#8 – Vamos ao gym?

Vamos ao gym? Neste episódio falamos sobre a prática do desporto na comunidade LGBTI+, a discriminação, preconceitos e inseguranças associadas à mesma, bem como a nossa experiência com a prática desportiva enquanto pessoas Bissexuais. Trazemos ainda algumas referências Bissexuais do mundo do desporto.

Como convidado, temos o Diego, que vem Bialogar connosco sobre estes temas e partilhar a sua experiência.

Venham Bialogar connosco! 💗💜💙

Publicação: 09/05/2025 | Duração: 45min 16s | Produção: 14h | Legendas: no YouTube
Avisos: Contém menções de bifobia, homofobia, transfobia (incluindo violência transfóbica), bullying, discriminação, prática desportiva, insegurança e dismorfia corporal. Contém leves menções de saúde mental (nomeadamente burnout / esgotamento e ansiedade), saúde física e machismo.

O convidado deste episódio foi o Diego Jesus (ele/dele), homem Trans, Bissexual e Personal Trainer.

🔍 Descobre mais sobre o Diego em:

Personalidades

  • Diego Jesus: Homem Trans, Bissexual e Personal Trainer Português.
  • Imane Khelif: Lutadora de boxe profissional Argelina.
  • Naide Gomes: Atleta Portuguesa.
  • Patrícia Mamona: Atleta Portuguesa.
  • Rosa Mota: Atleta Portuguesa.
  • Marta Vieira da Silva: Jogadora de futebol Lésbica Brasileira.
  • Zach Sullivan: Jogador de hóquei no gelo Bissexual Inglês.
  • Ryan Russell: Jogador de futebol americano Bissexual Estadunidense.
  • Jack Dunne: Jogador de rugby Bissexual Irlandês.
  • Rayan Dutra: Ginasta Bissexual Brasileiro.
  • Jeff Molina: Lutador de MMA Bissexual Estadunidense.
  • Amber Glenn: Patinadora artística Bissexual Estadunidense.
  • Breezy Johnson: Esquiadora Bissexual Estadunidense.
  • Jordan Rand: Uma modelo e piloto de corridas de motociclismo Bissexual Estadunidense.
  • Jessica Thoennes: Remadora Bissexual Estadunidense.
  • Tyler Wright: Surfista Bissexual Australiana.

 

Eventos e Datas

  • Dia das Famílias: dia 15 de Maio
  • Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia / Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia, Interfobia e Transfobia / Dia Internacional contra as LGBTfobias / IDAHOBIT (International Day Against Homophobia, Bifobia and Transfobia): 17 de Maio
  • Arco-Íris no Jardim

 

Associações, Coletivos e Grupos de Apoio

(em edição)

[Alexandre] Alô, alô, sejam bem-vindes ao oitavo episódio do podcast Bialogar.
Eu sou o Alexandre.

[Sofia]
Eu sou a Sofia.

[Diego]
Eu sou o Diego.

[Alexandre]
E, no episódio de hoje, temos connosco o Diego, homem Trans, Bissexual e personal trainer.

[Sofia]
E nós não mencionámos num episódio passado, mas em abril, a 6 de abril, foi também o Dia Mundial da Atividade Física e o Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz.
E então, os temas deste episódio de maio vão girar aqui à volta do desporto, da prática desportiva, das práticas desportivas da comunidade LGBT e não podíamos deixar de falar também da exclusão das pessoas Trans do desporto, que tem ocorrido e se intensificado ultimamente.
E vamos falar também de datas importantes que ocorrem em maio, que são o dia 15 e 17 de maio: o Dia das Famílias, a dia 15, e o Dia contra a Homofobia, Bifobia, Transfobia e Interfobia, também conhecido como o IDAHOBIT, o International Day Against Homophobia, Bifobia, Intersecfobia and Transfobia.

[Alexandre]
E começamos por te perguntar, Diego, como é que foi este teu percurso até te tornare personal trainer?

[Diego]
A minha relação com o desporto foi desde muito cedo. Comecei inicialmente por jogar à bola na rua, como qualquer criança.
Depois, com 6 anos, tive a minha primeira parte federado. ‘Tive numa equipa só masculina, na altura, como era, entre aspas, [percecionado como] “a única rapariga”,
acabei também por aí sofrer
um bocadinho, porque deixaram-me um bocadinho de lado.
Então, ‘tive uns anos sem jogar à bola federado.
E foi então, com 13 anos, que depois passei para o basquetebol, mas tentei sempre estar conectado com o desporto.
Uns anos mais tarde, depois voltei a jogar futsal.
E quando fiz 18 anos, parei por completo, porque depois deixei de ter tempo com o trabalho.
E foi então que iniciei no mundo do ginásio,
e tive um grande amigo meu lá, que me deu a ideia de: “Diego, porquê é que não vais tirar…
tirar o curso?”.
Fiquei a pensar nisso durante um ano e então decidi proseguir para tirar o curso.

[Alexandre]
E acabaste por te, então, lançar neste mundo do ginásio, do personal trainer…

[Diego]
Sim, exatamente.
Foi com 21 anos, se não estou em erro.
Comecei para… Fui para o CEFAD e ‘tive, no tempo da pandemia, ‘tive a estudar.
Foi em 2022 que acabei o curso e foi aí que comecei a entrar na área
e a começar a ajudar as pessoas.

[Sofia]
E antes de passarmos à próxima pergunta, queria começar por agradecer-te teres aceitado o convite que te fizemos, porque é mesmo muito importante haver representatividade LGBT e, mais concretamente, representatividade Trans no desporto.
É muito importante haver profissionais que dêem um espaço seguro, porque sabemos que as pessoas LGBT às vezes têm alguma dificuldade em praticar desporto
por não se sentirem seguras,
quer em em ginásios, quer em balneários, ou por acharem que não vão ser bem recebidas.
E ainda bem que te temos aqui no episódio de hoje.
E queríamos perguntar, no fundo, como é que as pessoas que queiram praticar desporto contigo, que queiram treinar contigo, te podem encontrar?

[Diego]
Antes de mais, obrigado por me terem convidado.
As pessoas podem me encontrar através do Instagram, que é diego_jesuspt.
E depois é só me mandar uma mensagem que ouviram aqui o podcast e, depois, a gente começa a partir daí.

[Alexandre]
Sim, nós vamos deixar o link para o teu Instagram na descrição do nosso episódio e também nos stories.
E Sofia, tu tocaste aí num ponto importante, que é este complexo, esta dificuldade que as pessoas LGBT têm em encontrar um espaço seguro para praticar o desporto.
E tu, Diego, também já falaste que quando começaste a praticar desporto como atleta federado, sofreste discriminação.
As pessoas LGBT acabam por muito ter esta ligação complexa com o desporto, que começa muitas das vezes, se calhar, na adolescência ou na infância,
de haver este receio de praticar desporto. As questões com os balneários, com os seus corpos.
E, de facto, é importante haver esta representatividade, porque a prática de desporto é importante.
E nós vimos há bocado que os níveis de sedentarismo em Portugal rondam os 50% a 60% da população,
que a taxa de obesidade ronda os 15% da população.
E para a comunidade LGBT em específico, não há dados concretos,
mas, de acordo com alguns estudos que nós encontrámos,
havendo dentro da comunidade LGBT uma enorme propensão para questões a nível da saúde mental e de complexos com o corpo,
poderá indicar índices muito maiores, juntando também a isto a discriminação e outros fatores de que sofremos,
indicar valores de prevalência muito maior de sedentarismo dentro da comunidade.
E, portanto, é importante podermos ter este espaço e ocuparmos estes espaços.
E, portanto, como é que tu, enquanto pessoa LGBT da área do desporto,
como é que tu vês precisamente essa questão das pessoas LGBT no desporto?

[Diego]
Começa tudo pelos balneários, lá está,
até eu próprio senti isso na pele,
e também como nós usamos as roupas.
Por exemplo, o meu binder era preto.
E eu tinha que ter sempre uma camisola interior preta para ter a certeza que não se estava a notar o binder.
Não podia vestir uma camisola branca.
Não podia vestir uma camisola de alças.
E quando eu vestia uma camisola de alças, eu ficava extremamente desconfortável.
Porque eu achava: “fogo, as pessoas de certeza que ‘tão a ver o meu binder”,
“acabaram de olhar para mim, se calhar ‘tão a ver o meu binder”
e eu ficava muito mais ansioso.
Então eu usava sempre duas camisolas.
Às vezes até me diziam “Diego, não tens calor?”
e eu “não, não, não, ’tou bem”.
E eu ‘tava tipo ali a morrer por dentro,
mas tive só que aguentar.
E muito começa pela parte dos balneários, como eu ‘tava a dizer, porque,
especialmente tanto nos homens Trans como nas mulheres Trans,
porque é muito dos olhares.
Temos muito aqueles pensamentos que: ‘tão nos a julgar,
‘tão a olhar para nós, estão a reparar que não somos Cis.
E então os níveis de ansiedade começam a aumentar logo a partir do balneário,
e acredito que muitos, para evitar esse desconforto,
preferem nem sequer entrar no mundo do ginásio,
para não sentirem desconforto a esse nível,
porque é horrível.

[Alexandre]
Sim. Eu, apesar de ser um homem Cis,
partilho essa experiência com os balneários também,
porque eu já na adolescência, eu não gostava da parte da prática do desporto.
Para já, como já falei noutros episódios,
porque sinto que muitas das vezes a prática do desporto era:
só jogávamos futebol;
e que rapazes que não jogassem bem futebol
eram logo menos rapazes do que os outros,
eram Gays, eram o que fosse.
Havia logo insultos homofóbicos e até transfóbicos
em relação a rapazes que não gostassem de praticar desporto.
E havia muita receio com a exposição nos balneários,
porque, lá está,
um balneário é onde nós estamos na nossa intimidade,
estamos a trocar de roupas, estamos nus ou seminus.
Eu não gosto de expor essa intimidade [num balneário] à frente de outras pessoas,
especialmente pessoas que eu não conheço ou como quem até não tenha boas relações.
E havia, lá está, como eram adolescentes, havia muito azo,
isto num balneário masculino,
para picardias e picanços e esse tipo de cenas,
que eu não gostava.
E, portanto, também não era aquela pessoa que tomasse banho no balneário,
tomava banho em casa.
Não acho interessante a ideia de estar nu à frente de carradas de pessoas.
Eu prefiro, lá está, ter um cubículozinho onde me possa despir,
onde possa tomar o meu banho,
na minha privacidade, na minha intimidade.
E sinto que isso me afastou do desporto.
Quando eu, já em adulto, tentei começar a praticar desporto.
Isto foi em 2019.
Portanto, para as pessoas que nos ‘tão a ouvir terem uma noção,
eu tenho, supostamente, 1,78m de altura
e pesava 51kg,
que é muito pouco.
E comecei a tentar praticar desporto.
Isto foi depois de ter o meu burnout,
muita ansiedade,
e, obviamente, o desporto ajuda com este controle da ansiedade
e a melhorar estes sintomas.
E eu tentei ir a ginásios duas vezes,
dois ginásios diferentes,
quer com a minha irmã, quer com colegas de trabalho.
E a experiência foi muito similar em ambos,
que era um desconforto de, primeiro, não saber o que eu estava ali a fazer,
como se eu não pertencesse àquele lugar.
Depois, era o cheiro do ginásio, tipo o
cheiro a suor misturado com o cheiro de água e sabão dos balneários.
Era, pá, completamente.
E o desconforto, precisamente, do balneário:
“Ok, será que as pessoas estão a reparar no meu corpo e que eu sou bem magrinho?
Será que vão achar que eu sou menos homem por isso?”,
“Será que vão olhar e…
Não sei, vai haver aqui algum insulto homofóbico ou bifóbico?”.
Havia muito este receio.
E, lá está, isso afastava-me do mundo do desporto.
Eu sentia-me ainda muito mais ansioso por estar neste ambiente,
do que eu deveria sentir.
E, depois, como não sabia o que é que estava a fazer, também…
Não sentia que fosse um espaço que fosse acolhedor e seguro para nós.
E, não sentir, também não tinha ninguém a apoiar-me.
Portanto, não sabia bem o que é que estava ali a fazer.
Felizmente, eu acabei por conhecer, através de um amigo meu (que também é da comunidade),
um PT [= personal trainer], que atualmente é um dos meus melhores amigos e é com quem eu treino.
E, precisamente, ele tem o espaço dele, de treino, o ginásio dele.
E eu faço treinos, lá está, treinos individuais,
e passou a ser muito normal para mim.
Passei a fazer desporto, que é muito importante.
Mas havia, e ainda hoje há,
eu não conseguiria ir para um ginásio hoje em dia,
mesmo estando muito mais confiante do meu corpo e de mim mesmo,
porque não é um ambiente que eu goste.

[Diego]
Por isso é que também é importante haver pessoas em área do desporto
para conseguir chamar a parte da comunidade, não é?
Para terem confiança para, então, praticarem o desporto e exercício físico,
também para fazer bem a elas próprias.

[Sofia]
Exatamente.
Eu, algumas partes de que falaste, vou pegar também.
Assim, a minha experiência com balneários,
vem muito da educação física da escola,
porque eu sou aquele mau exemplo que não frequenta ginásios
e não tenho praticado muito exercício físico.
E, se calhar, este episódio vai-me ajudar:
“Ok, tenho que praticar exercício físico”. [risos]
Mas de experiências de balneários da escola, também não foram boas.
Enquanto a mulher Bissexual, e às vezes nem é,
por me terem feito, efetivamente, alguma coisa,
às vezes são as palavras das pessoas que criam inseguranças. Do género,
por exemplo, enquanto mulher num balneário cheio de mulheres,
a despedir-se, e etc,
eu tinha sempre receio, mesmo que não estivesse a olhar para ninguém,
que achassem que eu estava a olhar, que…

[Alexandre]
Same!

[Sofia]
Sim, aquela questão das pessoas LGBT serem vistas como predadoras, por exemplo.

[Alexandre concorda]

[Diego]
Pois, que elas ‘tavam ali presentes e tu já querias saltar para cima.

[Sofia]
Exatamente.

[Alexandre]
Yap.

[Sofia]
Existe muito esse estereótipo.
Casualmente, aquilo que eu reparava nos balneários é que
tu conseguias ver mais ou menos algumas…
Quando tu sabias, quando o teu “gaydar” apitava e vias
“aquela rapariga também é Lésbica ou Bissexual ou é da comunidade”,
tu vias que as pessoas não tinham à-vontade por estar ali,
estavam desconfortáveis por estar ali,
e às vezes as raparigas heterossexuais é que tinham mais conforto
em tocarem-se umas às outras, em fazerem piadas,
às vezes até com uma conotação mais sexual,
que deixava algumas pessoas desconfortáveis, porque…
“ah não, tu estás na brincadeira, mas há pessoas que realmente sentem…
há mulheres que realmente sentem atração por outras mulheres,
e não é propriamente uma brincadeira”.
Coisas desse género,
ou tocarem, por exemplo…
‘Tou-me agora a lembrar dum episódio em que uma colega minha, tipo,
apalpou literalmente o rabo:
“Ah, afinal até tens um rabo bom”, porque tinha visto ali, porque
como eu usava roupas largas, tipo, não se via.
E eu fiquei “What the f*ck, mas porque é que esta rapariga me está a tocar?”.
E se fosse eu a tocar-lhe, a ela, era uma predadora não sei quê, não sei das quantas,
mas ela achava-se no direito de o poder fazer,
por exemplo.
E eram, assim, situações muito estranhas.

[Alexandre]
Isso também acontece em balneários masculinos.

[Sofia]
Ah, sim.
Eu lembro-me de tentar sempre esperar para que aqueles cubículos que existiam,
os poucos cubículos que existissem, estivessem livres para poder tomar banho,
com mais privacidade.
Para mim, eu acho que os balneários chuveiros deviam ser todos em cubículos.

[Alexandre]
Concordo.

[Diego]
Ya, concordo, sim, sim!

[Alexandre]
Na minha escola, nós não éra na escola, não tínhamos balneários,
mas tínhamos no pavilhão onde fazíamos,
e eram balneários sem cubículos, não havia cubículos.

[Sofia]
Exatamente.

[Diego]
Isso desperta logo uma ansiedade…

[Sofia]
Exatamente.

[Alexandre]
Eu acho que só havia cubículos,
nos balneários não tenho a certeza,
mas acho que só havia nos balneários,
porque aquilo era mesmo para o clube da vila,
eu acho que era só nos balneários para treinadores e para árbitros
é que havia cubículos.

[Sofia]
Não, devia ser alargado, todos os chuveiros deviam ser… em cubículos.

[Diego]
Deviam ter a sua privacidade,
ninguém tem que estar a ver aquilo que eu tenho ou não tenho.

[Alexandre]
Sim, eu concordo.
E… Tipo, não quero ‘tar a tomar banho
e tarem praí mais 10 pessoas ali a ver-me a tomar banho.
Tipo, não! Dispenso.

[Sofia]
E voltando aqui a práticas desportivas,
eu lembro-me, sei lá, desde a primária,
de ser muito criticada por gostar de jogar à bola, por exemplo.
Então as raparigas não são propriamente incentivadas a praticar desporto.

[Alexandre concorda]

[Sofia]
Ou, pelo menos, não estes tipos de desportos mais coletivos.

[Alexandre]
Sim, é mais ginástica…

[Sofia]
Exato.

[Alexandre]
Dança…

[Diego]
Ou vôlei, tipo “não, vai jogar vôlei”.

[Sofia]
O vôlei, se os equipamentos forem sexys o suficiente.

[Diego]
Pois sim, que são curtinhos.

[Sofia]
No fundo…
Normalmente há aquele incentivo para as raparigas,
ou mulheres, ou pessoas percepcionadas como mulheres,
praticarem desportos em que possam ser “agradáveis à vista”.

[Alexandre]
Objetificadas…

[Diego]
Objetificadas, exatamente.

[Alexandre]
Sim, natação…

[Sofia]
Lá está, em vez de às vezes o equipamento ser adequado à prática que se está a exercer…

[Alexandre]
É mais para tentar mostrar…

[Sofia]
Exatamente.

[Alexandre]
…as formas do corpo, de forma a objetificar-se.

[Sofia]
Lá está, portanto, esta prática desportiva foi sendo desincentivada
à medida que os anos passavam, principalmente porque o desporto que eu gostava de jogar na altura não era visto como um “desporto de raparigas”, entre aspas.
E depois, mais tarde, quando deixei de ter educação física…
Na altura, primeiro, não conhecia assim muitas pessoas da comunidade LGBT.
E creio que, para mulheres Queer, há mais essa prática,
há mais mulheres LGBT a juntarem-se, por exemplo, pra jogar futebol,
do que mulheres heterossexuais.
Às vezes, até há mulheres heterossexuais que querem jogar futebol
e que têm dificuldade em encontrar
algum grupo de amigas para fazer isso.

[Alexandre]
Diria que até pode ser por receio de levarem com insultos homofóbicos e bifóbicos.

[Sofia]
Sim, também, também.
Portanto, acabei por me afastar um bocadinho do mundo do desporto.

[Alexandre]
Sim,
que é algo que, infelizmente, afeta muitas pessoas,
e tu, Diego, serás a melhor pessoa para falar sobre isso,
da questão de que o desporto é importante para o nosso corpo,
não só para a parte física, mas também para a parte psicológica, emocional,

[Diego]
Pra parte psicológica, sim!

[Alexandre]
, para a nossa saúde, que ajuda com todas estas questões.
E, por exemplo, eu noto isso:
estar uma semana sem fazer exercício, já noto logo uma certa diferença, não é?

[Diego]
Sim, exato.
Até porque quando nós estamos a praticar atividade física ou exercício físico que a gente gosta,
a nível químico cerebral liberta certas hormonas,
uma delas a serotonina, a hormona da felicidade,
e nós sentimos-nos realizados e sentimos-nos felizes quando estamos a praticar
ou depois acabarmos de praticar atividade física.
Portanto, é importante começarmos a aumentar a taxa de atividade física,
não só em Portugal né, mas no mundo inteiro.
Mas, essencialmente, em Portugal e também na comunidade LGBT,
que é a mais afetada, no fundo.

[Alexandre]
E que hoje em dia acaba por ainda estar mais afetada quando vemos,
especialmente agora depois da eleição do presidente dos Estados Unidos,
da exclusão das pessoas Trans do desporto,
nomeadamente as mulheres Trans,
porque sabemos, que apesar de estarem sendo atacadas todas as pessoas Trans como um todo,
o ataque principal está a ser às mulheres Trans,
até também com esta decisão recente do Supremo Tribunal do Reino Unido,
em que começou a haver muito esta situação de, até em entrevistas,
as pessoas que tomaram estas medidas não sabem o que é que é um homem Trans
e o que é que é uma mulher Trans.
E estar uma senhora a falar que, então, agora,
os homens Trans vão ter que ir à casa de banho das mulheres, no Reino Unido,
por causa desta decisão do Supremo Tribunal.
E o senhor ficar muito confuso e dizer
“não, não, os homens não vão entrar no espaço das mulheres”.
E a pessoa explicar “mas um homem Trans nasce normalmente com uma vulva,
ou seja, vai ter que ir à casa de banho das mulheres”.
E o senhor fica super confuso, dá-lhe, tipo ali, um completo “blue screen” [= erro grave, no Windows] e…

[Diego]
Porque ele não sabe…

[Alexandre e Diego] Não sabe.

[Diego]
exatamente, não ’tá informado sequer.

[Alexandre]
E não percebem que isto até vai contribuir é para que homens Cis
que queiram, efetivamente, molestar mulheres e violá-las
possam dizer “ai não, eu sou um homem Trans” e entrarem numa casa de banho das mulheres.
Portanto, isto não protege ninguém, isto ataca só as pessoas Trans.

[Diego]
Sim, exatamente.

[Alexandre]
Porque até para um homem Trans será desconfortável ter que ir a uma casa de banho,
que não é a tua casa de banho.

[Diego]
Exato, porque um homem Cis não passa por isto né, mas um homem Trans passa e, tipo:
“ok, vou ter que voltar àquela casa de banho”
e vai deixar de ir a sítios públicos, porque vai sentir que vai ter que ir à casa de banho
e não vai conseguir.
Então, tipo “ok, não vou ali porque, como é algo, um espaço público,
depois vou ter que ir à casa de banho e depois não quero,
depois vou me sentir desconfortável”,
porque vai ter flashbacks de quando…

[Alexandre]
Sim.

[Diego]
Do passado…

[Alexandre]
E, de certa forma, vai pô-las [às pessoas Trans] numa exposição maior em que as pessoas vão, tipo:
se vêem uma mulher Trans ir à casa de banho dos homens,
por ser forçada, vão perceber “ah, é que ela é Trans”.
Vai expor as pessoas Trans a uma violência muito maior.
E isso está a acontecer também no desporto com a exclusão dos atletas Trans,
especialmente nos Estados Unidos, de praticarem desporto,
de serem atletas federados, de competições internacionais
e já mesmo de se quererem aplicar sanções a países que coloquem atletas Trans
nas suas comitivas e federações.
Como é que tu, enquanto personal trainer e homem Trans,
vês este ataque às pessoas Trans no desporto?

[Diego]
Eu acho que é extremamente desnecessário.
Até, da minha perspectiva,
eu queria voltar a jogar futsal federado,
mas não encontrei nenhuma equipa onde eu me sentisse incluído
e senti que iria ser discriminado novamente.
Até porque, muito geralmente, eu ia ser o único homem Trans numa equipa Cis a jogar e eu ia…
Iam-me fechar a porta na cara e dizer
“não, mas tu nem sequer és um homem, portanto, aqui tu não vais jogar;
mesmo tendo barba, não és um homem”.
Então, eu acho que, pelo menos,
podiam voltar com essa medida atrás,
para as pessoas também continuarem a fazer aquilo que gostam,
independentemente da modalidade.

[Alexandre]
Sim, até porque, em boa verdade,
uma das muitas justificações que trazem para isto
é as pessoas estarem a invadir o espaço de outras pessoas.
No entanto, até posso trazer aqui um dado que vi recentemente,
nos últimos Jogos Olímpicos,
só havia duas mulheres Trans a competirem oficialmente
e uma perdeu logo à entrada e a outra um bocadinho mais à frente.
Portanto, não há pessoas a ocupar lugares de ninguém,
não há pessoas a terem nenhuma vantagem em relação a ninguém,
porque essa ideia de que uma mulher Trans vai ter vantagens em relação a outras mulheres
é absurda, porque cada pessoa tem o seu metabolismo
e há mulheres Cis que têm mais testosterona do que outras,
isso não é uma questão.

[Sofia]
Que também estão a ser atacadas por serem percepcionadas enquanto mulheres Trans.

[Alexandre]
Sim, lá está, porque depois
isto também é um ataque a qualquer mulher
que não corresponda àquele padrão
de feminidade que estas pessoas querem exigir às mulheres.

[Diego]
Sim, exato, como a sociedade implementou por “norma”.
Há aquela mulher que faz boxe…

[Alexandre]
A atleta argelina [Imane Khelif]?

[Diego]
Exato!

[Alexandre]
Já referimos aqui noutro episódio, sim.

[Diego]
Exatamente. Ela foi tão deitada abaixo, porque tinha mais força do que as outras mulheres.

[Alexandre]
Sim, e porque não tinha o aspecto feminino o suficiente para estas pessoas,
que se acham no direito de definir quão femininas ou não as mulheres têm que ser.
E precisamente foi deitada abaixo,
foi toda uma série de desinformação que se gerou sobre ela
e a verdade é que foi muito a partir daí que começou este debate
contra as pessoas Trans no desporto,
mesmo ela não sendo uma pessoa Trans.

[Diego]
Pois, exatamente. Ela apenas tinha os níveis de testosterona mais altos do que as outras mulheres.

[Alexandre]
E supostamente isso nem se sabe se isso é verdade,
porque já dizem que supostamente esses testes até não são verdadeiros, portanto.

[Sofia]
Portanto, transfobia afeta muitas pessoas, Trans ou não,
e deve ser combatida.
E as pessoas só querem praticar desporto.

[Alexandre]
Sim, e todos nós temos um metabolismo diferente,
temos corpos diferentes e todos os corpos são válido.
E todos nós vamos ter vantagens e desvantagens a praticar determinados desportos.
Pessoas baixas terão mais desvantagem a praticar básquete
e pessoas muito altas vão ter muito mais vantagem.

[Diego]
Exato…

[Alexandre]
Vamos proibir as pessoas altas de jogar básquete?
Não, não é?!
E a verdade é que uma mulher Trans não tem necessariamente mais nenhuma vantagem
até porque, normalmente, muitas dessas atletas estão a fazer terapia hormonal,
portanto muitas das vezes não têm testosterona
ou têm níveis de testosterona muito mais baixos do que mulheres Cis.
Não há aqui nenhuma vantagem supernatural em relação às outras pessoas
e o desporto também se vive disso, é de haver desvantagem e vantagem.
Até porque as categorias de desporto separadas por sexo ou género só existiram,
inicialmente não existiam, mas começaram a existir
quando se quis demonstrar esta ideia de separação entre homens e mulheres
e de que as mulheres eram menos capazes do que os homens.
Aliás, eu até me lembro de ver uma pergunta sobre isso que é:
porque é que em xadrez há uma categoria para homens e uma categoria para mulheres?
O que é que o género implica no xadrez?

[Diego]
Sim, exatamente.

[Alexandre]
Não é um desporto, não é uma coisa corporal, não é?
E estas categorias apareceram precisamente, eu lembro-me de ver artigos
de que nos primórdios até de desportos como o cricket ou o futebol havia equipas mistas
e começou a haver separações por género precisamente porque
“ah, não, mas espera lá, as mulheres estão a ser tão boas ou até às vezes até melhores
do que os homens em algumas dessas coisas?
Não, temos que separar isto”, porque era precisamente para haver esta separação e…

[Diego]
Para não se sentirem inferiores de certa forma.

[Sofia]
Às vezes… Acabou, às vezes, por ser uma necessidade haver essa separação,
porque as mulheres não eram aceites também nos desportos.

[Alexandre]
Sim, é um pau de dois bicos.

[Sofia]
E só passaram a ser aceites quando houve esta separação.

[Alexandre]
Sim.

[Sofia]
E no fundo vai parar tudo ao facto de não aceitarem mulheres no desporto.
E, agora, também não estão a aceitar mulheres Trans no desporto.

[Alexandre]
Sim… Isso até se vê, esta questão que estás a falar, até a própria cobertura desportiva
que se dá a desportos praticados por homens
versus desportos que são praticados por equipas femininas.
Nós vemos isso.
Atualmente está-se a dar mais foco ao futebol feminino na Europa e em Portugal,
mas tu continuas a ter uma supremacia do futebol, em geral em relação a todos os outros desportos,
e especialmente futebol masculino.

[Diego]
Sim, até em nível de verbas.
Esquece o futebol masculino que recebe muito mais.

[Alexandre]
Sim, completamente.
Verbos, patrocínios.
O destaque que é dado é muito…
Aliás, se perguntarmos a pessoas para nos darem referências do desporto,
se calhar muitas pessoas vão se lembrar mais facilmente de homens do que de mulheres.

[Sofia]
Sim, porque são mais divulgados.

[Alexandre]
Se calhar mulheres vou-me lembrar de Naide Gomes, Patrícia Mamona.

[Diego]
A Rosa Mota também.

[Alexandre]
Agora, mais.
Não me ’tou conseguindo lembrar de mais neste momento.

[Diego]
A Rosa Mota.
A Marta do futebol…
A Marta, a jogadora brasileira.

[Sofia]
Do Brasil…

[Alexandre]
Sim.
Portanto, mas lá está,
é este próprio destaque que também é dado mais a homens do que a mulheres, que acaba por…

[Sofia]
Também às vezes conheço mais as jogadoras estrangeiras que são mais faladas na internet,
do que as jogadoras portuguesas que são pouco faladas.
Uma pessoa tem mesmo que ir à procura, especificamente, para poder chegar aos nomes delas.
E isso também tem a ver com o facto de que, lá está, se as mulheres não eram aceites no desporto,
não se desenvolveram no desporto, estão a começar agora a ocupar mais espaços,
mas não tendo tido as verbas que os homens tiveram até então,
também não se conseguem desenvolver da mesma forma, por vezes.

[Alexandre]
Sim.

[Sofia]
Porque têm que fazer o dobro ou o triplo do esforço, porque não têm as mesmas condições.

[Alexandre]
Sim.
E até como falavam algumas atletas da seleção portuguesa, acho que não era só da seleção portuguesa,
mas eu lembro de ver um artigo sobre isso, de futebol feminino,
elas falavam disto:
“Ah, nós não é por sermos jogadoras que somos todas masculinas ou que somos todas Lésbicas ou Bissexuais ou whatever [= o que seja]”.
Há muito esta conotação do desporto,
parece que é uma coisa muito masculina e que as mulheres que o praticam, pronto,
são Lésbicas, são Bissexuais, mas num sentido pejorativo.

[Sofia]
Lá está…

[Alexandre]
E que afasta muitas mulheres, sejam elas héteros, Cis ou Trans, Bissexuais ou Lésbicas ou whatever [= o que seja],
de praticarem desporto, não é?

[Sofia]
Lá está.

[Alexandre]
Porque sentem que não vão ser aceitos nesse espaço.

[Sofia]
Lá está. E o desporto deve ser para todas as pessoas.
E as pessoas também têm que parar de usar o ser Lésbica ou o ser Bissexual ou o ser Gay como insulto.

[Alexandre]
Que não é.

[Sofia]
Que não é, não deve ser.

[Alexandre]
Não há nada de errado, pelo contrário, é totalmente ok.

[Sofia]
Lá está, e….

[Alexandre]
Qualquer que seja a nossa sexualidade e identidade de género.

[Sofia]
E aliás, é muito difícil para a comunidade LGBT poder assumir-se no mundo do desporto. Se calhar, para mulheres…
Dependendo do desporto, para mulheres talvez não tanto, mas não é por serem assumidas que também não vão ser alvos de preconceito.

[Alexandre]
Sim, mas é um mundo, eu tenho esta ideia, tu se calhar, que trabalhas na área, podes ter esta ideia melhor do que eu, Diego, mas eu sinto que o desporto é um mundo muito machista.

[Diego]
Sim, sim, exatamente.
Até, já que estamos a falar aqui no mundo do futebol,
imagina, é tudo muito complicado entre eles,
e se tu te assumes como Bissexual para o mundo,
esquece, eles vão olhar para ti de forma diferente
e depois vão começar a haver aqueles mexericos no balneário.
Por isso é que muitos estão escondidos
e há muito mais homens Gays e Bissexuais no futebol e noutros desportos do que a gente sabe cá fora,
mas eles preferem não expor para não levarem com mais comentários homofóbicos e bifóbicos e por aí além.

[Alexandre]
Sim, até porque isso pode ter repercussões na própria carreira
e preferem se calhar não se expor a esse nível,
por proteção pessoal, que também é importante para eles próprios.

[Diego]
E também a nível monetário, depois vem tudo como se fosse uma bola de neve,

[Sofia]
Patrocínios…

[Diego]
Patrocínios, exatamente.
O número de camisolas deles também já não vende igual,
isso também afeta a carteira deles.
Se calhar o contrato ’tá a acabar, eles já nem sequer renovam o contrato com esse jogador,
então eles preferem ‘tar no canto deles e nem sequer assumirem.

[Sofia]
Lá está, então temos logo à partida atletas que podiam ter um rendimento muito melhor,
se não tivessem sobre esta pressão que é estar num armário,
e que não têm devido a este preconceito todo que existe.
Portanto, às vezes até podíamos ter atletas a ajudarem, sei lá,
falando de seleções, a ajudar o país a chegar muito mais para a frente,
se não tivesse com estas pressões todas,
que esta cultura machista e homofóbica tem.

[Alexandre]
E podíamos ter, se calhar, muito mais pessoas
a praticar desporto e muito mais pessoas a quererem ser atletas,
porque se calhar há muitas pessoas da comunidade
que também desistem de um sonho de serem atletas
porque pensam “Ah eu sou Trans, ou eu sou Gay, ou Bissexual,
ou Assexual, ou Intersexo, e não vou chegar longe,
porque as pessoas vão arranjar aqui uma barreira para me excluir”.
Se calhar hoje em dia as pessoas da comunidade,
sejam pessoas Cis, sejam pessoas Trans, olham e vêem:
“é pá, as pessoas Trans já estão a ser excluídas,
quanto tempo é que vai faltar para me excluírem em mim também?
Será que eu vou conseguir praticar desporto ou será que daqui a mais 2 ou 3 anos
vão se lembrar de me excluir por esta razão assim assado,
como está a acontecer com as pessoas Trans?”.
E isso se calhar afasta muitas pessoas da comunidade
também de praticarem desporto federado.

[Diego]
Exato, e se calhar nem sequer vão tentar para
não ‘tarem a passar por esse desconforto no futuro.

[Alexandre]
Até podem sentir que nem sequer são capazes,
como se aquilo não fosse um espaço que lhes pertencesse,
como também já aconteceu connosco em ambientes de desporto.

[Sofia]
Hum hum. E isso leva a outra coisa muito triste que é: por vezes
outras pessoas da comunidade viram-se contra a comunidade Trans,
precisamente por esse medo de
não querem ser associadas a, para também não serem prejudicadas.
E não percebem que, quer estejam contra, quer
não, vêm atrás delas na mesma, portanto…

[Alexandre]
Sim, era o que falávamos no episódio de março.

[Sofia]
Exatamente.
Portanto, devemos já lutar pela liberdade de todas as pessoas, porque…

[Alexandre]
Sim, como tu disseste, se não lutamos pela liberdade de todas as pessoas, estamos a lutar pelo privilégio.

[Sofia]
Lá está, isso nem é uma frase minha,
eu já não me lembro onde é que vi…

[Alexandre]
Sim, sim, sim.

[Sofia]
mas acho que resume muito bem.

[Alexandre]
Porque lá está, é como aquele poema também alemão

[Sofia]
Extamente.

[Alexandre]
que lista várias pessoas e portanto:
primeiro levaram alguém, eu não me importei,
depois levaram não sei quem,
até que levam a pessoa que está a escrever o poema.
E é preciso as pessoas perceberem que, lá está,
as pessoas Trans estão a ser excluídas,
porque neste momento foram o bode expiatório.
Mas, quando as pessoas Trans deixarem de ser o bode expiatório,
a seguir são as pessoas Bissexuais,
são as pessoas Lésbicas, Gays, são as pessoas negras.
Aliás, isto é muito interessante,
porque aquilo que está a acontecer com as pessoas Trans, agora,
foi o que aconteceu há muitas décadas atrás com as pessoas negras.
Que queria-se impedir as pessoas negras de praticarem desporto em alta competição,
porque se achava que…

[Sofia]
Tinham vantagens.

[Alexandre]
Que tinham vantagens e que o desporto não era uma coisa para pessoas negras.

[Sofia]
E resume-se tudo ao medo de perder o privilégio.

[Diego]
Pois, exatamente.

[Alexandre]
Sim.

[Sofia]
E aliás, mesmo a perseguição na segunda guerra
não começou pelos judeus, começou pela população LGBT.

[Alexandre]
Sim.

[Sofia]
Pelas pessoas Trans, pelos chamados cross-dressing na Alemanha.
Aliás, nós tínhamos alguns filmes LGBT na Alemanha, que foram queimados
completamente e que sobreviveram só partes.

[Alexandre]
Sim. Tinhas a maior biblioteca e um instituto que fez pesquisa sobre sexualidade,
questões de género, questões Trans, que foi onde se faziam das primeiras cirurgias de transfeminização e transmasculinização do mundo.
E que, precisamente, havia toda uma panóplia de pesquisa.
Foi um dos primeiros sitios que também foi atacado pelos nazis.

[Sofia]
Lá está, começam a perseguir um pequeno grupo e depois vão alargando aos grupos que derem mais jeito, enfim.

[Alexandre]
Sim, há sempre um grupo. É usado como um bode expiatório.
E especialmente em situações em que as pessoas vêem um alvo comum.
Não é porque… Isto acaba por ser instigar o medo nas pessoas, que é tipo “ah, as pessoas Trans”…
E vê-se muito para aqui, a questão das casas de banho: “ah, é porque se as mulheres Trans podem ir à casa de banho, qualquer homem pode meter uma peruca e ir à casa de banho para violar mulheres”.
E é tipo, ok, mas então o problema não são as pessoas Trans.

[Diego]
Pois, exatamente.

[Alexandre]
São os homens, que sejam violadores, claro.

[Sofia]
Mas é mais fácil excluir pessoas Trans e mulheres e tudo mais do que criticar um violador.
Normalmente as pessoas ficam mais desconfortáveis com a mulher que é violada do que com o homem que viola.

[Alexandre]
Sim, e é preciso deixar claro que esta proibição das mulheres Trans na casa de banho feminina não vai impedir homens de querer violar mulheres.

[Sofia]
Lá está.

[Alexandre]
Foi aquilo que eu também falei no episódio 6: um violador não vai haver um sinal que identifica lá o bonequinho com a saia e vai dizer “ah não, vou esperar aqui, não posso entrar aqui para violar”.
Não, uma pessoa que…

[Diego]
Exato. Não impede.

[Alexandre]
não impede.
Aliás, essa ideia é a mesma ideia com a roupa.
Não sei se já referi isto noutro episódio, mas quem tiver a oportunidade de ver, se não me engano, estava ou ainda está em Amsterdão uma exposição que tem roupas de pessoas que foram violadas e tem lá de tudo.
Tem lá trajes de freira, tem lá hijabs, tem lá fraldas

[Sofia]
Exato…

[Alexandre]
e roupas de criança.
E, portanto, esta ideia de que é o que as pessoas vestem ou é isto ou é aquilo, não.
As pessoas que querem violar, as pessoas que querem maltratar alguém, que querem violentar alguém, vão fazê-lo independentemente do que as pessoas usem, independentemente das leis que existam, independentemente da sinalética que existe à porta duma casa de banho, dum espaço reservado, o que quer que seja.

[Sofia]
Lá está. E para combater esta cultura de violação, tem que é ser mais vocal contra as pessoas que efetivamente violem, não contra as pessoas Trans que estão a levar por tabela.
E uma mulher Trans vai estar muito pouco segura numa casa de banho de homens.

[Alexandre]
Está muito mais exposta à violência porque, primeiro, alguém que tenha uma postura não tão masculina quanto é esperado já se sente inseguro numa casa de banho masculina

[Sofia]
Lá está.

[Alexandre]
e já pode ser alvo de comentários numa casa de banho masculina, quanto mais uma mulher Trans, ou uma pessoa Trans feminina, que seja obrigada a ir numa casa de banho masculina, que as pessoas vão ficar muito atentas àquela pessoa, não é?

[Sofia]
Eaxto.

[Alexandre]
Porque vão ver “esta pessoa não devia estar aqui”, não é?
E vai haver pessoas que vão querer maltratar essa pessoa, porque, infelizmente, existem pessoas que maltratam outras pessoas.
E, portanto, essas pessoas vão estar muito mais expostas à violência.
E o mesmo acontece com homens Trans que vão a uma casa de banho feminina, também estarão mais propensos a serem maltratados do que se fossem numa casa de banho masculina.

[Sofia]
São níveis…

[Alexandre]
São níveis diferentes.

[Sofia]
Aliás, nem é níveis, são tipos de violências diferentes, mas sim.

[Alexandre]
Sim, sim. Porque uma mulher Trans está mais exposta a uma violência sexual também.

[Sofia]
Sim, uma mulher… pode acontecer, mas é mais raro.
Mas uma mulher Cis vai logo estar desconfortável com um homem Trans numa casa de banho,
percepcioná-lo enquanto um homem Cis e sentir-se insegura face a essa violência que existe.

[Alexandre]
Sim, sim, sim.
E, no entanto, isto acaba por ser tentar direcionar um inimigo comum, vá que é tipo “as mulheres Trans estão a ocupar lugares das mulheres e vão violar mulheres nas casas de banho”.
Eu conheço zero casos de mulheres Trans que tenham violado alguém numa casa de banho.
E, se houvesse, têm que ser tratadas como qualquer violador.
Mas aí o problema não é ser Trans.

[Sofia]
Lá está, mas aí essa pessoa individual é que tem que ser detida. Não é toda uma comunidade.

[Alexandre]
Sim, e o problema não é pela pessoa ser Trans.
Se alguém violou alguém, é por ser um violador.
Não é por ser Trans, Gay, hétero, Cis, Bissexual, etc.

[Sofia]
Exatamente.

[Diego]
Exato. Aí já pegamos no carácter da pessoa. Não é o que é que ela é.

[Alexandre]
Exatamente.

[Diego]
E pegando nessa parte dos balneários e das mulheres Trans, no meu ginásio, num dos onde eu estou, havia duas mulheres Trans.
E eu sentia muito os olhares para elas.
E eu próprio sentia-me desconfortável e também me senti numa de as ir proteger, porque era… elas levavam muitos olhares.
Eu ouvia mexericos a dizer “Ah, aquelas são dois homens, não sei porque é que estão assim, ainda vão ao balneário das mulheres”.
E eu ouvi isto um sócio a dizer, relativamente àquilo das perucas, que eu fiquei mesmo a pensar “eu não acredito que este gajo acabou de me dizer isto”.
Ele assim: “Ah, eu também posso meter uma peruca, digo que sou mulher e entro ali no balneário das mulheres e ninguém pode dizer nada porque eu digo que sou uma mulher”.
E eu fico… E tentei-lhe explicar do tipo “ok, mas não é assim que funciona, não é porque tu metes uma peruca que, olha, agora podes entrar na casa de banho das mulheres”.
E ele “não, não, mas é assim, se elas também podem, eu também posso, eu agora também sou mulher, entro ali e depois faço o que eu quero lá dentro”.

[Sofia]
Lá está…

[Alexandre]
As pessoas esquecem-se que uma pessoa Trans não acorda de manhã e diz
“eu sou um homem” ou “eu sou uma mulher” e veste uma peruca ou uma roupa dita masculina ou feminina.
É um processo de descoberta que demora anos e anos e anos e anos e que muitas vezes começa na infância ou na adolescência, não é?
Que é tudo um processo que demora tempo e que requer ajuda psicológica, psiquiátrica,
tratamentos hormonais e que demora anos, não é?

[Diego e Sofia] Sim.

[Alexandre]
Não é de pé pra mão: “olha, agora vou meter uma peruca e sou outro género qualquer”.

[Diego]
Ya, exatamente.

[Sofia]
Mas este tipo de comentários ainda vai muito mais para além disso.
‘Tão, literalmente, a usar mulheres Trans para justificarem a própria violência.
Para este homem, é absolutamente natural ele pegar uma peruca e ir para ali, para aquele balneário fazer aquilo que ele entender, que foi isto que ele acabou de dizer.

[Diego]
Sim, exatamente.
Isto é grave.

[Alexandre]
Sim, sim.

[Sofia]
E as pessoas, em vez de se virarem, lá está, contra quem perpetua esta cultura da violação, viram-se contra as mulheres Trans.
As próprias mulheres, no balneário feminino, viram-se contra as mulheres Trans,
por medo desta cultura, quando se calhar deveriam é unir-se contra esta cultura de violação que existe.

[Diego]
Sim, exatamente.

[Sofia]
Porque as próprias mulheres Trans não estão seguras nem num balneário feminino, quanto mais num balneário masculino,

[Diego]
E elas nem sequer se vestiam lá dentro…

[Sofia]
para onde querem ser recambiadas [pela sociedade].

[Diego]
Exato.

[Sofia]
Lá está…

[Diego]
Elas chegavam ao ginásio e já estavam vestidas da rua.
Elas nem sequer se sentiam confortáveis a ir ao balneário.

[Sofia]
Lá está.

[Diego]
Então, a partir do momento em que eu comecei a chegar mais perto delas, a falar com elas e as pessoas à volta começaram a sentir que eu comecei a comunicar com elas, então deixaram de implicar com elas.
Portanto, também é…

[Sofia]
Lá está a importância da união e de mostrar que há pessoas a apoiar.

[Diego]
Sim, exatamente.

[Sofia]
A união faz a força, é como se costuma dizer.

[Diego]
Sim, exatamente.
E para elas não se sentirem mal por irem ao ginásio, porque elas ‘tão a fazer uma coisa por elas e, mesmo assim, ‘tão a levar por tabela, por olhares e comentários desnecessários.

[Sofia]
E as pessoas chocam-se mais com o facto de existir uma mulher Trans, do que com o facto de existir um homem que diz que vai entrar ali no balneário e fazer o que ele quiser.

[Diego]
Sim, exatamente.
Se tiver um ao lado do outro, uma mulher Trans e um homem que acabou de dizer
a maior barbaridade da vida dele, vão olhar mais…

[Sofia]
Exato..

[Diego]
Esquecem o que é que o homem diz e vão olhar para a mulher Trans,
tipo “não, esta é que é anormal”.
Tipo, não, o anormal foi o que ele acabou de dizer, que é tipo, é perfeitamente normal vestir uma peruca e bora lá para dentro.

[Sofia]
Enfim…

[Alexandre]
Sim.
É muito reflexo deste machismo da sociedade e transfobia.
E diria, a forma de combatermos isto é educação, é…
Porque é a única maneira de combater este tipo de situação, porque acho que este tipos de situações também vêm muito da ignorância.

[Sofia]
Sim.

[Alexandre]
Vê-se muito, lá está nesta situação,
de…
A decisão, por exemplo, que veio do tribunal do Reino Unido,
de que, um homem que estava a ser entrevistado,
um dos decisores políticos desta medida,
ele nem sequer sabia o que era um homem Trans ou uma mulher Trans.
Tá uma, não sei se era entrevistadora ou se era outra comentadora,
a falar que, com esta medida, no Reino Unido,
um homem Trans passa a ser obrigado a ir a uma casa de banho de mulheres.
E ele diz “não, não, os homens não vão ao espaço das mulheres”.
E ela diz “não, mas um homem Trans, regra geral,
nasce com uma vulva ou com um sistema reprodutor feminino,
portanto vai ter que ir a uma casa de banho de mulheres”.
E o homem fica ali e parece que lhe deu ali um “blue screen” [= erro grave, no Windows]
sem saber o que é que está a acontecer.
E a gaguejar, e é tipo…
Lá está, temos pessoas que não percebem a realidade das pessoas LGBT,
das pessoas Trans, a quererem decidir sobre as nossas vidas
e a quererem condicionar as nossas existências.
E isto vem muito da ignorância.
Aliás, o medo, regra geral, vem da ignorância.
E ignorância no sentido de falta de conhecimento.
E é preciso ter esta humildade de reconhecer que nós não sabemos tudo.
E que
temos que aprender sobre aquilo que não sabemos,
principalmente se queremos tecer comentários e decisões sobre isso.

[Diego]
Sim, exatamente.
Por isso é que é importante haver o Dia Trans
e haver todas aquelas marchas,
para as pessoas verem que isto não é uma brincadeira
e a gente não acorda tipo “ah, olha, afinal sou…”.
Há muito por trás disso.

[Sofia]
Exato. E todas as pessoas, que têm este tipo de discurso,
têm capacidade para se cultivarem e perceberem daquilo de que estão a falar.
Simplesmente, às vezes, não têm sequer esse interesse,
de terem essa empatia
e de perceberem que estamos a falar de pessoas.
É que falam das pessoas LGBT como se fossem outra coisa qualquer.
Como se fosse, sei lá, às vezes haver comentários nos trabalhos
“ah, os Gays, os Gays, os Trans, os Trans”…
Quem é que são os Gays e quem é que são os Trans?
Desumanizam completamente.

[Alexandre]
Sim.

[Sofia]
Nem se apercebem, às vezes, que estão a falar de outras pessoas.
E por isso é que é importante trazer também visibilidade e, como estavas a dizer, as marchas e etc, porque não é só…
As pessoas têm muita mania de dizer “ah, porque estão ali, lá c’a bandeirinha, não tenho que saber quem é que tu levas para a cama”.
Mas isto não é sobre quem nós levamos para a cama.
E isto também não é sobre o que é que nós temos no meio das pernas.
Isto é sobre as nossas existência e sobre a nossa segurança e sobre o nosso direito de vivermos também a liberdade.

[Alexandre]
E é muito importante essa visibilidade que vocês falavam.
E, precisamente, para também cumprirmos aquele que é o objetivo aqui do nosso podcast Bialogar, que é a Visibilidade Bissexual, estivemos também aqui à procura de atletas Bissexuais
que se destaquem no desporto.
E eu começo aqui pelo Zach Sullivan, que é um jogador de hóquei no gelo inglês, que era o único exemplo que eu me lembrava quando começámos esta pesquisa.
Que lembro-me já de, há algum tempo, ter visto na página “Bi.org” que, precisamente, ele assumiu já há bastante tempo a sua Bissexualidade, quis fazê-lo para, precisamente, marcar em termos de visibilidade para outros homens, para outras pessoas Bissexuais e da comunidade LGBT se sentirem seguras em assumirem-se.
E ele é um atleta que, regra geral, joga com uma abraçadeira arco-íris ou com um taco com um autoclante arco-íris.
Ele é bastante conhecido por isso.
Temos também o Ryan Russell, que é um jogador de futebol americano.
Temos Jack Dunne, que é um jogador de rugby irlandês.
Temos também o Rayan Dutra, ginasta brasileiro.
Temos também o Jeff Molina, que é um lutador de MMA estadunidense.
Temos a Amber Glenn, patinadora artística estadunidense.
A Breezy Johnson, esquiadora estadunidense.
A Jordan Rand, uma modelo e piloto de corridas de motociclismo.
A Jessica Thoennes, remadora estadunidense.
E também a Tyler Wright, uma surfista australiana.
E muito mais pessoas, porque esta lista é bastante extensa,
continha pelo menos 21 personalidades.
Vamos deixá-la também na descrição e nos stories,
para vocês poderem conhecer melhor estas e
outras personalidades do mundo do desporto Bissexuais.
Com isto, fazer também a ponte da importância desta visibilidade
para o IDAHOBIT, o Dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia, Transfobia e Interfobia,
que precisamente nos traz para a consciencialização da sociedade
de que nós somos humanos, somos pessoas
e temos direitos como quaisquer outras pessoas.
Somos pessoas como quaisquer outras.
Temos os nossos trabalhos,
os nossos estudos, os nossos hobbies [= passatempos]
e temos uma vida como qualquer outra pessoa.
E que temos que ter os mesmos direitos,e os mesmos deveres
e as mesmas oportunidades que as outras pessoas,
e não estarmos sistematicamente a ser excluídos de espaços
que também são nossos por direito
e de sermos excluídos da sociedade em geral.
Este dia celebra-se a 17 de maio.
Regra geral, junta a este dia a ILGA organiza em Lisboa
o “Arco-íris no Jardim”,
que conjuga a celebração do dia 17 de maio, do IDAHOBIT,
com o dia 15 de maio, o dia das famílias,
que traz precisamente toda esta visibilidade,
a conjugação destes dias
e a importância que as famílias também têm, para nós,
nesta aceitação e nesta luta,
mas também no desporto,
que é também importante porque quando praticamos desporto
com pessoas com quem nos identificamos
e com quem temos uma relação próxima,
essa prática desportiva também é importante
e também nos fortalece.
E por isso mesmo, pergunto, Diego,
se é comum nas aulas que dás, nos treinos que dás,
se encontras também famílias a praticar desporto em conjunto?

[Diego]
Não é assim tão comum.
Pelo menos eu gostava de ver mais famílias a praticarem
atividade física juntas.
Na minha aula de pilates, num dos ginásios,
tenho uma mãe e uma filha que praticam pilates juntas.
Também tenho lá uma mulher e marido,
que também fazem aulas juntas.
E por acaso é uma dinâmica bastante engraçada,
porque às vezes quando nós estamos a descansar, ele…
um aluno meu manda uma piada
e eu digo “oh, se calhar já vai dormir no sofá logo à noite”.
E depois é sempre uma dinâmica assim.

[Alexandre]
Criam-se outras dinâmicas que acabam por puxar pelas pessoas.

[Diego]
Sim, exato.

[Alexandre]
E tu dás aulas de pilates, não é?
Não é só a questão do personal trainer,
é também o pilates que também é uma prática desportiva importante.
Queres-nos falar, para quem não conhece,
que sinto que às vezes as pessoas não conhecem tão bem o que é que é pilates,
queres-nos falar?

[Diego]
Há muito aquele estigma que o pilates é só
ou pra as mulheres, ou pra as pessoas mais idosas,
ou pra as grávidas.
E o pilates é bastante importante em qualquer idade.
Gostava que pelo menos experimentassem uma aula de pilates,
quer seja comigo, quer seja com outro instrutor.
Temos o “pilates mat”, que é aquele que é feito no chão,
e temos o pilates que é feito com máquinas.
Qualquer dos dois tem o seu grau de dificuldade,
e é uma questão de depois também falar com o instrutor
e para dar o grau de dificuldade consoante a força que se tem.
O pilates é bastante importante também para treinar a parte da respiração,
a parte do tónus muscular,
porque o pilates usa muito
os músculos mais internos.
Então é importante também para melhorar também a postura,
e as pessoas tendo em conta que hoje em dia
nós estamos muito agarrados ao computador e aos telemóveis,
nós temos uma postura um bocado má,
e pelo menos no pilates conseguimos melhorar a parte da postura.
A parte cardiorrespiratória também é muito importante,
e o controlo do movimento em si,
porque nós temos que perceber que somos nós que controlamos o corpo,
não é o corpo que nos controla a nós.
E é muito essa questão que às vezes nós ‘tamos a fazer um exercício
e o corpo vai quase de chapa ao chão,
e é importante sabermos que tipo de músculo estamos a recrutar,
para então fazermos o movimento mais controladamente possível.

[Alexandre]
E isso também ajudará certamente com outras questões,
como a ansiedade, a elasticidade…

[Diego]
Sim, exatamente, a flexibilidade também, porque o pilates mexe muito com, entre aspas, “estarmo-nos a esticar”.

[Alexandre]
A paciência, porque eu da primeira vez tentei fazer uma espécie de pilates, se calhar até foi…
Eu tentei pilates e yoga com a minha irmã, e senti a confirmação de que eu tenho pouca paciência. [risadas]

[Diego]
E ’tás ali em silêncio, a veres e sentires cada traço do movimento que tens que fazer.

[Alexandre concorda]

[Diego]
É desafiador nesse sentido.

[Alexandre]
Mas é muito bom, eu depois disso cheguei a fazer mais algumas vezes e é de facto uma experiência libertadora.

[Diego]
Sim, sem dúvida.

[Alexandre]
Como qualquer experiência desportiva, acho que é importante as pessoas praticarem desporto e deixamos este repto para quem nos ouve.
Sabemos que é difícil para as pessoas LGBT, quer pelas questões da discriminação que falámos,
quer pelas questões também socioeconómicas, mas também reforçar que não é preciso ir a um ginásio ou ter um PT [= personal trainer] para praticar desporto.
Hoje em dia também há muitos vídeos na internet, tu também fazes vídeos em que explicas exercícios, certo?
Nas tuas redes sociais.

[Diego]
Sim, vou começar a fazer isso agora.

[Alexandre]
E hoje em dia é raro o jardim público que não tem umas barras para fazer exercício ou alguma coisa, tudo serve até começar por uma caminhada, uma pequena corrida.
Há tanta coisa que nós podemos fazer e é muito importante para a nossa saúde.
Não é para o que os outros vão achar do nosso corpo, mas mesmo para a nossa saúde, é tão importante, seja ela física, seja ela mental.

[Diego]
Exato.
E se tu tiveres um dia de trabalho complicado, pegares numa amiga, num amigo, aquilo que for, e forem caminhar, depois, no final, vocês já vão se sentir muito mais relaxados.

[Sofia]
Exato.

[Diego]
Em vez de ‘tar com aquele stress do dia e fores para casa, tu vais estar só a pensar naquilo “ah, aquela colega disse-me aquilo”, “o meu chefe disse-me aquilo e fez aquilo”.

[Alexandre]
E dormes muito melhor, eu noto bem isso.

[Diego]
Sim, exatamente.

[Alexandre]
E também, às vezes até de manhã, eu sou aquela pessoa que normalmente não gosta de fazer exercício de manhã, mas quando faço de manhã, é tipo, ficas com energia tipo para o resto do dia e o dia corre-te muito melhor, e tipo, fazes o resto do dia a bombar, tipo, na boa.
É tão bom.

[Diego]
A nível de serotonina, tu já libertaste tudo. O resto do dia…

[Alexandre]
Ya. É mesmo muito bom e ajuda imenso a dormir, a regular a ansiedade, a regular emoções, é mesmo vital.
E, portanto, reforçamos assim esta prática desportiva.
Reforçar também que, neste momento, ainda não saiu data
nem programa para o “Arco-Íris no Jardim”,
organizado pela ILGA, que, como dissemos,
celebra os dias 15 e 17 de Maio.
Assim que for divulgado, nós divulgaremos também.
Nós estaremos lá presentes, no evento.
E, já que estivemos aqui a falar de desporto,
agora, a seguir de terminarmos esta gravação,
vamos também fazer uma caminhadazinha. [risadas]
E o nosso episódio de hoje fica por aqui.

[Sofia]
Os nossos episódios saem todas as segundas sextas-feiras do mês,
portanto o próximo é dia 13 de junho.

[Todes] Venham biologar connosco!

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