidade
Bissexual,
que vai estar
no Centro LGBTI+.
de Lisboa.
Iremos divulgar,
assim
tão depressa
quanto possível,
as datas.
O nosso próximo episódio
será gravado
ao vivo
no QueerNatal.
Ainda não sabemos
qual é o dia,
estamos à espera
porque será com outra
co-apresentadora nova.
Mas, assim que tivermos
também essa novidade
iremos dizer,
pra quem queira
estar presente e
iremos estar a entrevistar
pessoas das bancas
e pessoas presentes
no QueerNatal.
E sairá depois
nas plataformas
no dia 12 de Dezembro.
Até lá fiquem bem
e…

[Todes] Venham Bialogar connosco!

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