#21 – Da Serra à Lua, a Luta continua!

No mês do Orgulho falamos sobre a importância dos coletivos LGBT+ fora dos grandes centros urbanos, dos grupos de apoio, do ativismo comunitário e das marchas, no apoio à comunidade LGBT+ e na construção duma sociedade mais plural e justa para todas as pessoas. Falamos também de situações de discriminação e perseguição sofridas por pessoas Queer, bem como dos ataques feitos à comunidade. Aproveitamos ainda para falar do trabalho ativista do SintraFriendly e da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Sintra, que este ano terá a sua 5.ª edição a dia 4/Julho.

Tudo isto na companhia da Catarina (ela/dela) e do Pedro (ele/dele), ativistas e membros do SintraFriendly.

Participem também nos comentários. 🦄

Venham Bialogar connosco! 💗💜💙

Publicação: 12/06/2026 | Duração: 45min 24s | Produção: 7,5h | Legendas: no YouTube
Avisos: Contém menções de homofobia, violência (física e verbal), violência LGBTfóbica, bullying e ideação suicida. Contém breves menções de bifobia, perseguição, morte e processo de “saída do armário”.

As pessoas convidadas deste episódio foram a Catarina Rosa (ela/dela): mulher Bissexual, artista, atriz, diretora, ativista e membro do SintraFriendly; e Pedro Silva (ele/dele): homem Gay, ativista, criador e dirigente do SintraFriendly.

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Personalidades

  • Catarina Rosa: Mulher Bissexual Portuguesa, artista, atriz, diretora, ativista e membro do SintraFriendly.
  • Pedro Silva: Homem Gay, ativista, criador e dirigente do SintraFriendly.

 

Eventos e Datas

  • 5.ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Sintra: 04/Julho/2026.
  • 1.ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Sintra (em 2022).
  • Festival Eurovisão da Canção.
  • Festival da Canção.
  • Arco-Íris no Jardim.
  • Dia Mundial Gótico: 22 de Maio.
  • 17.ª Marcha da luta contra a homofobia e transfobia de Coimbra: 17/Maio/2026.

 

Associações, Coletivos e Grupos de Apoio

(em edição)

[Alexandre] Alô, alô. Sejam bem-vindes a mais um episódio do podcast de Bialogar.
Eu sou o Alexandre.

[Sky]
Eu sou Sky.

[Catarina]
Eu sou a Catarina.

[Pedro]
Eu sou o Pedro.

[Alexandre]
Hoje temos connosco o Pedro, fundador e dirigente do SintraFriendly,
homem Gay e ativista.

[Sky]
E nós temos a Catarina, que é diretora, atriz e ativista
e mulher Bissexual.

[Alexandre]
E também membro do SintraFriendly.
E se calhar começamos por aí, por falarmos do ativismo e da importância do SintraFriendly
como núcleo LGBT local, neste caso, do Concelho de Sintra.
E começava por te perguntar, Pedro, o que é que vos motiva…
Pedro e a Catarina, o que é que vos motiva neste ativismo
enquanto membros do SintraFriendly?

[Pedro]
Bom, como muitos projetos que ‘tão a surgir na atualidade
pensados para a comunidade LGBT fora dos grandes centros,
Sintra não é exceção.
Porque, neste caso, na grande periferia,
existe também uma grande comunidade LGBT que está presente,
mas não tem, dalguma forma, uma certa representatividade
ou um espaço de apoio, de ativismo, de quebra de isolamento,
dessa necessidade de convívio.
E é nesse sentido que também pretendemos dar resposta,
para além depois do facto também de queremos lutar,
continuar a lutar, pelos nossos direitos naquela zona também,
fazendo com que a nossa voz faça-se ouvir no poder local também,
para, precisamente,
mostrar que a comunidade LGBT está presente, está viva,
e que não se deixa ir abaixo, por seja qualquer adversidade.
E acho que o importante também aqui dizer
é o facto de, hoje em dia, vivemos com muitas dificuldades,
seja por causa da legislação, por causa do poder político, etc, etc.
Nós não desistimos.
E é um pouco aquela máxima que eu adoro nas marchas,
que eu faço questão sempre de dizer,
que é “calados nos querem rebeldes nos terão” sempre.
E é muito nessa premissa que também fazemos o nosso trabalho,
e assim vamos continuando a aprender e a evoluir.

[Catarina]
Sim, e mostrar também que o SintraFriendly é um espaço seguro
para todas as pessoas que quiserem se juntar às atividades,
que agora o Pedro também tem dinamizado muitas ideias,
com piqueniques e assim,
para a malta começar a juntar também,
porque como é um sítio “mais pequeno”,
entre aspas, na comunidade,
para as pessoas se conhecerem também,
e para se poderem juntar em convívios diferentes,
que acho que é muito necessário,
também nesta altura que ‘tamos a viver,
e para, pronto, lá está,
encontrarem não só um espaço seguro,
mas também se irem conhecendo uns aos outros.

[Alexandre]
Criarem também esse senso de comunidade,
que é bastante importante.

[Catarina]
Exato.

[Sky]
Porque uma pessoa Queer, se não tiver eventos,
ou alguma coisa a motivá-los a sair,
têm muita tendência a de isolar-se a si próprios.

[Pedro]
Completamente.
E acrescento até que,
até conseguirem sair,
para ir ao encontro,
desses espaços, desses eventos e dessas iniciativas,
muitas das vezes, e por ser também na periferia,
não acontece logo de imediato,
porque ainda há uma certa incerteza,
se… terem certeza que realmente é um espaço seguro ou não,
mas também pelo facto de estarem muitas vezes inseridos
em núcleos familiares
que sejam dalguma forma homofóbicos
ou que criem ali algum tipo de conflito
e que não sejam tão de mente aberta.
E isso também é mais um fator a ter em conta.
E muitos jovens em querer ou poder sair das suas casas,
onde residem,
para frequentarem esses espaços,
para conviverem com outras pessoas que também pensam como eles,
porque acima de tudo, não é só o ativismo em si.
Muitas das vezes começa por ser um ponto de encontro,
um espaço onde eles se sentem seguros,
como aqui foi referido, e muito bem,
mas também para poderem conviver,
porque,
muitas das vezes,
esses jovens vivem completamente isolados.
É verdade que ainda existem aqueles meios virtuais,
mas o que muitas das vezes,
e por norma,
é necessário,
é haver uma necessidade de ter um espaço físico,
presencial,
e isto sentiu-se ainda mais com o desconfinamento
que houve por causa da pandemia há uns anos atrás.

[Sky]
Sim.

[Pedro]
Houve a necessidade de ter mais coisas presenciais…

[Alexandre]
criar laços humanos,

[Pedro]
Exatamente! Criar laços humanos,
laços de amizade,
porque também foram muitos meses fechados em casa,
o que aumenta também outros problemas,
e é por isso que é preciso sair de casa,
para poder conviver e fazerem alguma coisa,
pensada pra eles,
por pessoas também pensam como eles.

[Sky]
Sim.

[Catarina]
E temos um exemplo também muito familiar,
que ambos sabemos,
que temos um amigo nosso,
que quando nós entrámos para um núcleo LGBT,
disse que, basicamente,
o amigo queria terminar com a sua vida por conta dos pais,
e já ’tá nos seus 30 anos,
que não aguentava mais,
e que esse nosso amigo disse,
“calma, nós vamos conseguir encontrar um espaço seguro
para tu te sentires bem e sentires-te incluído”.
E eu acho muito necessário estes espaços,
porque não é só os jovens,
é assim toda a comunidade.

[Alexandre]
Sim.

[Catarina]
Porque é muito difícil para as famílias,
às vezes,
também saberem como lidar.

[Sky]
Exato.
E acho que é muito importante
haver esse apoio também às famílias,
pelo menos às pessoas que ‘tão interessadas,
mas também terem atenção
que não é só os jovens que estão a sofrer, mas
também as pessoas adultas,
porque isto foi um caso que nos chocou imenso,
porque nós estamos ali,
numa reunião, tipo “ok, tá tudo bem,
vamos aqui lutar pelos nossos direitos”
e depois sai esta bomba do género
“ok, tem um amigo meu que ’tá a contar com um espaço seguro,
se houver um espaço seguro,
ele vai continuar”.

[Sky]
Mas às vezes,
mesmo o espaço seguro pode parecer
assustador,
porque, por exemplo,
se for um lugar duma associação,
é um bocadinho logo
“exagerado”, digamos.

[Pedro]
Às vezes ser uma coisa demasiado formal
e não tanto uma coisa informal,
que é por aí essa linha

[Sky]
Exato.

[Pedro]
que pode ajudar com todo o processo.

[Sky]
Mas eu noto que eu própria, como pessoa que não sabia
que havia eventos, comunidade Queer,
perto de mim até
muito depois de me ter
juntado
e feito isso tudo,
foi graças à zona digital,
é verdade, mas
eu notei que a maneira mais fácil
de abranger é ir por temas
não relacionados, mas ao mesmo tempo relacionados.
Ou, por exemplo, como disseram os piqueniques,
‘tão a ir pelo piquenique, mas também é
com pessoas Queer;
noites de jogos, foram por causa dos jogos,
mas conheceram pessoas Queer;
fica relacionado,
mas não parece tão assustador, porque eles
têm sempre uma opção secundária
para a razão porque vão lá.
E isso faz com que seja menos
assustador.

[Catarina]
Exato.

[Alexandre]
E são até ambientes em que, lá está,
como não é totalmente relacionado,
até há uma carga diferente.
Porque mesmo nós estando a criar um espaço seguro,
há muitas pessoas que na sua primeira
abordagem ainda estão a desconstruir homofobias
internalizadas, bifobias internalizadas,

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
transfobias internalizadas
e o todo
o preconceito que sofrem em casa e muitas das
vezes é também o impacto de chegares a esse espaço,
estão a discutir temas muito à frente
ou têm programação,
ou coisas que não é necessariamente
aquilo que a pessoa está a procurar naquele momento,
a pessoa está a procurar um espaço de acolhimento.

[Sky]
Sim, às vezes é reuniões sobre como
falar sobre futuras legislações que ‘tão
a tentar aprovar.

[Alexandre]
Sim, sim, sim.

[Sky]
Ou organizar eventos de marchas
e protestos e uma pessoa chega ali
pela primeira vez e é um bocadinho assustador.

[Alexandre]
Exato. E lá está
a questão do piquenique ou uma sessão de jogos
permite a pessoa ter uma situação, lá
está, diferente. E nós
conhecemos muitos exemplos. Aliás, eu próprio
quando comecei a frequentar o Centro
LGBT, eu estava a sair do armário
para algumas pessoas, mas eu frequentava no sentido de
“olha, há uma noite de jogos” e a Naomi
convidava-me para ir com ela.
E isso cria um espaço em que
tu te sentes confortável a estar ali e vieste
porque vieste a acompanhar alguém.
Até muitas pessoas fazem isso, vão a uma marcha
a acompanhar alguém.

[Pedro]
Eu vi isso também, para a necessidade
das noites de jogos, até noites de Karaoke, porque
a ILGA e o Centro LGBT promovem imensas
iniciativas para diferentes públicos,
o que é muito bom, porque hoje em dia também
conseguir ter essa capacidade, não é que qualquer
pessoa ou qualquer grupo que consegue fazê-lo.

[Sky]
Exato.

[Pedro]
Mas isso também
tem uma coisa também muito boa,
é que o sítio onde são
realizadas essas iniciativas em específico
da ILGA, são no centros LGBT que também
tem um barzinho. Portanto, acaba por criar-se
ali um ambiente muito
friendly [= amigável].

[Sky]
E até fora da ILGA…

[Pedro]
E até têm um piano, que se alguém quiser ali tocar,
’tá à vontade.

[Sky]
Sim.

[Pedro]
E a malta
que ’tá no bar, são pessoas
que não são só os ditos “empregados
de bar”, são mesmo pessoas que estão lá
também da comunidade.

[Alexandre]
E são voluntáries.

[Pedro]
São voluntáries,
portanto, também têm formação.
E recebem qualquer pessoa de braços abertos, o que é
muito bom, como tu referiste há pouco,
que às vezes está a haver uma iniciativa para
discutir alguma coisa, não sei quê, às vezes as pessoas chegam lá pela
primeira vez, assustam-se um bocado.

[Alexandre]
Sim.

[Sky]
E até mesmo, pela primeira vez, num sítio
como “noite de jogos”, quando
podem ser a pessoa nova,
toda a gente quer saber a pessoa nova.

[Catarina]
É!

[Sky]
Às vezes até isso pode ser
assustador.

[Catarina]
A apresentação.

[Pedro]
É, porque a pessoa sente ali uma certa
pressão.

[Sky]
Exato. Por isso é que, por exemplo,
a minha primeira interação foi o Arco-Íris no Jardim,
porque eu sabia que a qualquer momento, se eu quisesse sair,
podia me ir embora.

[Alexandre]
Exato.

[Sky]
Porque era um sítio ao ar livre. Mas foi
através daí que depois levou-me
ao coro,
que depois levou-me ao próprio
centro e por ali além,
que até chegou até agora ao podcast.

[Alexandre]
Exato.

[risadas]


[Catarina]
Há muitas pessoas que…

[Pedro]
Eu posso dizer
que, por exemplo, até
agora recentemente, quando nós
há uns meses fizemos
a nossa tertúlia anual sobre
Transsexualidade, tem
sempre gente nova que vai pela primeira vez.
Mas este ano teve
um mar de gente. Eu posso vos dizer que
tanto é até a nível no painel, que não estávamos a contar
que tivéssemos quase toda a gente
confirmada, mas
foi boa na mesma, porque torna também
a própria iniciativa o mais plural possível,
o que é sempre muito bom e positivo. Mas até nível
de público ‘tava imensa gente:
muita gente nova que ia lá pela primeira vez,
até jovens, mesmo muito jovens.
O que é bom.
Mas é uma iniciativa que
também ajuda já nesse sentido
a pessoas que venham
pela primeira vez. Há uma coisa
do SintraFriendly, seja algo
que também diz muito sobre ti,
sobre si. Ou seja,
são iniciativas das quais
muitos jovens hoje em dia
debatem-se muito duma maneira ou doutra,
porque são sobre
questões Trans, que é algo que
também, por causa de
muitos projetos de lei
recentemente que estão a ser discutidos
no Parlamento,
faz esta… crescer mais
esta necessidade de falarem e
encontrar o espaço onde o podem fazer livremente
sem qualquer
entrave nem nada, é muito importante.

[Sky]
Sim.

[Pedro]
E o facto de estar
a ser frequentado por jovens, mesmo muitos jovens
é bom. Portanto,
eles já sentem à vontade para poder sair
e ir nestas iniciativas.
Mas também prova cada vez mais
que os jovens
Trans existem, por exemplo.
Ou que há esta necessidade mesmo de criar
pontos de convívio, pontos
de encontro, para construir
laços de amizade, de ativismo, de quebra
de isolamento, para realmente para todos os jovens.
E, tendo em conta
o panorama
político-social que vivemos no nosso país,
é
cada vez mais necessário
este tipo de espaços e este tipo de iniciativas.
Porque é também uma forma,
muitas vezes um pouco informal,
de lutarmos pelos nossos direitos.

[Sky]
Humhum.

[Pedro]
Porque são também nestes tipos de iniciativas
de tertúlias e conversas que
permite também a gente aprender
com a experiência dessas pessoas
e, ao mesmo tempo, nós também
podermos saber como é que podemos
trabalhar juntes para um ativismo
que vá exatamente
para onde é que devemos ir e como devemos ir.
Porque, muitas das vezes, esta luta,
especialmente quando a luta é interseccional,
é necessário que a gente, que
trabalhemos todes em parceria, para que mais facilmente
conseguimos comandar o barco,
como se costuma dizer.

[Sky]
Exato.

[Catarina]
E para as pessoas também, por exemplo,
não sabem bem onde se encaixam e
chegar a um espaço e conseguirem-se descobrir.
Por exemplo, eu fui a um
aniversário que realmente
me marcou imenso e eu acho que isto aqui
não me vai sair da cabeça nunca.

[Alexandre]
Humhum.

[Catarina]
Todas as pessoas ali
eram Lésbicas, menos uma
mulher que era aniversariante.
Mas apareceu um menino,
uma criança, e ‘tava lá eu
e mais dois amigos meus,
eles são Gays, eram um casal.

[Sky]
Humhum.

[Catarina]
E o menino começou-se a aproximar
de mim e disse assim
“Tu gostas de meninas?”.
Eu disse assim “gosto de meninas e meninos”.
“Posso falar contigo?”
Ele tinha 11 anos.
Ele disse assim
“Eu tenho uma bandeira que tem 3 cores.
Eu sou Bi. Eu acho que sou Bi.
A minha mãe deixa-me ser Bi.
A minha mãe deixa-me descobrir.
Só que eu só me apaixono por meninos.
Mas eu acho que para já,
na minha idade, eu posso ir com
calma para descobrir
do que é que eu realmente gosto. Mas eu queria
muito falar contigo porque é tão bom
ter pessoas que nos compreendam!”.
Uma criança a dizer isto.
“Eu gosto muito de meninos.
E eu acho que também gosto de meninas.
Mas é tão bom saber
que tem aqui gente que me percebe
e que também tem a mesma bandeira que eu.”
Uma criança a dizer isto.
E o pensamento de, caramba,
“quem me dera ter crescido
com isto do: podes ser aquilo
que tu quiseres”.
E foi lindo. Foi mesmo…

[Sky]
É assim, eu não vou dizer nomes para
a privacidade deles, mas
eu tenho alguém
que é uma psicóloga
Lésbica, que tem um filho.
A criança tem ido à
a marcha de Lisboa
desde que nasceu
e a partir de, eu
acho que é aos 3 ou 4 anos começou a ir
à marcha do Dia da Mulher.
E ainda hoje, com 8 anos,
faz a marcha do Dia da Mulher todos os dias
com orgulho. E isso
para mim é o que me dá muita esperança
das próximas gerações.

[Catarina]
Das próximas, sim.

[Pedro]
Isso também.
Estas experiências faz-me recordar
uma que eu também nunca mais hei de esquecer precisamente
quando fizemos a primeira marcha.
Houve uma criança de 12 anos
que fez o seu coming out [= saída do armário]
ao lado da mãe
no momento do microfone aberto.
Ou seja, normalmente as marchas quando acontecem
há um percurso previamente definido onde
tá tudo ali a gritar gritos de guerra
e depois terminamos no ponto final da marcha
onde há a leitura do manifesto
depois normalmente pode haver a leitura do manifesto
de cada membro da comissão organizadora
e depois há um momento de open mic
que é o microfone aberto.
E durante esse momento, na primeira marcha
que já foi há…
Isto foi em 2022, portanto foi há 4 anos,
houve uma criança de 12 anos
que fez o seu coming out
com a mãe ali ao lado. A mãe já se sabia,
porque às vezes o sentido
da maternidade e tudo isto…

[Alexandre]
Há conais que se notam.

[Pedro]
Há sinais que sempre se notam.

[Sky]
Humhum.

[Pedro]
Felizmente ‘tava com sorte,
porque para a mãe ‘tar ali presente e lidar muito bem com aquilo
obviamente que é uma pessoa com uma mente
muito aberta, o que é fantástico.
Mas a criança ‘tar ali a fazer aquele processo
de coming out no microfone aberto
para nós foi uma alegria imensa.
E depois eu lembro-me até que inclusivamente
fomos todos abraçar essa miúda.
A mãe ficou até a chorar porque finalmente
havia um espaço, ou seja, lá está remete-me
para aquilo que ’távamos a falar no início
a necessidade de haver espaços
na periferia e fora dos grandes centros.
E isso é só mais uma demonstração
do quão é necessário.
Lembro-me até que na altura, na primeira marcha de Sintra, também foi falar
uma rapariga a chorar porque tinha
um amigo Trans
com uma deficiência,
que eu agora já não me recordo qual era,
que vivia
muito com muitos problemas,
porque sendo um homem Trans também tinha,
entre outras coisas, também a necessidade de usar um…

[Alexandre]
Um binder.

[Pedro]
Um binder e não tinha um binder
e eu lembro-me que houve alguém que estava ali a ouvir aquilo
ofereceu um binder que tinha guardado.

[Sky]
Oooh!

[Pedro]
E foi lá, foi aquele abraço tipo
daqueles programas, daquele programa do Henrique Mendes
que dava há muitos anos atrás que era o “Ponto de Encontro”
que aquilo era uma choradeira a dar abraços e não sei quê.
Ou seja
as marchas também têm muito isto
que é um momento de
de liberdade,
um momento de deitar cá pra fora
toda aquela raiva que sentem.

[Sky]
Exato.

[Pedro]
Toda aquela discriminação que se vive
todos os dias do ano, seja de dia
seja de noite, na escola
em casa, na rua, no mercado de trabalho
e é por isto que também fazemos as marchas.

[Sky]
E mesmo assim só pra poder falar
com as pessoas
sobre os assuntos já faz
diferença, porque
posso dar um exemplo:
o meu parceiro nem sequer
sabia o que era ser Queer
até me conhecer.
E agora
sabe que ele próprio é Queer,
mas nunca me hei de esquecer da voz dele
num telefone a virar assim
“pera, então eu não estou maluco”,
de basicamente
saber que isso é normal.

[Pedro]
Lá está.

[Sky]
Oh pá!

[Pedro]
Porque é muito cultivado
não só nos mass media [= principais meios de comunicação],
mas também
na educação em casa:
somos considerados doentes.

[Sky]
Não é essa a questão, é porque
ele era, e
infelizmente ainda
é, num país em que
é pena de morte.

[Pedro]
Ok…

[Sky]
E por causa disso…

[Pedro]
Ainda tm outro…

[Sky]
Tem o prisma de
nem sequer existir
a mencionar
o que aquilo é.

[Alexandre]
Sim. E quando tu não tens palavras
para aquilo que sentes e não é falado
livremente, tu acabas a viver
a achar que há algo de errado contigo.

[Sky]
Exato! Exatamente!

[Catarina]
Isso foi o que eu vivi.

[Pedro]
Também, também.

[Catarina]
Isto foi o que eu vivi,
porque eu sou dum sítio
muito pequeno, sou duma
aldeia e não havia
um meio termo, ou és Gay
ou és hétero, ponto final.
E eu sentia ali uma coisa dentro de mim
que eu era assim “não, eu não posso gostar de mulheres
se calhar é só uma admiração
acho tipo, é bonita a rapariga, é uma admiração
porque eu gosto de homens, não”.
E isto até muito tarde, até eu entrar numa escola
de teatro e perguntarem: o que é que tu és?
E eu “hétero!”. E eles todos
“o quê? Tu?”.

[risos]

[Pedro]
Sim, essa velha história,
oh my gos!

[risos]

[Catarina]
Depois quando eu soube, tipo, quando eles disseram
“não, eu sou Gay”, “eu sou Bi”, não sei quê,
depois tipo, quando eu me assumi, eu fiquei tipo
tão… Eu mesma chorei.
Tipo “não, eu gosto de mulheres”,
mas eu não me assumi assim, eu fui logo
“eu não gosto de mulheres, eu gosto desta mulher
só”. [Sky, Alexandre e Pedro] Huuum.

[Sky]
Tipo, exceção à regra

[Catarina]
sim, é só uma exceção, tipo, é só ela.
Tipo, eu sou hétero. Só que pronto…

[Pedro]
São os ditos “hétero flexíveis”
ou então, ou é Bissexual
só que não o quer dizer porque tem medo do preconceito.

[Sky]
Ou Bi-curioso.

[Catarina]
É, é Bi-curioso.

[Pedro]
É como certos políticos que de dia eles legislam contra nós,
mas depois à noite entopem o Grindr

[Alexandre]
Ah, com isso…

[Pedro]
Ah ooh pá!

[Alexandre]
Isso nas conferências do partido do Trump
lá nos Estados Unidos
o Grindr fica entupido.

[Pedro]
E num certo partido também em Algueirão-Mem Martins.

[risos]

[Sky]
Não, mas já aconteceu que foi
o que ‘tavas a falar no partido do Trump
foi: havia uma conferência
que era várias pessoas de direita
de vários partidos
e o grinder…

[Alexandre]
Crashou o sistema.

[Sky]
Crachou o sistema.

[Catarina]
Pá, mas o Trump
recebe muitos amigos
a dar assim um chapadão
em partes íntimas. [sarcasmo]

[Pedro]
Então, ele está sempre a dançar:
isto é como aquele despertador
que marcas a hora e nunca falha.
Então, quando passa aquela música,
que durante muitos anos se achava que era uma música,
um hino Gay,

[Alexandre]
O YMCA.

[Pedro]
O YMCA,
que depois, recentemente,
também por causa da cena do Trump,
eles vieram ao público a dizer
demonstraram claramente
que eram um pouco homofóbicos
e inclusive também disseram que a música YMCA
não era nada para o público Gay,
só que toda a gente…

[Sky]
Mas eles
era o estereótipo…

[Alexandre]
Exato.

[Sky]
…das várias facetas…

[Pedro]
Sim, sim, exatamente!

[Sky]
…na altura.

[Pedro]
Exatamente!

[Sky]
E eles criaram a sua popularidade
com a comunidade Queer.
Só que agora que eles têm
poder e fama
já podem,
como se já aproveitaram,
já não precisam
da comunidade.

[Catarina]
Agora já não precisam, Exato.

[Sky]
Aproveitaram-se.

[Alexandre]
É como aquela outra cantora
também no Brasil,
que tá-me a esquecer o nome
mas que nem vale a pena,
mas que também cresceu
à volta da comunidade LGBT.

[Catarina e Pedro]
Aaaaaah!

[Alexandre]
Já estão a ver quem é, não é?

[Catarina]
E não só, também a outra…

[Alexandre]
E que agora se aliou ao Bolsonoaro.

[Catarina]
Também a outra
nos Estados Unidos
que era uma…

[Sky]
Eu por acaso conheço
mas é ao contrário:
que era alguém
que era homofóbico
durante a maior parte da vida…

[Catarina]
E depois…

[Sky]
…e depois, devido a ter um familiar
que era Bi,…

[Catarina]
Olha! Aconteceu isso comigo!

[Sky]
…começou a se educadar no assunto
e agora…
Eu posso abertamente dizer isto,
porque isto é informação pública,
era o
Whindersson Nunes.

[Catarina]
Ok.

[Sky]
Como é que eu sei?
Porque ele convidou
o Coro da Ilga
para atuar no concerto dele
do Porto,
e nós estamos
na Netflix
com o nome
Coro
Colegas LGBTI
nos próprios crédito,
com os nossos nomes individuais
e tudo.

[Pedro]
Extraordinário!

[Sky]
E eu ver ele
ter aceitado a irmã
e começado a ajudar
as pessoas do Brasil
e as organizações do Brasil
doando dinheiro
e educando-se a si próprio
e aos outros,
e depois vir a Portugal
e convidar
grupos Queer
e tudo.

[Catarina]
Sim!

[Sky]
Oh pá!
Eu gostei de ver
essa faceta.

[Pedro]
Isso inspira!

[Sky]
Exato!

[Pedro]
E, por acaso,
também faz-me um pouco lembrar
um caso recente,
só que ainda estou um pouco
de pé atrás,
porque ainda quero ver…
Porque às vezes,
durante tantos anos,
são tão homofóbicos
e depois de repente
às vezes nem é bem de repente
é um processo
que depois vai lá.
Mas depois
começam a ter um comportamento
diferente,
o que é bom,
ok
é sinal que acordaram,
mas muitas vezes
a pessoa fica sempre
de pé atrás,
principalmente as pessoas
são LGBT,
porque são as que mais
sofrem com os problemas.

[Alexandre]
Claro.

[Pedro]
Nós temos um caso oficial,
pronto,
também é uma coisa
que é pública
que também posso falar,
que é o Chicão,…

[Alexandre]
Humhum!

[Pedro]
…que foi durante
algum tempo
presidente dum partido
político
e que agora
está a tomar
uma posição
muito
de mente aberta
que fala abertamente
não só sobre isto
e que…

[Alexandre]
Ele próprio
já falou sobre isto,
precisamente,
que se educou bastante
e já admitiu
que no passado
as opiniões que teve
partiam dum lugar
de ignorância
e de falta de conhecimento.

[Sky]
OK.

[Pedro]
Muitas vezes esse lugar…

[Alexandre]
O que demonstra a necessidade
do ativismo.

[Sky]
Humhum!

[Alexandre]
E de,
lá está,
de fazermos
por passar
estas informações,
projetos como o nosso
e como o vosso,
passar estas informações,
criar estes espaços.
Porque,
falavas há bocado
na Tretúlia,
isso é muito bom
também para quem lá vai
para se descobrir,
mas também é bom
para quem vai
e vai aprender
alguma coisa,
porque é nesses espaços
que a gente desconstrói…

[Pedro]
Sem dúvida!

[Alexandre]
…preconceitos.

[Pedro]
E este ano
teve muita gente
precisamente
porque a comunidade Trans,
que infelizmente
sempre sofreu
com
com um grande
preconceito também,
mas este ano
também foi um boom [= aumento}
de pessoas presentes,
porque realmente
nos últimos meses
tem sido
muito difícil
para a nossa comunidade,
em especial
para as pessoas Trans,
Não-binárias e
Intersexo,
com os projetos de lei
que andam por aí.
E também pelo facto
que a nível social,
não só em Portugal
mas no mundo,
mas obviamente em Portugal
porque é daqui
que também estamos a falar,
que hoje em dia
as pessoas
acham-se no direito
de poder falar
ou poder escrever
o que quer que seja
e saírem impunes,
porque sabem
que não lhes vai acontecer nada,
porque sabem
que o podem fazer…

[Sky]
Acham que o podem fazer!

[Pedro]
Pois,
supostamente isso, né?!

[Sky]
Porque é assim…

[Pedro]
Porque depois
temos um grande problema
que até pode-se fazer queixa,
pode-se até…
mas depois acaba
e não acaba em nada.

[Catarina]
Não vai acontecer nada.

[Pedro]
E nós no SintraFriendly já nos aconteceu
várias vezes isso.

[Sky]
O que acontece é:
eles pensam assim
“temos o direito
à expressão
e o direito
à palavra”,
daí pensam que
podem dizer
o que quiserem.
Mas a verdade é que
as pessoas esquecem
é:
tens direito
à expressão
mas não significa
que é sem consequências.

[Alexandre]
Exatamente.

[Pedro]
Porque quando a
liberdade de expressão
é feita de forma abusiva…

[Alexandre]
Sim, sim, sim.

[Pedro]
…que é o que acontece,
isso já não é liberdade de expressão
isso já é…

[Alexandre]
É libertinagem.
E não é só por aí.

[Pedro]
É!…

[Alexandre]
E não é só por aí.
É: tudo, tudo, o que nós fazemos
tem consequências.

[Sky]
Humhum.

[Catarina]
Exato.

[Alexandre]
E pode…
Portanto:
eu posso
chegar à rua
e se calhar
insultar-te a ti Pedro,
mas tu podes agarrar
e pôr-me um processo
em tribunal lá em cima,
porque eu não tenho nada
que sair à rua
e insultar-te a ti
ou quem quer que seja.

[Sky]
Porque tu tens o direito
a expressar-te
mas basicamente
diz
tu tens o direito
a escolher
o que queres fazer,
mas depois
o que tu escolheste
tem consequências.

[Alexandre]
Exatamente,
boas ou más.

[Sky]
É direito à escolha.

[Pedro]
E Mesmo que não te agrades
com a opinião de alguém,
não tens que recorrer
a uma insulto.
Há formas subtis.

[Catarina]
Mas mesmo sem se falar…

[Pedro]
E às vezes abordagens.

[Catarina]
Às vezes
o ‘tar de mão dada
com uma pessoa
do mesmo género
é sinal de ires
para a frente
e te atacarem
e espancarem…

[Alexandre]
Sim, sim, sim.

[Pedro]
Eu lembro
quando na primeira marcha
de Sintra…

[Sky]
Nem precisas de chegar a esse ponto…

[Catarina]
Pois não.
Às vezes só a imagem

[Sky]
Não, não.
Só da maneira
que tu tens o teu aspeto.

[Catarina]
É isso.

[Alexandre]
sim, sim, sim

[Pedro]
Ah sim.

[Alexandre]
Como te vestes,
como te pintas.

[Catarina]
Então, infelizmente
eu tenho um amigo meu
que simplesmente
foi espancado
por ser Gay.

[Alexandre]
Sim.

[Catarina]
Teve que estar internado
com pontos e tudo.
Onde nós estamos a chegar!

[Sky]
Eu digo isto
porque, infelizmente,
ainda hoje
todos os anos
nós,
porque foi recentemente,
que não é Queer
mas é
perto,
que é uma minoria,
foi o
o Dia
Mundial Gótico
nós todos os anos,
nós
juntos,
fazemos a perda
da Sophie Lancaster,
que deu à organização
Sophie,
que para quem não sabe
só porque ela
era uma pessoa gótica
ela e o namorado
foram espancados
e foram os dois
para cuidar intensivos
e ela faleceu.
Eu, felizmente,
não convivi com um caso
desse extremismo,
mas durante
anos e anos,
no meu tempo de escola,
principalmente ali
no básico
e perto do secundário,
foi numa altura
em que havia
muitas pessoas góticas ou
com o cabelo mais escuro
com uma roupa escura.
Pronto
com o estilo
tipicamente gótico e que
eu tenho pena
que eu até gostava.

[Sky]
É o estilo alternativo,
chama-se estilo alternativo.

[Pedro]
Alternativo e
depois era o estilo punk
em que usavam
aquelas coisas na cabeça.
Eu até achava alguma piada.
Só por ser diferente
eu adorava aquilo.

[Sky]
A razão porque eu digo isto…

[Pedro]
E na altura já havia
esse preconceito.

[Alexandre]
E bullying.

[Pedro]
Sim.

[Sky]
Sim. A razão porque eu digo que era
o estilo alternativo
é porque
o gótico é uma subcultura,
não é só um estilo.
Tem os seus próprios
ideais
e política.

[Pedro]
Sim, acredito, sim.

[Sky]
E tudo isso
relacionado.
Porque primeiro
foi originalmente
começado nos anos 60
por música,
porque é uma subcultura
à base de música
que depois levou ao estilo,
mas nós dizemos sempre
que o gótico
é o filho do punk.
Tem ideias
de todos são os iguais
e todos têm de ser tratados.

[Alexandre]
Yap!

[Pedro]
É engraçado que
e precisamente
nesse meio gótico
é onde encontrei também
muitas pessoas
de mente aberta
e que falavam
de forma livre
sobre a temática LGBT
também.

[Sky]
Porque é essa…

[Pedro]
E davam-se bem
com pessoas LGBT.

[Alexandre]
Sim, sim. Porque
faz parte da própria cultura.

[Sky]
É mesmo porque tem que ser.
Porque se tu fores fascista,
a comunidade gótica
expulsa-te.

[Alexandre]
Sim.

[Sky]
Tu não podes ser
de mente fechada
na comunidade gótica,
porque isso vai contra
os ideais.

[Alexandre]
Contra os princípios, não é?

[Sky]
E os princípios da própria cultura,
que é de aceitar todos.

[Alexandre]
E, lá está,
nos tempos em que vivemos,
os ataques…
As pessoas esquecem-se,
mas estávamos a falar
dos ataques às pessoas Trans
e intersexo,
mas os ataques à comunidade LGBT
no geral.

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
Saiu há pouco tempo
vários relatórios:
o Rainbow Map,
o relatório de…

[Pedro]
Portugal desceu…

[Alexandre]
Portugal desceu.
Pela primeira vez
em vários anos
não está nos 10 primeiros lugares.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
A nível dos direitos Trans
também saiu
recentemente
e também não se
não se avistam
boas notícias.

[Pedro]
Que inclui muitas vezes
crianças novas
Trans
assassinadas, atenção.

[Catarina]
Exatamente.

[Alexandre]
Sim.

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
E portanto,
em geral,
nos últimos anos
as agressões
registadas,
porque há muitas
que não são registadas.

[Pedro]
Claro!

[Alexandre]
É como quando se fala
da violência doméstica,
a gente sabe perfeitamente
que tudo o que tem violência
muita parte,
o grosso
dessas situações
não são reportadas.
Mas nunca
como atualmente
houve tantos casos
de pessoas a reportar
violência LGBTfóbica.

[Sky]
Porque infelizmente
está a aumentar
muito,
tanto em Portugal
como no mundo,
muito o poder
de direita.
E isso é o que está
a causar
todos os países
a baixarem
em ranking
do world map
em LGBTI e tudo.

[Alexandre]
Sim. E porque ao mesmo tempo
tens governos
que são incapazes
de resolver os problemas
reais das populações
e precisa-se de haver
um bode expiatório,
não é?
Portanto foi “importante”,
importante entre aspas,
foi importante para o governo
falar das alterações
às leis Trans, porquê?
Porque na altura
estava-se a discutir
problemas de saúde,
problemas de educação,…

[Catarina]
Claro.

[Alexandre]
…pacote laboral,
a gente tem que tirar
as alterações daqui
e temos que
“a culpa é das pessoas Trans”.

[Pedro]
Olha,
por isso é que
muitas das vezes
(e posso falar
sobre isto,
porque durante muitos anos
fui um grande fã,
mas por razões óbvias
esse amor
perdeu-se
desde que foi permitida
a participação de Israel
na Eurovisão),
mas há uns anos atrás
precisamente
quando a Hungria
pela última vez
que participou
na Eurovisão
em 2019,
depois não passou ao final,
eles foi a desculpa
perfeita para sair
e um dos motivos
para sair
é por causa
dos maus resultados,
mas depois
veio-se a saber
que não era bem assim
porque já naquela altura
o Orban
ainda estava a governar
a Hungria,
digamos assim,
e disseram
que a Hungria
saiu da Eurovisão
porque a Eurovisão
era considerada
como uma “festa Gay”
uma coisa que é
“contra os valores
da família”
e não sei o que e
não sei o que mais…

[risadas]

[Catarina]
Meu Deus.

[Pedro]
Enfim.

[Catarina]
E neste momento
temos um artista português
a ser mal falado
por ter criticado
o facto da Eurovisão…

[Alexandre]
O Toy?

[Catarina]
sim!
Porque
“ah o Toy é isto e aquilo
porque chamou isto
ao Trump”.
Ele chamou
o que toda a gente
queria chamar.

[Alexandre]
Sim.
e ele só disse verdades.

[Pedro]
E não é por acaso,…

[Sky]
Por acaso não sei o que aconteceu.

[Pedro]
Ah, portanto…

[Alexandre]
O Toy posicionou-se
precisamente
contra a participação
de Israel na Eurovisão
por causa
das agressões…

[Sky]
Ainda bem!

[Alexandre]
…de Israel ao povo palestino.

[Catarina]
Mas disse…
Mas lá está,
ele esteve muito bem
nisso a dizer
que compreende
porque é que os jovens
estão a participar
por causa da visibilidade.

[Sky]
Claro! Claro!

[Catarina]
Se ele não tivesse a visibilidade
também o faria.

[Sky]
Claro!

[Catarina]
Mas que é inaceitável
o que Portugal
está a fazer
visto que os outros países.

[Sky]
Exatamente!

[Catarina]
E depois
mandou basicamente
o Trump
e outras pessoas
para aquele sítio.

[Sky]
E fez muito bem!

[Catarina]
E as pessoas
estão a dizer
“não,
ele é um mal educado”.

[Catarina]
Não,
mas o Toy
está a fazer
o que muitos artistas
gostavam de fazer,…

[Catarina]
Exatamente,

[Sky]
…que é
ter o poder…

[Alexandre]
E a coragem.

[Sky]
…e a influência
na cultura portuguesa
que tem.

[Catarina]
Exato.

[Sky]
Porque ele tem
muita influência
na cultura portuguesa.

[Pedro]
Ele que já participou
no Festival da Canção
há muitos anos atrás,
curiosamente.

[Catarina]
Exatamente.

[Sky]
Exato.
Mas ele tendo
o poder que tem
na cultura,
utilizou-o
para o bem
e isso é o correto.

[Catarina]
E é isso que precisamos.

[Alexandre]
E fez o verdadeiro
trabalho ativista,
não é?

[Catarina]
Exato.

[Alexandre]
De defender a causa.

[Sky]
Eu admito:
eu não sou
grande fã
da música dele,
mas sempre o respeito
como artista.
E agora ganhou
mais respeito.

[Catarina]
Ele tem todo o meu respeito.

[Sky]
Ele acabou de criar
mais respeito.

[Catarina]
Ele luta pelos direitos
dos artistas.

[Alexandre]
E estando aqui
a falar nesta questão
de ativismo,
podemos partir para algo
que também é muito importante
para o ativismo
que é mesmo
a marcha de Sintra,
do qual nós vamos
estar a ajudar.

[Sky]
Sim!

[Alexandre]
Tu mais praticamente,
Sky, com as questões
de acessibilidade.
E Pedro,
tu, e Catarina
vocês podem nos falar
mais também
sobre o que as pessoas
podem esperar…
A marcha
que é já
dia 4 de julho.

[Pedro]
Exatamente.
Sim
Olha a cima de tudo é um ponto extremamente positivoo facto, hoje em dia, esse ativismo, como há pouco se referiu no início, não só ser nos grandes centros, também ser nas periferias.
E hoje em dia podemos dizer que existem muias marchas pelo país inteiro, porque também existe uma comunidade
que existe nessas localidades. São João da Madeira, Famalicão, Beja, whatever [= o que seja].

[Alexandre]
Esposende, Setúbal.

[Pedro]
Esposende também. Setúbal.
Em Sintra também não é exceção, porque em Sintra
também
há uma grande comunidade LGBT, mas
mesmo que também
não houvesse
uma grande comunidade LGBT
é importante
também fazer as marchas.

[Sky]
Exatamente.

[Catarina]
Claro.

[Pedro]
Para se fazer
valer os direitos
das pessoas
e do respeito,
até porque
sempre é tudo
como o amigo nosso
costuma dizer
“a informação
é a voz da razão”.

[Sky]
Para não falar que
pode haver pessoas
que estejam
mais longe,
por exemplo
Caldas de Rainha,
e Sintra seja mais perto…

[Catarina]
Exatamente.

[Sky]
…do que o centro de Lisboa,
e para eles
é tipo
a marcha mais perto.

[Sky]
E mesmo nas Caldas,
também há marcha.

[Sky]
Sim.

[Alexandre]
Mas eu acho
que também…

[Sky]
Mas percebeste?

[Alexandre]
Sim, eu percebi.
Também tem um ponto
que é:
mesmo que houvesse
poucas pessoas,
poucas pessoas
‘tamos a falar de
pessoas assumidas,
porque há muitas pessoas
que se calhar a
primeira vez
estão da janela
a ver uma marcha, não é?

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
E a ganhar coragem
para um dia
se juntarem.

[Sky]
Ou se juntam
como Ally [= Aliade]

[Alexandre]
Exato.

[Catarina]
Ou vão a algumas marchas
porque vêm
de um sítio pequeno
e não querem
ser comentadas.

[Alexandre]
Exato.

[Catarina]
Isso acontece
muito também.

[Alexandre]
Sim.
Se calhar por exemplo
malta…
Eu vejo isso,
por exemplo,
muita gente,
por exemplo,
em Beja, soube disto quando tive lá,
não há marcha
em Beja
porque as pessoas…
Tem havido
o Beja Pride,
mas não há marcha
em Beja,
porque as pessoas
têm medo
de ser avistas,
porque é um meio
muito pequeno.
Mas há muitas pessoas
de Beja
que vão à marcha
a Évora.

[Sky]
Pois.

[Catarina]
Exato.

[Pedro]
Eu acho que
cada cidade
e cada
momento
do ativismo
tem as suas
especificidades.

[Sky]
Humhum.

[Pedro]
E é tentando
ir fazendo
as coisas,
sejam elas quais forem,
mas desde que
essas iniciativas
que são feitas
correspondem
às necessidades
das pessoas, não é?
Às vezes
podem ser
através duma marcha,
ou pode ser
doutro tipo
de iniciativa,
mas que pelo menos
leve
estas questões
à sua zona.
E em Sintra
não é exceção,
por exemplo,
durante muitos anos
a marcha de Sintra
era feita
na Tapada das Mercês.
E como muita honra,
é uma localidade
que nós amamos e
uma freguesia
que nós amamos muito.
Mas achámos
importante também
para ajudar a marcha
a crescer
e para também
ter mais visibilidade
e uma maior centralidade
fazer na vila de Sintra.
E o ano passado
fizemos pela primeira vez
na vila de Sintra e
foi um absurdo sucesso.
O que ajudou também
o facto de também
ser em vésperas
de eleições autárquicas,
o que também ajudou muito.
E o facto de ser uma vila
com bastante turismo
ainda foi melhor.
Portanto,
acreditamos que é também
por aí.

[Sky]
Para não falar
que, ’távamos a falar
da acessibilidade,
faz mais sentido
ser mais central,
devido ao facto
que pode haver pessoas
tanto dentro
da própria região
como fora da região
que é mais fácil
de transportes
aceder à zona.

[Alexandre]
Sim

[Pedro]
É!…
Sim
Para ser franco,
sim.
Até porque, por exemplo,
muitas das vezes
quando nós fazíamos
a marcha
na Tapada das Mercês,
o ponto inicial
era um ponto
bem acima,
o que se calhar
a nível de acessibilidade…

[Sky]
Não.

[Catarina]
Não é bom

[Alexandre]
Não.

[Sky]
Porque a ideia…

[Pedro]
E já houve algumas vezes
que começávamos em baixo,
para tentar ir ao encontro.

[Alexandre]
E em Sintra
é mesmo junto
à estação de comboios.

[Catarina]
É, é literalmente ao lado.

[Sky]
Exato.

[Alexandre]
O ponto de econtro é
no jardim…

[Pedro]
Jardim da Correnteza.

[Alexandre]
Jardim da Correnteza!

[Alexandre]
Eu ia dizer
outro jardim
que acho que era
o de Campo de Ourique
e que me ‘tava a vir
à cabeça.

[risos]

[Sky]
Mas sim,
faz muita diferença.
Porque uma coisa
que eu notei
ao longo dos anos
de ir à marcha de Lisboa,
que eu já vou
desde 2018,
é que
só do ano passado
para este
é que começaram
a acrescentar
itens de acessibilidade,
num sentido físico,
porque por exemplo
de audiovisuais
ter intérprete
sempre tiveram.
Mas
acessibilidade física
para quem tem
cadeia de rodas
ou…

[Pedro]
Para ir falar
para o palco,
por exemplo?

[Sky]
Não.

[Alexandre]
T’a-se a falar
mesmo do próprio
percurso da marcha.

[Pedro]
Sim, sim, sim, ok.

[Sky]
A primeira vez
que fizeram
alguma
coisa
foi o ano passado,
em que fizeram
abertamente
um
um form [= formulário,
um papel
que as pessoas
podiam preencher
online,
para poder te
reservar um lugar
no autocarro
que ia pela marcha.

[Pedro]
Humhum.

[Sky]
Mas isso foi
a primeira vez
que alguma vez
vi alguma coisa
que seja
de acessibilidade.

[Catarina]
Sabes porquê?
Porque nós temos
uma mulher
(eu não sei
se ela é de Coimbra),
que ela tem…
Ela no ativismo
é muito forte,
é mesmo gigante.
E ela quer
‘tar nas marchas,
mas ela não pode.
Não tem acessibilidade
para isso.

[Sky]
Exato.

[Catarina]
E agora tem estado
nas marchas
e ela conseguiu
fazer uma mobilização
a Catarina Vitorino.

[Alexandre]
Acho que sei de quem ’tás a falar, ela não teve
na marcha de Coimbra
também…

[Catarina]
Também teve.

[Alexandre]
…numa cadeira de rodas?

[Catarina]
Sim.

[Pedro]
Ah! A Catarina!
Ela faz parte
da CO,
porque ela faz parte
de…
Penso que sejam
As Desafiantes
ou a Vida Independente.

[Catarina]
É!

[Alexandre]
Vida Independente

[Catarina]
É isso.
É uma mulher…

[Pedro]
Extraordinária!
O ano passado
até vivemos…
Foi o ano passado
ou foi há 2 anos.
Pá, vivemos
uma situação
extremamente
complicada,
porque houve
um grupo
que tentou
boicotar a leitura
do manifesto,
que entre outras coisas,
mandaram aqueles fumos
que têm um cheiro
horrível
e nós
estávamos
ali a tentar
abrigar a Catarina
e outras pessoas que
também estavam
na mesma situação.

[Alexandre]
Sim, sim.

[Pedro]
E foi dramático.

[Alexandre]
É uma situação
de perigo.

[Sky]
É assim,
uma das coisas
que eu noto
que seria
muito fácil
de fazer
para qualquer marcha
era
num post,
mesmo que seja
uma coisa tipo
Instagram,
dizer
o percurso
completo
e quais são
os transportes
que existe
no início
e no fim.

[Catarina]
Exatamente.

[Pedro]
A maior parte
das vezes
as marchas fazem isso,
pelo menos
o percurso.
A nível de transportes
é conforme.
Nós até…

[Alexandre]
Mesmo percurso, repara,
são poucas
as que fazem
o percurso.
Eu vejo por exemplo
Coimbra.
Lisboa
não sei se costuma
ter o mapa.

[Sky]
Não, não costuma.

[Alexandre]
Mas sabes mais ou menos
o ponto de início e o de fim.
Na marcha de Sintra a gente
já sabe
que vamos ter isto tudo
que Sky está a falar.

[Sky]
Que eu quero ver
que tenha o mais
acessibilidade possível.

[Alexandre]
Mas lá está,
a passar as informações,
porque é importante
para as pessoas.

[Sky]
Porque o de Lisboa
só diz início e fim,
não diz o percurso
completo por mapa,
que é o que é necessário,
porque se alguém
não conseguir aceder
a certo ponto
poder se unir
a meio,
faz diferença.

[Alexandre]
E ’tás-me a lembrar
o que eu estava a pensar
em Lisboa
que costuma ter
o mapa do percurso
é o da marcha Trans,
que esse sim,
costuma ter
o mapa do percurso
os pontos de paragem
quando houve um ano
em que parámos
na praça do município.

[Pedro]
E outra coisa muito positiva,
que também penso
que da marcha Trans
(que é organizado
também agora
pela Transmutar),
eu não tenho a certeza
mas tenho quase a certeza,
que eles também
incluem, também,
uma coisa que é muito importante
que é:
pontos de…

[Alexandre]
Descanso.

[Pedro]
De descanso
ou calma,
mas às vezes
precisas de sair,
e desviar
um pouco.

[Sky]
Isso
e também notei
que era importante,
tanto no início
como no fim,
mencionar
pontos,
nem que sejam
negócios locais,
que tenham acesso
a uma casa
bem inclusiva. 

[Alexandre e Catarina]
Sim!

[Sky]
Porque é raro
encontrar-se
e se pôr…
Durante a marcha
é muito difícil
dalguém ter
a necessidade
de ir,
mas que seja
no início
ou no fim,
para alguém
poder ir antes
ou depois
antes dos discursos,
faz muita diferença.

[Alexandre]
Claro que faz.

[Pedro]
E a marcha
de Sintra
também existe,
também, para
reivindicar
os nossos direitos,
abordar também
muitos problemas
vividos localmente,
também pela comunidade
LGBT,
que também vive
com os problemas
da mobilidade,
são vítimas
também dum SNS
moribundo,
ou seja
um SNS
que não
representa
as reais necessidades
das pessoas.

[Sky]
Sim.

[Pedro]
Mas também
abordamos, também,
temáticas
específicas,
até porque
muitas das coisas
que são ditas
nos órgãos
de poder local,
nomeadamente
assembleias de freguesia e
assembleias municipais
principalmente,
que é o meio
dum poder local
onde as pessoas
podem expor
os seus problemas.

[Sky]
Humhum.

[Pedro]
E nós
fomos uma vez,
há uns anos atrás,
a uma assembleia de freguesia
para agradecer o apoio simbólico
da junta de freguesia
de Algueirão-Mem Martins,
onde durante uns anos
fizemos a nossa marcha
e que até
ao ano passado
esteavam a bandeira arco-íris.
E nessa primeira vez
que fomos a uma assembleia
de freguesia,
a dada altura,
houve uma postura
claramente homofóbica,
para não dizer outra coisa,
e foi por aí
que nos acendeu
uma luz
“olha parece que
uma das nossas linhas de ação
é ir aqui
às assembleias
falar sobre isto”,
porque ainda
é um poder político
que é um poder
que agora
atualmente,
a maioria de direita,
é um meio muito homofóbico
e posso-vos dizer.

[Catarina]
Sim, agora na linha d Sintra…

[Pedro]
Na linha de Sintra.
E passámos
por
algumas experiências
muito graves.

[Alexandre]
Sim.

[Pedro]
Onde eu
inclusivamente
fui perseguido
durante
vários…
Era sempre perseguido.
E quando se abordava
essa questão
era um tema tabu.

[Catarina]
E por pessoas de
extrema-direita.

[Pedro]
Exatamente.
Nós até passámos
por uma situação
extremamente gravíssima.

[Alexandre]
E é por isso
que é importante,
lá está, estes movimentos
também nas periferias,
porque não nos podemos esquecer…

[Catarina]
Exatamente.

[Alexandre]
…que são zonas
em que infelizmente
a comunidade
está mais marginalizada.

[Sky]
Exato.

[Pedro]
Ssem dúvida.

[Alexandre]
Por toda uma série
de problemas
que existem
por isso de se estar
fora dos centros
e os olhos
muitas vezes do poder
estarem só
nos centros
e nas pessoas
que lhes interessam.

[Pedro]
Sim.

[Catarina]
Pois!

[Pedro]
claro que agora,
pronto, não temos muito tempo
para falar de várias coisas,
mas posso dizer
a última experiência
que nós tivemos
em que houve
um deputado
municipal
que estava
a comentar,
a dar a sua opinião
sobre um
voto de recomendação
dum partido
de esquerda
sobre algo relacionado
com o Plano Municipal
de Direito Humanos
(penso que seja
um pouco assim)
e quando esse deputado
de extrema-direita
foi falar sobre isso,
falou do facto
de falar pouco
sobre os idosos,
o que não é bem assim.
E depois
esqueceu-se
que aquilo
que foi apresentado,
foi apresentado
duma forma interseccional,
portanto
sobre vários…

[Sky]
Humhum.

[Pedro]
Não é?
E para nos insultar, instrumentalizou
os idosos,
dizendo que falava
pouco sobre os idosos
mas falava muito
da comunidade
do alfabeto
e das marchas carnavalescas. E eu ali…

[Catarina]
Mas eu acho
que isso não é
o mais grave…

[Pedro]
Não, não é o mais grave.
Foi assim a última experiência,
mas isso foi
duma forma
claramente
para nos denigrir,
para claramente
nos deitar baixo.
E nós dissemos…

[Sky]
O que é irónico,
porque
tipicamente
as pessoas
idosas,
as LGBT
que costumam
ter mais preocupação
com as pessoas
de idade.
Um bom exemplo,
que já foi há muitos anos,
foi nos anos 90,
quando havia
pessoas de idade
em lares
e pessoas
com HIV,
quem cuidava deles
era as pessoas LGBT,
porque os outros
tinham medo
de tocar
ou interagir com eles.
Nós somos as pessoas
que preocupam-se
mais com as outras minorias.

[Alexandre]
Eu até diria
mais: com as famílias.
Falam muito
o ataque à família,
mas eu acho
que as pessoas LGBT
são quem mais
se preocupa
com a família.

[Catarina e Sky]
Exatamente!

[Sky]
Completamente!

[Catarina]
Com tudo!

[Alexandre]
Com o bem-estar
das pessoas em geral.

[Catarina]
O Pedro, por exemplo,
tu ’tás a dizer isso,
mas houve uma situação
muito recente também
em que foi tipo
um absurdo completo.
Em que, basicamente,
na assembleia de freguesia
disseram que o Pedro
estando com o SintraFriendly
só estava a incentivar
as pessoas a serem Gays.

[risos]

[Catarina]
Que os jovens…
Que isto aqui,
o SintraFriendly,
era apenas
uma organização
para incentivar
as pessoas a serem Gays.

[Pedro]
Meu Deus.

[Alexandre]
Meu deus.

[Sky]
Quando a palavra
“Friendly”
é para ser amigável é
para todos.

[Pedro]
Lá está,
lá está!
Olha podem ver!

[Pedro mostra a camisola]

[Pedro]
‘Tão a ver?

[Catarina e Pedro]
SintraFriendly!

[Sky]
Às vezes
nem faz lógica.

[Alexandre]
E vamos pela parte:
as únicas pessoas
que tentam sistematicamente
fazer as outras pessoas
serem outras pessoas,
são essas pessoas
que nos criticam…

[Sky]
Exato!

[Alexandre]
…com os incentivos a práticas…

[Pedro]
Eles é quase a tal
“ideologia de género”.

[Catarina]
Exato!

[Pedro]
Que é o termo que eles querem dizer.

[Alexandre]
Sim, sim. E práticas de conversão.

[Pedro]
Sim, sim.

[Alexandre]
Práticas de conversão

[Sky]
E muitas vezes
são eles
os que depois
tiram recursos
para coisas
como os lares,
que é onde estão
as pessoas de idade.
E eu estou tipo:
então ’tás a falar
que querias falar
dos idosos
e depois tu tires o dinheiro…

[Catarina]
Exato.

[Alexandre]
Não vale a pena.

[Sky]
O governo atual
retirou o que acontecia
antes
que era:
dentro da taxa de IVA,
as coisas mais açucaradas,
parte do dinheiro…

[Alexandre]
Ia para o SNS.

[Sky]
Ia para o SNS.

[Alexandre]
Sim, a taxa de açúcar.

[Sky]
Que era a taxa de açúcar.

[Alexandre]
E agora não vai.

[Sky]
E agora vai
para a caixa geral.

[Pedro]
Pois…
Mas em Sintra
há situações absurdas…

[Sky]
Mas isso
não faz sentido,
porque, por exemplo,
que é o que aconteceu
recentemente
nas notícias
a falarem de,
infelizmente, as pessoas
não terem capacidade
em casa
de cuidar dos idosos,
por isso têm de deixá-los
nas urgências
nos hospitais,
e essa taxa de açúcar,
esses milhares
ou até milhões
era o dinheiro
que ia para ajudar
a cuidar desses idosos.

[Alexandre]
Exatamente.

[Catarina]
Exato.

[Catarina]
Por isso eles
estarem a falar.
Serem de direita e ‘tarem
a falar dos idosos
e quando retiraram
o dinheiro a
eles…

[Pedro]
Eles não se informam
como deve ser
sobre as coisas.

[Sky]
Claro.

[Pedro]
E depois dizem coisas absurdas.

[Alexandre]
Completamente.
E, por isso,
fica assim o convite
para virem então
à marcha de Sintra.

[Pedro]
Dia 4 de Julho.
Ponto de encontro:
o Jardim da Correnteza.
Fica mesmo ali
próximo à estação
de comboios de Sintra.
De Sintra,
não é Portela de Sintra,
é a estação de Sintra.
Por volta das 3 horas [15h]
haverá ali
um momento
de confraternização.
Vamos também estar
a vender
algum do nosso
merchandising e
também merchandising LGBT.
E a ideia é
começarmos a marchar
ali por volta das 4 horas [16h]
vamos ali passar
também
pela Câmara Municipal,
pela Volta do Duche.
Vamos terminar
no Largo
Rainha Dona Amélia,
que é o largo ali
do Palácio da Vila,
onde vamos
apresentar o nosso
manifesto
da marcha.
Quando um de nós
da organização
vai apresentar
o seu manifesto e,
obviamente, também
haverá ali
o momento
de open mic.
E, portanto,
contamos com a
vossa presença.
A vossa presença
é bué importante
para nós,
mas também
para todos nós
da nossa comunidade.

[Catarina]
E com surpresas,
talvez…

[Pedro]
É verdade sim!

[Alexandre]
E pronto
o nosso episódio
de hoje
fica por aqui.
O nosso próximo episódio,
e é preciso e
importante falar
sobre isto,
que tem havido
mudanças
na nossa maneira
de gravar
e nas nossas formas
de nos organizarmos
e por isso
temporariamente
agora durante
Junho e Julho
não vamos ter um episódio
a cada duas semanas.

[Sky]
Humhum.

[Alexandre]
Vai estar a sair
apenas um por mês,
portanto o próximo
sairá daqui a um mês.
Até lá
fiquem bem.
[Todes] Venham Bialogar connosco!

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